Four Thousand Seven Hundred And Sixty Six Seconds: A Shortcut To Teenage Fanclub (LP Compilação)

6/10

Por Francisco Marés, publicada em 15/06/2004

Teenage Fanclub

Poucas bandas merecem uma coletânea. É estranho ver uma coletânea de uma banda que só tem três discos de estúdio (alguém pensou em… Nirvana?), por melhor e mais influente que ela seja. Já o Teenage Fanclub, ao contrário da maioria, merece. Afinal, ano que vem essa máquina escocesa de power-pop vai fazer 15 anos de carreira ininterrupta.

São 6 discos nas costas, sem contar EPs, participações especiais, singles e a extensa e conhecida lista de covers feitas por eles, de bandas do calibre de Velvet Underground, Byrds e até da “rainha do pop” Madonna.

Mas, de qualquer jeito, a coletânea deixou nós, fãs incorrigíveis desses caras, frustrados. Frustrados porque já faz dois anos que saiu Howdy, e esperávamos um disco inédito. Mas, no final, saiu apenas uma coletânea com algumas das músicas que já nos cativavam há um bom tempo. E, como toda a coletânea, é recomendável apenas para os que querem conhecer um pouco do trabalho desses escoceses muito comentados e pouco ouvidos (se bem que, com o preço dos CDs importados, é mais recomendável procurar Sparky’s Dream e The Concept nos Soulseeks da vida).

Como toda coletânea que se preze, essa apresenta músicas inéditas (para tirar o suado dinheirinho de fãs desavisados do tal do mp3), uma de cada compositor. Quem se dá melhor é Norman Blake: sua música nova, Did I Say, merece destaque entre os clássicos da banda. Se o mundo fosse justo, essa música já estava tocando em todas as rádios (como não é…). É viciante, extremamente viciante, graças a uma melodia cativante, um andamento envolvente, um arranjo delicadíssimo e, principalmente, um refrão memorável, daqueles que só o Teenage Fanclub sabe fazer. Merecia com louvor estar em Songs From Northern Britain (no lugar da razoável It’s A Bad World). Gerard Love, se não acerta na mosca, também não erra: Empty Space não é tão perfeita quanto Did I Say, mas é uma bela música. Lembra um pouco Don’t Look Back, do clássico Grand Prix. Já Ray McGinley, ao contrário de seus colegas, errou feio: The World’ll Be Ok é uma das piores faixas da carreira do Teenage Fanclub, tenta misturar o power-pop da banda com algo de world music e psicodelia, mas não consegue nada. Falta uma boa pegada, um bom refrão, características que ele nunca deixou faltar em suas pérolas, como About You, Your Love is The Place Where I Come From e Tears Are Cool.

Já a escolha das músicas antigas, se não foi perfeita, foi correta. Algumas músicas me surpreenderam, como About You e My Uptight Life. Talvez essas tenham entrado para compensar uma injustiça com McGinley, autor de ambas. Nenhuma de suas músicas foi lançada como single, por mais que algumas estejam entre as mais “chicletes” da banda. Algumas escolhas óbvias, por outro lado, poderiam ser deixadas de fora, como a chatíssima (porém eleita single da semana pela NME quando lançada) What You Do To Me. E, é claro, sempre tem aquelas musiquinhas maravilhosas que foram deixadas de fora. Posso fazer uma listinha: Speed Of Light, December, Ret Liv Dead, God Knows It’s True, Tears, Some People Try (To Fuck With You), Winter, The Cabbage, Norman 3, Sidewinder, Tears Are Cool.

Outro defeito da coletânea foi o fato de não ter dado a devida atenção a dois discos da carreira da banda, Catholic Education e Thirteen. O primeiro é até compreensível: o som do Teenage Fanclub ainda não havia sido formado, e, por mais que o disco seja bom, soa muito parecido com Jesus & Mary Chain e outras bandas da época. Já o segundo é inexplicável: algumas das melhores músicas da banda estão lá, mas apenas duas foram escolhidas para o disco, sendo que uma, Hang On, está entre as mais fracas. Uma pena.

O disco em si é maravilhoso. Algumas das melhores músicas de uma das melhores bandas dos anos 90. Mas o Teenage Fanclub merecia mais, muito mais…

Resenhas