Domingo à noite: reverência rápida ao Master of Reality

Por Fabricio C. Boppré em 08/11/2015

São três os discos que tenho sempre na ponta da língua quando penso em quais seriam os meus favoritos de todos os tempos: o Automatic for the People do R.E.M., o III do Led e o Master of Reality do Sabbath. Daí em diante, tenho sempre que refletir um pouco: normalmente me vêm logo à mente o Mellon Collie and the Infinite Sadness do Pumpkins e o No Code do Pearl Jam; depois, penso, o Meddle do Pink Floyd teria que entrar, mas começo a me embaralhar cogitando que talvez esse ou aquele outro do Floyd fosse mais adequado, e logo interrompo essa ponderação ao lembrar que tem que ter algo do Hendrix, e o primeiro do Doors. E Clash e Ramones, claro, mas quais? O Howl do BRMC; A Ghost is Born do Wilco; Scoundrel Days do A-ha; A Love Supreme do Coltrane — enfim, a coisa degringola, começa a ficar calculada demais, fatores demais a serem considerados, uma vida toda de apaixonado por bandas e discos. Mas aqueles três primeiros, eles são as pedras fundamentais, os infalíveis, talhados no ferro do nível mais terminativo da minha memória afetiva e que não há Parkinson ou Alzheimer ou doença degenerativa futura qualquer que vá excluí-los de mim. As letras liláses e cinzas da capa do disco do Sabbath, em especial, cintilam automaticamente em minha mente, com o efeito ótico adicional de fazê-las ondular bem de leve, efeito sugerido pela própria tipografia do álbum mas transformado na realidade efetiva de uma bandeira ao sabor do vento fincada em meu córtex cerebral por algum mecanismo inconsciente que parece se esforçar em posicioná-lo em um lugar ainda mais visível, exclusivo. BLACK SABBATH - MASTER OF REALITY - o meu disco favorito de todos os tempos? Ando tentado a dizer que sim, ultimamente. Sweet Leaf me obriga a dizer que sim; After Forever é a música mais afirmativa da vida que existe, e ainda estão lá, no tracklist, Children of the Grave e Solitude, esta última uma cadência e uma visão tão intensamente linda e tocante como nunca concebida por banda alguma em tempo nenhum. Esse disco é covardia, uma alegria sem fim.

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Créditos da imagem: Discogs



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