Dying Days
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Discos do mês - Janeiro e fevereiro de 2013

Fabricio C. Boppré |
Discos do mês - Janeiro e fevereiro de 2013

2013 tem sido até aqui um ano atribuladíssimo: não bastasse uma mudança de residência logo em seus primeiros dias, em seguida veio um desses incontornáveis problemas de saúde na família que rendem horas em clínicas, hospitais, etc., além, claro, do desalento e do pesar alimentados tanto pela angústia imediata do presente dolorido quanto pela consciência de um futuro de médio prazo não muito mais alentador. Mas a vida segue, e nessas horas a música é como aquele velho grande amigo que já não mora por perto: ela proporciona raros mas riquíssimos encontros.

Daí que por conta da falta de tempo, mês passado eu já não publiquei o "Discos do mês" e novamente esse mês não daria de elaborar nada muito digno, mas resolvi fazer um esforço e descrever brevemente alguns dos discos que renderam uns poucos mas bons momentos de descanso e consolo nas últimas semanas. Começando por um velho conhecido, o Howl, do BRMC, disco que me arrebatou desde a primeira audição e que ainda hoje ouço com muito deleite. Há algo de muito individual e, não raro, assombroso em cada uma das canções deste álbum que faz até com que --- num efeito tipo "feitiço contra o feiticeiro" --- ele soe meio retalhado, mesmo que as músicas todas sigam uma mesma linha estilística. Mas acho que isso é só uma percepção subjetiva e isolada minha, que criei relações estreitas com cada uma daquelas faixas, deixando um pouco em segundo plano a compreensão desse conjunto de canções soberbas como um "disco".

Umas semanas atrás andei ouvindo bastante também o recente Sweet Heart Sweet Light, do Spiritualized. Lembro que as primeiras audições após o seu lançamento não chegaram a me entusiasmar muito, mas depois de ver um lindíssimo show da banda no ano passado, aconteceu o que costuma acontecer comigo nessas ocasiões: as músicas cresceram, ouvi mais e mais o disco, e hoje gosto muito dele. E por falar em disco novo, também rodou bastante na vitrola o último do Grizzly Bear. É um disco muito bom, mesmo que durante a sua audição ecos de Radiohead aconteçam numa frequência um pouco maior do que eu julgaria saudável, e, por vezes, também o grau de similaridade desses ecos é notável: a primeira faixa, Sleeping Ute, por exemplo, tem um certo deselance muito parecido com o de Weird Fishes/Arpeggi. O curioso é que eu só me dei conta dessa proximidade entre as duas bandas neste disco, que já é o quarto do Grizzly Bear --- nas vezes que eu ouvi os três discos anteriores (não foram muitas, é verdade), isso nunca me passou pela cabeça, apesar de muitos já terem apontado a influência antes. Mas é um disco muito bom, apesar de tudo.

E em termos de música do século passado, o que eu mais ouvi foi o Islands, do King Crimson. Eu sei que o rótulo do rock progressivo grudado na testa do Crimson afasta provavelmente qualquer um nascido de 1980 para frente (e uma boa parcela do restante nascido em qualquer ano), mas esse é um daqueles discos que, acredito eu, contém música que se ouvida sem preconceitos, como se você fosse um viajante intergalático fazendo uma rápida parada na Terra e o escutando por acaso, enquanto vislumbra pela primeira vez as vistosas fauna e flora desta que é certamente a mais bela ilha destas paragens do mar-universo --- nessas condições, é quase impossível que se desgoste desses sons ostentosos e indomáveis.

Comentários:

Sid Costa | 07/03/2013

Fripp é genial, em todas as fazes do KC o cara emplaca clássicos. A primeira vez que eu escutei o Crimson foi em uma fita com umas músicas do Lizard. Foi um choque, um riff de sax pesadíssimo e um wtf na cabeça. Música boa serve pra isso né?

Fabricio | 07/03/2013

Sid, também gosto muito do King Crimson, e só não escalo eles frequentemente nas mixtapes porque não tem músicas deles no acervo do Grooveshark (assim como não tem Beatles, Pink Floyd e Smashing Pumpkins, outras três bandas que eu gostaria de poder escalar frequentemente!).

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