Discos do mês - Fevereiro de 2026
Fabricio C. Boppré |Imagem principal:

Crédito(s): foto de autor desconhecido, copiada daqui.
Texto:
Fevereiro, já por definição um mês mais breve, passou por mim como que voando, e ao longo de seus dias estive mais envolvido com meus livros e leituras do que com minha música e meus discos. Quero dizer, provavelmente escutei a tanta música quanto escuto em qualquer outro mês, porém, refletindo em retrospectiva, lembro-me mais da companhia dos McCaslins e Beauchamps dos contos de Faulkner, dos haikais e haibuns de um amigo querido e das especulações filosóficas de Xenófanes, Pitágoras e outros gregos muito antigos. (Antes que me entendam mal: não sou especialista em filosofia e nem metido a erudito; apenas adoro ler sobre as ideias destes primeiros cientistas, o florescer do pensamento racional do homem, que vai dando pistas pouco a pouco sobre como de lá chegamos até aqui.) Por isso escrevi "envolvido": não se trata de questão quantitativa; ouvi, como sempre, discos à beça: ouvi discos no ônibus indo para a praia e depois sentado na areia diante do mar; ouvi discos trabalhando em casa de tarde e depois de noite antes de dormir. Muitos discos. Apenas que nada me deixou impressão muito forte, ou tão forte quanto as leituras. Vejamos. Das poucas audições que se repetiram, Am Universum, do Amorphis, se destaca. Tenho escutado bastante a estes finlandeses pois estou escrevendo algo mais longo sobre eles, à moda do que fiz para o Anthrax uns meses atrás. Sempre gostei do Am Universum, álbum que se seguiu ao meu favorito Tuonela, e nem mesmo o fato dele ser tão parecido com seu antecessor o diminui em minha apreciação. A banda estava em estado de graça em termos de inspiração desde pelo menos Elegy, de 1996, e algo parece culminar em Am Universum, o lado ruim disso sendo que quando se atinge o cume depois resta apenas a descida. Mas a banda soube descer com equilíbrio e dignidade. Assunto para depois. Outra audição que vale mencionar: Nightvision de Devon Allman1. Quem é Devon Allman? É uma pergunta genuína pois não faço ideia e não me ocorreu ainda ocasião de pesquisar. Sei que este Nightvision (cuja linda capa vista em algum lugar foi o que me fez ficar desejoso de ouvi-lo) é um disco danado de bom, que se passa como a trilha-sonora de algum filme juvenil sobre aventuras e amizades, levemente delirante, levemente amargo, soando a maior parte do tempo como se Joe Satriani tivesse se juntado ao Tangerine Dream para uma parceria inesperada... E o resultado fosse bom. Eu, pelo menos, achei, e por ora o disco está inscrito em minha nascente lista de melhores de 2026. Papo reto, agora: para uma sessão rápida de death metal de primeiríssima qualidade, o EP Unblessing the Purity do Bloodbath — que, se bem entendo, é uma espécie de super-grupo que só se reúne vez ou outra — é escolha bastante acertada, agressão demoníaca de bom gosto e técnica refinadíssimos. Vai por mim. Não tendo nada mais para recomendar assim de coração sangrando e grande entusiasmo, encerro por aqui, me preparando para afundar mais seriamente no oceano dos meus discos, pois este, tudo indica, vai ser um longo, longo ano.
1: O disco ainda não consta na base de dados do Discogs, por isso não aparecerá na lista de mencionados abaixo. ↩
Comentários:
Não há nenhum comentário.
(Não é mais possível adicionar comentários neste post.)

