Mixtape #114

Por Fabricio C. Boppré em 14/02/2014

Mixtape #114 by Fabricio C. Boppré on Grooveshark

A mixtape dessa semana traz um som do Grandaddy, banda que até pouco tempo atrás eu gostava, ou pelo menos achava que gostava. Na minha rede de lembranças e referências, eles estão umbilicalmente associados a uma época — fins dos anos 90, começo dos 2000 — que tem como uma de suas características definidoras principais o advento da internet como meio de difusão de música, como local onde pode-se adquirir (com suas limitações de formato digital, mas mesmo assim) qualquer coisa sem ter que pagar por isso. Como efeito colateral dessa oferta infinita, me parece que uma certa euforia — particularmente intoxicante para quem havia acabado de passar por uma infância/adolescência de privações financeiras auto-inflingidas para que se pudesse sempre comprar discos — nos fez afrouxar um pouco o filtro de seleção e embaralhou um pouco o senso crítico, promovendo à condição de algo interessante uma porção de bandinha mediana por aí. Pra mim, essa conclusão tornou-se insofismável essa semana quando voltei a ouvir o Grandaddy depois de muitos anos sem fazê-lo (tenho todos os discos deles aqui em mp3, e até mesmo um CD, o Sumday) e ter me espantado ao perceber como é fraquinha a banda, um sonzinho totalmente desprovido de qualquer graça para mim, hoje. Meu gosto não mudou tanto assim de lá para cá, portanto, só posso atribuir essa diferença de opinião à questão tecnológica-cultural descrita acima. Se o Grandaddy não chega a ser ruim como o Strokes (minha opinião), certamente os mesmos motivos — a significância fundada sobre bases muitíssimo frágeis — explicam o fato de ambas não existirem mais hoje em dia e praticamente não terem deixado qualquer saudade.

(Mas é claro que não é absolutamente tudo ruim, e essa faixa que eu escalei na fitinha eu gosto.)

E pros meus cinco ou seis leitores, um aviso: saio para uma folguinha nas duas próximas semanas, e não sei se nessas duas próximas sextas conseguirei publicar mixtapes. Idéias certamente surgirão, só não tenho como prever a disponibilidade de internet. Portanto, se não rolar, não se desesperem, eu volto logo!

Categoria(s) associada(s): Mixtapes e streamings

Créditos da imagem: The Fiddler, de Marc Chagall.



1 comentário:

  • Vicente em 16/02/2014

    Bem comentada essa questão do alvoroço causado pelo full access que a internet proporcionou, refletido inclusive nos críticos que, assim como nós, se viram muito mais impulsionados a reverenciar do que a questionar o que girava naquele turbilhão.

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