Rip Chris

Por Alexandre Luzardo há 1 semana

Me ocorreu de escrever porque estou com a sensação de ter perdido um amigo, e sei que era um amigo em comum nosso.

No meio de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo (que tempos vivemos!) é até estranho receber uma notícia dessas e se sentir impactado, pois não pensava mais ser possível esse tipo de proximidade nessas alturas do campeonato. Mas sim, a música do Chris Cornell sempre esteve ali presente desde o começo quando comecei a ouvir rock lá por 92, e nunca deixei de ouvir. É difícil passar uma semana sem que ouça a voz do Chris Cornell pelo menos uma vez, sempre foi, mais do que uma referência, um companheiro.

Muito do que produziu pode ser colocado junto ao que de mais sublime foi produzido no rock. Ele também cometeu seus deslizes (oi, Scream) mas isso não o diminui, até nos aproxima, fazendo dele não uma figura infalível acima do bem e do mal, mas cara, um artista, com seus erros, acertos e contradições. Tive a oportunidade de vê-lo em apresentação solo em junho de 2013 em Porto Alegre, o país pegava fogo (exatamente como agora). O cara era uma usina, apresentando uma música com um vigor e uma potência inquestionável mesmo no formato voz e violão. E nos últimos tempos ele parecia muito bem resolvido na sua relação com a carreira, intercalando projetos com naturalidade. O Soundgarden especialmente, retornou com naturalidade, um bom disco e bons shows, e seguia em frente consciente de sua própria grandeza, sem precisar provar nada pra ninguém. Até o Temple of the Dog foi retomado para uma turnê comemorativa recentemente, e mesmo o Audioslave teve um show ainda esse ano na ocasião da posse do presidente Trump. E isso torna um pouco mais triste e inesperada a sua perda. Vamos sentir sua falta, amigo!

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