Meus discos favoritos de 2017

Por Fabricio C. Boppré em 08/01/2018

Minha admiração pelo gênero e principalmente pela audácia e inventividade de suas bandas atuais continua em alta, contudo, ouvi bem pouco metal em 2017. Nada planejado ou intencional: pura falta de tempo. Serão, por conta disso, apenas dois discos da música torta de Satã aqui, obras de duas exuberantes bandas que conheci este ano, Almyrkvi e Wiegedood. O álbum dos belgas do Wiegedood é a segunda parte de um projeto cujo primeiro volume eu não escutei ainda; pretendo fazer isso em breve, junto com uma penca de outros discos de metal lançados em 2017 e que também não tive ainda a chance de experimentar, mas cujos títulos anotei a partir das relações de melhores do ano publicadas em alguns sites que gosto muito, conclaves metaleiros cujas fileiras são formadas por malucos que devem ouvir metal o dia todo (de minha parte, devo dizer que certas bandas de black metal, se ouvidas antes de adormecer, são garantia de lindos sonhos celestiais) e que no fim do ano promovem esse maravilhoso serviço de utilidade pública ao compilar seus álbuns preferidos. Uma tremenda mão na roda, essas listas, para quem se ressente de não conseguir acompanhar os lançamentos e as novas bandas. O rock ’n’ roll tem mais representantes na minha lista de favoritos deste ano tenebroso que ficou para trás (só a designação numérica se foi; a tenebrosidade, como os jornais atestam diariamente, permanece): comentei sobre o Elbow, o Godspeed You! Black Emperor e o Drab Majesty ao longo do ano, nos meus relatos mensais; sobre o Robert Plant acho que não falei nada, mas seu lugar aqui na lista é obrigatório: adorei Carry Fire. Aliás, Plant vem enfileirando discos excepcionais um atrás do outro. A parceria entre Brian Eno e Tom Rogerson também tem lugar garantido aqui, e olha que escutei este disco uma única vez (Eno, sozinho, lançou um outro disco em 2017, mas este não tive oportunidade de ouvir ainda).

Música clássica não faltou ao longo dos meus dias de 2017. Creio ter sido um ano excepcional em termos de gravações de pianistas executando sonatas, noturnos, prelúdios, fugas, e toda sorte de obras para o instrumento solo. Tivemos Evgeny Kissin tocando Beethoven e Yulianna Avdeeva tocando Bach, e os mestres Nelson Freire e Maurizio Pollini com Brahms e Chopin, respectivamente. E isso só para citar alguns notáveis cujos álbuns não escutei ainda… Mas escutei o disco de Krystian Zimerman tocando duas das sonatas de Franz Schubert, e ele conseguiu o que me parecia impossível: ultrapassou a minha então favorita Mitsuko Uchida na performance deste repertório. Esse disco de Zimerman é excepcional, e talvez eu conferisse a ele o topo da lista, se tivesse que arranjá-la em ordem de preferência. Também o álbum de Cédric Tiberghien é extraordinário: o francês vêm empreendendo o lançamento de toda a obra para piano de Béla Bártok, sendo o disco que ele lançou em 2017 o terceiro volume da série e o melhor de todos até aqui, na minha opinião. A sonata que abre o disco, e que eu adoro, nesta interpretação de Tiberghien soa algo meio estranha aos meus ouvidos, mas é uma música estranha por natureza, então tudo bem — deve ser o meu costume com alguma outra versão que agora não me lembro qual é. Difícil escapar de um ou outro lapso de conservadorismo nestes assuntos do coração, certo? A Sonata para dois pianos e percussão, por outro lado, fecha maravilhosamente o disco e garantiu Tiberghien aqui na lista, que tem ainda Jeroen van Veen tocando composições de John Adams e a infalível Angela Hewitt com o segundo volume das sonatas de Domenico Scarlatti. Hewitt tocando Scarlatti: música sublime capaz ampliar a expectativa de vida de quem a escuta, capaz de purificar o ar, matar células cancerosas, e toda espécie de curas e restaurações não alcançadas ainda pelo artifício científico… Talvez até mesmo restituir a vida a recém-falecidos. Deveriam experimentar tocar esse disco num necrotério: pode ser algo bem divertido. Completam a relação dos meus favoritos de 2017 três discos com obras de câmara: o Del Sol String Quartet tocando uma obra recente de Terry Riley chamada Dark Queen Mantra, o Quatuor Voce tocando Bartók, Schulhoff e Janáček (as obras de Schulhoff e Janáček são excepcionais, mas o destaque fica com a obra-prima que é o primeiro quarteto de Bartók, executado com maestria pelo Quatuor Voce) e o Hebrides Ensemble tocando a música do compositor inglês Peter Maxwell Davies.

Aí está a lista completa, meus 14 discos favoritos de 2017, sem ordem de preferência:

  • Almyrkvi - Umbra
  • Angela Hewitt - Domenico Scarlatti: Sonatas Vol. 2
  • Brian Eno & Tom Rogerson – Finding Shore
  • Cédric Tiberghien - Bartók: Sonata for two pianos and percussion & other piano music
  • Del Sol String Quartet - Terry Riley: Dark Queen Mantra
  • Drab Majesty - The Demonstration
  • Elbow - Little Fictions
  • Godspeed You! Black Emperor - Luciferian Towers
  • Hebrides Ensemble - The Last Island - Chamber Music by Peter Maxwell Davies
  • Jeroen van Veen - Adams: Piano Music
  • Krystian Zimerman - Schubert: Piano Sonatas D 959 & 960
  • Quatuor Voce - Bartók / Schulhoff / Janáček: Lettres Intimes
  • Robert Plant - Carry Fire
  • Wiegedood - De Doden Hebben Het Goed II

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