Dying Days
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Discos do mês - Dezembro de 2025

Fabricio C. Boppré |
Discos do mês - Dezembro de 2025

Crédito(s): Patti Smith em foto de Richard E. Aaron, copiada daqui.

No último mês do ano, antes tarde do que nunca, prestei tributo a dois veneráveis clássicos que em 2025 tornaram-se cinquentões: Tonight's the Night do Neil Young e Horses da Patti Smith. Estes discos são unanimidades que ninguém precisa mencionar em suas listas de favoritos pois ambos têm lugares cativos na lista coletiva dos prediletos da humanidade, é redundância acrescentá-los às listas individuais. Mas Horses talvez seja um disco mais importante, por inaugurar a carreira tão peculiar e especial de Patti Smith. Não sei se podemos dizer que Patti inventou o casamento da literatura e da poesia com o rock 'n' roll, mas muito provavelmente podemos dizer que com a autoridade de Patti essa amálgama ninguém fez. Jim Morrison tinha a mesma alma dionisíaca de poeta, porém escreveu muito pouco e esgotou-se muito rápido, enquanto Patti resistiu aos golpes da vida (já naturalmente mais cruéis pelo fato de ser mulher) e fez de sua arte uma carreira, e ainda hoje ela faz shows, lança livros, faz leituras públicas de poesia e mantém-se intensamente ativa, fiel à sua visão artística e às suas musas. Serei para sempre parte do culto a Jim Morrison, porém perto de Patti, admito, Jim foi um nanico preguiçoso e ególatra. Vida longa — ainda mais longa — a Patti Smith! Tonight's the Night é também o disco de um artista peculiar, pela visão artística, pelo senso de confronto e independência. Também Neil continua na ativa, não mais gravando discos caóticos e viscerais como Tonight's the Night mas tampouco se furtando ao seu ofício, lançando música com frequência e permanentemente disposto a comprar briga com os agiotas e bilionários cretinos deste mundo. Que ambos, Neil e Patti, atravessem 2026 com boa saúde e disposição, para o bem de todos nós. Com o verão já bem estabelecido e se sentindo totalmente em casa, lancei mão de outro velho conhecido, este, de acordo com meus ritos e símbolos pessoais, o disco que saúda a chegada da estação: o III do Led Zepellin. Tal associação vem desde o verão da adolescência em que o escutei pela primeira vez e uma coisa soldou-se a outra para sempre: desde então, basta os dias começarem a ficar mais longos e mais quentes e logo me vem a vontade de colocar o III para girar na vitrola. Nem tudo envelheceu com total dignidade neste disco, penso eu, porém a companhia de um velhinho meio decrépito, vez ou outra, pode ser bastante benéfica... Os violões de III, ressalte-se, estes continuam perfeitos e emocionantes como sempre foram e não há sinal de que isso vá mudar algum dia. E assim declaro aberta a temporada! Para finalizar com algo pós-década de 70: depois de relembrar o quão fantástico é o How To Measure A Planet? do Gathering, pus-me a escutar a alguns dos outros discos destes holandeses, em especial ao anterior, Mandylion, cuja lembrança que eu tinha era também a de um disco sensacional, embora não nesta grande medida em que o reencontrei agora. Strange Machines, a faixa de abertura, assusta de tão bonita que é e pelo temor que levanta de que o álbum não tem como permanecer no mesmo nível, mas Eléanor e Sand and Mercury não são faixas menores, de jeito algum, e o álbum como um todo é fantástico. É metal, é pesado, mas o Gathering encontrava-se então iniciando sua metamorfose para a música mais experimental e mais translúcida dos discos posteriores, uma música que em muito boa hora me dei conta de que pode combinar bastante bem com uma temporada de férias na praia, junto ao mar. É certo, portanto, que voltarei com frequência a este disco e ao How To Measure A Planet? nas próximas semanas.

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