Discos do mês - Outubro de 2019

Por Fabricio C. Boppré em 05/11/2019

Este vai ser um comentário breve porque, apesar de não estar faltando música em meus dias, também não me têm faltado trabalho, viagens, mudança de residência, etc. Uma maratona! Mas forcei uma pausa na agenda para escrever que a capa de Band of Gypsys, que voltei a escutar uns dias atrás depois de muito tempo, é uma das minhas favoritas, e o disco é ouro puro. O que Billy Cox, Buddy Miles e Jimi Hendrix não teriam aprontado caso Hendrix não viesse a morrer logo depois de estabelecido o trio? Esta resposta que nunca saberemos é a que mais me deixa aflito — dentre todas as mortes precoces na história da música, a de Hendrix é a que mais lamento. Já Cecil Taylor, por sorte, não morreu cedo, e pôde nos deixar uma quilométrica e exuberante discografia. Air Above Mountains foi gravado ao vivo na Áustria em 1976 e lançado dois anos depois. Dia desses, de manhã cedo, enquanto eu colocava para tocar este disco e me preparava para a continuidade da maratona, não foram necessárias muitas notas para que eu percebesse a impossibilidade total disto, quero dizer, não seria possível ouvir ao disco e fazer alguma outra coisa ao mesmo tempo. O piano intenso e desvairado de Taylor enjaula o ouvinte em uma espécie de labirinto total: caminhos, saídas e possibilidades — tragédias inclusas — por todos os lados, e por cima, e por baixo, e não há o que fazer além de tentar seguir este insano emaranhado. É para ser ouvido com atenção e devoção, e todo o resto, não importa a urgência, fica para depois, porque de qualquer ponto de vista que realmente valha a pena — do ponto de vista da vida, digamos assim — não há melhor proveito de tempo do que escutar a este gênio que foi Cecil Taylor, gênio da estatura de Jimi Hendrix e de pouquíssimos outros.

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