Mixtape #121

Por Fabricio C. Boppré em 18/04/2014

Mixtape #121 by Fabricio C. Boppré on Grooveshark

De algum modo não me parece certo colocar juntos, em sequência, Leonard Cohen e Engenheiro dos Hawaii. Leonard Cohen, esse senhor cujas algumas canções o fazem, naturalmente, ajoelhar-se para cantá-las, pois é esse o rito necessário e fundamental para apresentar adequadamente sua poesia devocional, da mesma forma que Hendrix precisou, certa vez, pôr fogo à sua guitarra. Engenheiros do Hawaii, cujo verso “minha vida é tão confusa quanto a América Central, por isso não me acuse de ser irracional” me obriga até mesmo a ser indulgente com a antipatia nascida das incontáveis audições daquela música do garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones e foi pra guerra (essa não foi daquelas músicas ruins que a gente ouve na infância e que marcam e que hoje nos despertam apenas boas lembranças e saudosismo; essa eu detestei desde a primeira vez que ouvi e depois cada vez mais, e a danada da música tocava o tempo todo em todo lugar). Por que então? Não sei bem; talvez pelo contraste, para ajudar aqueles que ouvirem a fitinha a aumentar sua apreciação pelo Cohen; um pouco também para escalar uma banda brasileira, coisa que eu acho que faz tempo que eu não faço, e essa música dos Engenheiros está no último álbum made in Brazil que eu ouvi, o A Revolta dos Dândis, que eu nunca tinha escutado inteiro, e ele não é ruim não, pelo contrário, eu até gostei e descobri que minha birra com os Engenheiros são coisas pontuais tipo pedaços de letras e a música do garoto que, bem, você sabe. Enfim, ficou bem louca a fitinha. Bom feriado a todos!

Categoria(s) associada(s): Mixtapes e streamings

Créditos da imagem: Copiada daqui.



1 comentário:

  • Sid Costa em 18/04/2014

    Rapaz, você é cara, colocou Her Gessinger ao lado de Cohen no dia seguinte a morte de García Márquez! Sem piadas agora. Sempre fui alheio à esse mimimi entorno dos Engenheiros. A tal birra deve-se ao fato deles terem feitos poucas concessões, ao menos na época mais importante da carreira. Um exemplo é o disco em questão. Reza a lenda que foi concebido pra ser executado só com baixo e bateria. A quase total ausência de bateria em Terra de Gigantes (o single)foi uma provocação com a gravadora. A crítica depois disso passou a classificá-los de pedantes, já o público comprou a idéia.

Não é mais possível adicionar comentários para este post.