Green (LP)
Green foi o primeiro disco do R.E.M. por uma grande gravadora. Depois de uma bem sucedida sequência de elogiados álbuns independentes, e do grande hit The One I Love, que levou o álbum Document de 1987 à lista dos 10 mais vendidos, as grandes gravadores fizeram um verdadeiro leilão pelo R.E.M., que acabou assinando com a Warner.
O 7º álbum da banda, Green, foi um lançamento cercado de grandes expectativas e a banda respondeu com o disco mais diverso de sua carreira até então. Pop Song 89 abre o disco repleto de ironia. A música soava como uma resposta direta aos críticos que especulavam sobre o rumo da banda após entrar para o time dos grandes. Em uma melodia bem fácil (a canção pop de 1989!), a banda responde às pressões questionando a si mesma, com muita ironia: “Should we talk about the weather? Should we talk about the government?” (Devemos falar sobre o tempo? Devemos falar sobre o governo?).
Get Up é rock! É de se lamentar a ausência de guitarras mais pesadas que poderiam dar mais intensidade ao som, mas trata-se de uma grande música. Na sequência surge a introspectiva e acústica World Leader Pretend, com destaque para o bandolim de Peter Buck. Stand, a quarta faixa, é completamente diferente. Absurdamente pop, é uma espécie de precursora da famosa Shiny Happy People, com o refrão repetitivo e grudento e letra fácil. É o R.E.M. no seu momento mais fútil, mas de qualquer forma, é impossível ouvir Stand sem abrir um sorriso.
Já disse que esse álbum é díspar? Pois se Stand é a música mais fácil e melódica que a banda poderia compor, The Wrong Child é a mais intrigante. Novamente o bandolim é destaque, trazendo uma melodia sombria que é reforçada pelos vocais sobrepostos de forma dissonante (quando a segunda voz inicia um verso, a primeira já está no próximo). A letra é um verdadeiro drama psicológico e a música vai evoluindo sua atmosfera angustiante até se desdobrar num refrão muito bonito onde Michael Stipe canta em tom de lamento: “I’m not supposed to be like this” (Eu não era para ser desse jeito). É de dar arrepios. Grande música! Green ainda traz mais um hit, Orange Crush um rock bem anos 80, com muitos backing vocals para saciar quem aprecia a voz de Mike Mills.
No entanto, nem todas as faixas são memoráveis e inesquecíveis, principalmente na metade final do disco. O trio Turn You Inside Out, Hairshirt e I Remember California é particularmente pouco inspirado. A primeira é mais uma balada acústica, sem o brilho das anteriores. Hairshirt é baseada em um riff “cansado”, que parece não levar a lugar algum, enquanto que I Remember California é uma boa música, mas parece pouco desenvolvida, soa como uma boa ideia mal acabada, onde o início entusiasma, mas a música vai cansando pela ausência de destaques.
Mas parece que a banda se precaveu e escondeu uma pequena pérola no finalzinho do CD. A décima primeira faixa, que não está listada no encarte e não tem nem nome (acabou ficando conhecida por Untitled) é uma pequena obra-prima. Uma melodia bem simples com uma letra bem singela, “I stayed up late, to hear your voice” (Eu fiquei até tarde, para ouvir a sua voz), canta Stipe, encerrando mais um belo disco do R.E.M..


