Impressões auditivas, Vol. V

Por Fabricio C. Boppré em 11/05/2018

  • Que música extraordinária faz Meredith Monk, a cantora da foto acima. Ao mesmo tempo tão exótica e tão natural; tão simples e tão profunda. Procurem pelo disco Mercy — para desvendar as aparentes contradições da frase anterior, basta escutá-lo. É como a música feita por alguém que ainda se lembra de algo que todo o resto do mundo já esqueceu.
  • A frase é atribuída ao filósofo e matemático alemão Leibniz: “música é a matemática do espírito que não sabe calcular”. Isso pode ser entendido como uma redução grosseira (em prejuízo da música, claro), mas, por outro lado, tem um certo nexo, que eu vislumbro em uma situação bem específica: quando o prazer de se escutar determinada obra, emergindo de forma gradativa e mediante certo grau de atenção, vai se tornando parecido com um outro antigo tipo de prazer, aquele sutil e estimulante deleite intelectual que surgia, nos tempos do colégio, quando começávamos a compreender certas matérias mais complexas da física e da matemática, quando começávamos a ver o sentido e a conexão com a realidade daquelas fórmulas e números e variáveis aparentemente imperscrutáveis que nossos professores sofriam para fazer com que entendêssemos para além da urgência de passar de ano — quando, enfim, compreendíamos como algumas coisas funcionam na natureza e percebíamos subitamente a beleza das abstrações numéricas que foram formuladas ao longo dos tempos para demonstrá-las, e a importância daquilo tudo. (Comigo, em geral, isso nunca acontecia em sala de aula, e sim nos estudos apressados e solitários em casa, nas vésperas das provas.) Pois bem — música como uma espécie de matemática do espírito, nessas situações, faz total sentido. Olivier Messiaen e sua Turangalîla-Symphonie, principalmente, me fazem pensar nisso.
  • E essa aqui também. (Perdoem-me, não resisti.)

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Créditos da imagem: Copiada daqui.



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