Binaural (LP)

7/10

Por Fabricio Boppré, publicada em 2000

Pearl Jam

Binaural é o sétimo disco do Pearl Jam (sendo seis de estúdio e um ao vivo), lançado no ano em que o conjunto completa uma década de estrada. E, assim como nos últimos dois álbuns, No Code e Yield (de 1996 e 1998 respectivamente), a banda mais uma vez produz um trabalho diversificado, que não fica preso a um único estilo, a uma única sonoridade.

Na verdade, Binaural não está tão eclético como No Code, por exemplo, mas mesmo assim percebe-se claramente que a banda prefere continuar a investir nessa liberdade de composição e criação (ainda que algumas músicas nos remetam aos primeiros discos), impedindo que um rótulo muito específico seja imposto ao quinteto. Ou seja, o Pearl Jam provou de vez que o fato de ter saído de Seattle, naquele fértil período que convencionou-se chamar de “grunge”, não significa necessariamente que eles fariam o mesmo som para sempre, e, assim como grande parte das outras bandas “grunges”, terminariam assim que o estilo perdesse o grande espaço que teve na mídia na primeira metade da década de 90 (não por falta de competência destas — muito pelo contrário).

Como foi citado acima, Binaural em alguns momentos nos lembra o ínicio de carreira mais visceral do Pearl Jam, principalmente a energia punk de Vitalogy (1994). Gods’ Dice (composta por Jeff Ament), Grievance e Insignificance, pelas batidas vigorosas do baterista Matt Cameron e pelos timbres mais pesados das guitarras de Mike McCready e Stone Gossard, são as principais responsáveis pela nostalgia que podem sentir os fãs que preferem o Pearl Jam mais porrada de antigamente. Matt Cameron é, por sinal, um dos destaques do disco. Matt é o quinto a ocupar as baquetas da banda, e, aparentemente, deverá seguir como o titular dessa posição, uma vez que por um bom tempo ele era considerado apenas como um membro temporário do conjunto. Mas, com o fim definitivo do Soundgarden, e a estabilidade alcançada pelo grupo atualmente, ele tem tudo para ser o baterista mais longíquo do Pearl Jam. Em Binaural, ele prova que essa escolha é a mais acertada: ele consegue até fazer a música mais chatinha do disco, Evacuation, ficar interessante pela bateria quebrada, e se destaca também nas canções mais pesadas citadas acima com sua pegada pulsante e precisa.

O disco segue mais homogêneo que seus antecessores, com as já tradicionais baladas que ficam emocionantes sob os vocais cheios de feeling de Eddie Vedder, destacando-se as belas Light Years e Thin Air. Essa última foi composta por Stone Gossard, que também assina duas outras músicas, Rival e Of the Girl. Mas o diferencial de Binaural são algumas canções sombrias e melancólicas, sonoridade até certo ponto inédita no trabalho do Pearl Jam. Nothing As It Seems (outra música composta por Jeff Ament), Sleight of Hand e Parting Ways possuem excelentes trabalhos de guitarras e produção muito boa que evidencia esse lado mais escuro e triste de Eddie Vedder e cia. Aliás, Nothing As It Seems, que foi a música do primeiro single lançado no mercado, acaba sendo o destaque do disco, com sua melodia triste e excepcional trabalho de guitarras, cheia de efeitos e solos inspirados. “It’s nothing as it seems/the little that he needs/it’s home” canta Eddie Vedder no refrão. Os outros destaques são Breakerfall (a música que abre o disco), um rock’n’roll de primeira, com visível inspiração de Who, a banda que Eddie Vedder mais gosta; e Soon Forget, uma despretenciosa canção levada a cabo por Eddie Vedder na voz e no ukelele apenas.

No geral, Binaural é mais um bom disco do Pearl Jam e, apesar de alguns momentos mais pesados e agressivos, deve sepultar de vez a esperança de alguns fãs de ver seu grupo preferido lançar mais um disco como Ten (o primeiro, de 1991). Mas para aqueles que gostam de boa música, sem restrições, é mais um presente de Eddie Vedder e sua trupe, que provam de vez que uma banda evoluir e amadurecer, refletindo isso diretamente em sua música, não implica necessariamente em mudança de estilo e atitude, muito pelo contrário: quando isso acontece naturalmente, a banda tende a crescer e ficar ainda melhor, em todos os aspectos.

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