Dying Days
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Discos do mês - Outubro de 2026

Fabricio C. Boppré |
Discos do mês - Outubro de 2026

Crédito(s): foto de minha autoria.

Este arco-íris da foto acima, tirada da sacada do meu apartamento, apareceu no fim da tarde do dia 25 de outubro. Ávido por indícios e sinais — de qualquer tipo, até mesmo os supersticiosos ou insensatos — de que aquele domingo terminaria bem, logo interpretei-o desta maneira, como um bom sinal, ajuntando-o a uma variada lista mental de outros presságios que eu vinha acumulando ao longo dos dias anteriores. Deu tudo certo, e quem sabe nos livros de história do porvir aquele histórico 25 de outubro venha a constar como uma bela contribuição dos brasileiros à humanidade, ao lado da caipirinha e do Sepultura. E por falar em Sepultura: é das minhas bandas favoritas desde sempre, porém, neste excepcional em tantos sentidos mês de outubro, andei ouvindo mais vezes a banda nascida da cizânia entre Max Cavalera e seus antigos companheiros de Sepultura: o Soulfly. Há quem diga que o Soulfly é nu metal; se for mesmo, é de uma estirpe bem mais agradável ao meu paladar, algo bastante diverso do Korn, a epítome mais habitual e horrorosa do gênero. Sempre gostei dos discos que escutei do Soulfly, cheios de energia, de groove, de tesão pela vida metalêra. Gosto do Max: é um personagem genuíno, a despeito das letras constrangedoras que costuma escrever (na faixa que abre Archangel, décimo disco da banda, escutamos: "Fuck you all, we don't belong, I want to burn your fucking world, destroy 'em all, fuck your laws, metal flows through my veins, I wanna rage, I am insane..."). Não exijo alto grau de perícia literária dos meus discos de metal, mas esperar que não se pareça com algo escrito por um aluno da quinta série não me parece algo tão impertinente assim. Mas o disco é muito bom: a anarquia sonora compensa a deficiência de conteúdo. O mês das bruxas foi, como costuma ser, um mês bastante heavy metal, e aproveito para fazer uma correção: no mês passado mencionei algo sobre o Time Waits for No Slave ser meu álbum favorito do Napalm Death neste século 21, quando na verdade o mais justo merecedor desta preferência é o disco seguinte, Utilitarian. Time Waits for No Slave é impressionante; Utilitarian é fenomenal. Ali funciona um foco hiper-concentrado de indisposição, de fúria canalizada, música-manifesto que deixa o fã desnorteado e exaltado, mas, antes de tudo, orgulhoso de ser parte daquilo, mesmo que parte distante — mesmo o sujeito fora do circuito de shows que apenas compra os discos e os escuta com dedicação, como eu. Com convicção sonora e conceitual avassaladoras o Napalm Death vem rapidamente se transformando, nos últimos tempos, em uma das bandas mais importantes da minha vida. Mas outubro teve também bastante punk rock e hardcore, a música politizada que não poderia faltar no mês em que lutávamos contra o retorno da corja fascista ao posto mais alto da república. Escutei repetidas vezes ao Stranger Than Fiction do Bad Religion, o primeiro trabalho que a banda lançou por uma grande gravadora, e quem não se lembra que à época nós todos os xingamos de "vendidos"? E merecidamente. Mas pelo menos seus discos foram mais longe, beneficiados pela maior capacidade industrial de um grande selo, e a música efetivamente não mudou nada, nem neste e nem nos discos seguintes. Há um quê de petulância no semblante de Greg Graffin na capa do disco, como quem sugere que se é possível levar sua mensagem mais longe e ainda tirar um troco por isso, então por que não? Stranger Than Fiction tem nada menos do que 17 faixas, e a décima-terceira é Inner Logic, uma das melhores da banda. A décima-sexta é News from the Front, outra. É este fôlego que me faz voltar repetidamente ao disco, mais de 30 anos após seu lançamento, e tê-lo como um dos meus favoritos. Continuam ídolos inequívocos, Greg, Brett Gurewitz (fundador da Epitaph) e o resto da gangue.

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