A volta dos que não foram

Por Fabricio C. Boppré em 11/07/2017

Gostei tanto desse disco The Demonstration, do Drab Majesty, que vou me antecipar ao “Discos do mês” e já deixar registrada aqui minha empolgação. Aliás, gostei tanto que, pela manhã, eu o escutei duas vezes seguidas, e escutar um mesmo álbum duas vezes seguidas é algo que devo ter feito pela última vez em 1994, no dia em que eu comprei o Vitalogy. Que achado, essa banda! É para quem gosta de Cure, Depeche Mode, New Order, goth rock, new wave, synthpop… Recentemente eu li um texto, não lembro onde, que considerava o synthpop um fenômeno interessante: passada a empolgação com o primeiro boom de bandas, nos estertores musicais dos anos 80, o gênero foi deixado de lado, desprezado e até mesmo não raro alvo de galhofas, e no entanto, passadas aí três décadas, seu legado e influência hoje são bastante significativos. Minha impressão é que a coisa não chegou a ter seu atestado de óbito assinado por ninguém, pelo contrário: assim como as trilhas-sonoras feitas com sintetizadores, esse som achou seu nicho em ambientes fora do mainstream para onde Pet Shop Boys e a-ha o haviam levado, e no underground — em clubes de música eletrônica e nas coleções de discos de esquisitões — a coisa sobreviveu por bastante tempo, revigorando-se até, e é por isso que hoje temos tantas bandas fantásticas influenciadas por Duran Duran e Depeche Mode, bandas que parecem ainda viver nos anos 80 tal a fidedignidade de sua música para com aquela época, e mesmo esses dois dinossauros, Duran Duran e Depeche Mode, continuam na ativa e são altamente respeitados e adorados. O Drab Majesty é o exemplo mais bem acabado disso aí: o melhor do Cure — mais especificamente, o melhor do Pornography — unido ao melhor do Depeche Mode, e todos aqueles ecos e sintetizadores e atmosferas pesadas característicos, tudo gravado parece que dentro de uma caixa de papelão, e o incrível trabalho de guitarras que é a cereja do bolo. É uma fórmula que se repete com poucas variações faixa após faixa, e é uma melhor do que a outra. Mas talvez essa seja imbatível:


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3 comentários:

  • Vicente há 1 semana, 2 dias

    Verdade, Fabricio. Acho que o synth é daqueles gêneros como o shoegaze, sempre respiraram em círculos menores, porém, sólidos. E nada mais apropriado que hoje, quando a eletrônica predomina em praticamente tudo, fazendo das guitarras um elemento “invasor”, que os músicos resgatem essas influências e as exercitem na infinidade de recursos de seus laptops. Talvez por isso que o To Record Only Water For Ten Days do Frusciante seja um dos cinco discos da minha passagem pela Terra: ele vai além, prestando tributo ao synth ao mesmo tempo que explora seu incrível senso melódico e melancolia, num misto de crueza, visceralidade e beleza impressionantes. Vou seguir a dica e ouvir a banda, não os conheço.

    Quanto ao melhor disco do ano, bem, tenho concentrado meus ouvidos em discos dos 90s e 00s, resgatando muita coisa. Mas por enquanto, sem pensar muito, o Hug Of Thunder do Broken Social Scene está bonito e revigorante. Pulsante. Como não aposto tantas fichas no Arcade Fire ou no QotSA, acho que as coisas giram em torno do mega-combo canadense.

  • Sid Costa há 1 semana, 1 dia

    Disco do semestre… tô escutando o Drunk do Thundercat, maravilha. Tem o Lá vem a morte, ep novo do Bogarins que escuto no site deles. Tô com o Vicente, tb não espero muita coisa do QotSA, pelo single achei até decepcionante. Arcade Fire? Tô escutando o Suburbs pela enésima vez. Que disco! Lembro que não me fez a cabeça quando saiu.

  • Fabricio C. Boppré há 2 dias

    Acho que o meu disco favorito do semestre é esse aí em cima. Vou procurar o novo Broken Social Scene — lembro de já ter gostado dessa banda!

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