Mark Hollis (1955 - 2019)

Por Fabricio C. Boppré em 26/02/2019

Os dos primeiros discos do Talk Talk têm estampas bastante convencionais: synth-pop caprichado para tocar nas rádios dos anos 80, nada muito além disso. O terceiro, The Colour of Spring, começava um intrigante caminho em outra direção. São os dois últimos, no entanto, que marcam indelevelmente como sui generis o legado desta banda londrina. Estes dois álbuns, Spirit of Eden e Laughing Stock, são feitos de outra matéria. A beleza exuberante de ambos é algo que, por mais que eu os ouça, permanece sempre em mim a estranha impressão de não ter captado em toda sua extensão, em toda sua força e mistério. Como se fosse um disco — Laughing Stock em especial — de descobertas infinitas, de paisagens cujas fronteiras são embaçadas, cambiantes, indistinguíveis. E as mais belas paisagens. Comecei a semana falando da minha banda favorita, e não imaginava que logo no dia seguinte estaria aqui falando do meu álbum favorito, na triste ocasião da morte de seu mentor principal, Mark Hollis, cuja notícia do falecimento apareceu na internet ontem de noite. Sim, é este, Laughing Stock: para mim, o maior dos discos já gravados. Nada chega perto. O Talk Talk encerrou atividades logo depois do lançamento de seu último disco, em 1991. Também pudera: não haveria lugar para banda alguma prosseguir depois de Laughing Stock. Hollis morreu muito cedo, 64 anos, mas a respeito de sua obra, de pouquíssima outra música eu digo com a mesma convicção: ela será eterna.

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Créditos da imagem: Foto copiada aqui.



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