The Bends (LP)

10/10

Por Jonas Lopes, publicada em 2001

Radiohead

Depois de um começo difícil, um single estourado (Creep, é claro), e muitas críticas ridicularizando-os, o mundo caiu em cima do Radiohead. Tudo indicava que eles seriam somente mais um grupo “one hit wonder”, como 4 Non Blondes ou Jesus Jones. Foi ciente disso que Thom Yorke e sua trupe entraram no estúdio para gravar o sucessor do bom, mas subestimado, Pablo Honey.

E o que parecia impossível aconteceu: os caras mandaram muito bem, criaram um disco maravilhoso e escreveram para sempre seus nomes na história do rock. The Bends começa bem, com os rocks Planet Telex e a faixa-título. É a partir daí que o disco começa a despontar – e a maravilhar. High And Dry é uma balada lindíssima, capaz de emocionar até um ogro, além de um bom trabalho de bateria e violões. A obra-prima vem em seguida: chega até a ser redundante elogiar Fake Plastic Trees. Hoje todo mundo conhece o poder dessa balada, e talvez não haja mais elogios para se referir a ela. Sem dúvida, uma das 10 músicas mais bonitas da história.

Continuando, vamos com Bones e seu belo e emocionante refrão. A clássica Nice Dream vem logo após, com sua e tristeza e uma letra capaz de fazer Hitler cair em prantos. The Bends volta a ser mais rock com Just e seu maravilhoso arranjo de violões (mais uma vez). A quase-balada My Iron Lung continua o êxtase. Curiosidade: a faixa estava na trilha do filme As Patricinhas de Beverly Hills, aparecendo na cena em que Alicia Silverstone descobre por quem está apaixonada. Aliás, ótima cena para a música, não acham? Bullet Proof dispensa comentários. Fique com um pedaço da letra e, quando ouvir a música, tente não chorar: “so pay the money/and take a shot/lead-fill the hole in me”. Black Star, outra clássica, mantém o alto nível do álbum.

Agora, é no final que os caras se superam. É íncrivel o talento de Yorke em terminar o disco sempre com duas maravilhas, que parecem ligadas uma a outra (como OK Computer veio a comprovar, com Lucky e The Tourist): as obras-primas Sulk e Street Spirit demonstram que disco clássico tem que ser fechado com chave de ouro.

Por fim, The Bends deu ínicio ao hoje famigerado culto ao Radiohead, disputando cabeça a cabeça com OK Computer o título de melhor disco da banda (afinal, Kid A ainda não pode ser compreendido por nós, reles mortais). O quê? Você ainda está lendo? Deixa de ser mané e vai logo comprar o disco!

Resenhas