Mixtape #36
A fitinha dessa semana começa de maneira meio manjada, eu sei — quem já não ouviu Holiday In Cambodia incontáveis vezes? Mas o comitê de organização das mixtapes (eu mesmo) optou por escalá-la mesmo assim, por considerar que nunca é demais escutar as músicas perfeitas.
Além de ter ouvido muito Dead Kennedys, essa semana aconteceu uma outra coisa digna de nota (pros meus arquivos pessoais, pelo menos). Pela primeira vez na minha vida, eu fiquei triste — sério, isso não é um hipérbole — ao ouvir um disco, e não por achá-lo ruim, pelo contrário: fiquei triste porque é um disco maravilhoso e é imperdoável eu ter demorado tanto assim para conhecê-lo, posto que lançado em 1975. Falo do Neu! 75, de uma banda chamada Neu!, um dos ícones do Krautrock. Gosto do Can, outro nome representativo do rock-chucrute, mas nunca me interessei em ir muito além. E daí, ao ouvir finalmente este Neu! 75, bateu algo que talvez seja mais preciso descrever como uma felicidade melancólica, ou uma tristeza eufórica, sei lá, por estar ouvindo essa jóia e por ter demorado tanto para fazê-lo. Bem, antes tarde do que nunca. E aí vai uma das faixas mais legais do disco.
A fitinha #36 tem ainda Hyacinth House, uma adorável musiquinha menor do grande LA Woman, do Doors; Toy Box, sensacional b-side do single de Flower, que o Soundgarden lançou em 1989; e uma do Pulp. Não sou lá grande fã do Pulp — coisa que na verdade devo dizer sobre todo o brit-pop —, mas esse disco We Love Life é ótimo, e termina de forma grandiosa com essa Sunrise.
E pra fechar, mais uma edição da sessão nostálgica (coisa que eu só não faço mais frequentemente para não afugentar os poucos amigos que escutam semanalmente a fitinha). E a escolhida dessa vez não é qualquer uma: Scoundrel Days é do primeiro CD que eu tive na vida, o álbum de mesmo nome do Aha. Amo esse disco que nem o Tio Patinhas ama aquela primeira moedinha dele, sabe qual é? Não tem audição dessas malditas músicas que não arrepie minha espinha, e não pelos méritos delas, mas pelas lembranças da época, claro. Quero dizer, as músicas até que não são tão ruins, não? Ou são? Essa Scoundrel Days tem seu valor, não? Gosto do clima dela, do vocal dramático do maluco norueguês, e os sons icônicos do pop/new-wave dos anos 80 não soam tão exagerados, me parecem estar competentemente a serviço da canção. Bem, realmente não sei, é impossível para mim racionalizar sobre esse álbum. Já é normalmente difícil esse exercício de discernimento para mim, com qualquer disco, o que dizer então de um CD que, ao longo dos anos, transcendeu totalmente sua condição de mero punhado de músicas numa caixinha de acrílico… Acho que mais do que qualquer outro disco meu, esse traz todo um mundo de sensações e lembranças impregnado nele.
Mas encerremos por aqui, antes que eu fique ainda mais ridiculamente nostálgico e sentimental, e nova fitinha agora só lá pela metade de agosto, pois vou me dar um descanso e estarei longe de computadores por algumas semanas. Até!
Créditos da imagem: Copiada daqui.
2 comentários:
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Eu não sou um grande fã de kraut, quer dizer, acho a maioria dos sons desse gênero pouco explorativos. E às vezes parece música que só funciona para quem customizou a parada com auxílio ligérsico, empolgando menos os caretões tipo eu. O Can, por exemplo, acho carregado demais com aquela bagagem setentista que flerta com prog.
Mas o Neu! tem lá seus momentos, junto com os primeiros Kraftwerk. E muito do que se aprecia ali é aquela interação homem-máquina, sem falar nas clássicas batidas. O John Frusciante é fãzaço desses discos. Ah, por sinal, acho que saiu no ano passado um caixa com esses 12”.
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O que sempre me afastou do krautrock foram justamente essas coisas que tu citou, mas o Neu! me parece ter seguido uma linha um pouco separada desses outros nomes, não? Pelo menos esse Neu! 75 me soou mais como um pai distante do post-rock do que qualquer coisa aparentada diretamente com o Can ou o Kraftwerk.

