Mixtape #30

Por Fabricio Boppré em 08/06/2012

Mixtape #30 by Fabricio C. Boppré on Grooveshark

Essa semana eu estive em um estado tão lastimável de cansaço, de excesso de trabalho e de falta de ânimo, que teve um dia que eu senti até vontade de ouvir Bon Jovi. Provavelmente alguma espécie de chamado da infância, quando não havia trabalho algum (e cansaço, só depois do futebol na rua), sei lá. Como eu não costumo reprimir esses instintos, botei para rolar o Keep the Faith, disco de 1992 que me parece ser o último suspiro relevante (para quem em algum momento achou aquilo relevante, claro) do hard rock farofa canônico, junto com os Use Your Illusion do Guns. Por essa época eu já estava descobrindo o Clash e o Sonic Youth, por conta da discoteca de um amigo mais velho, mas lembro de ter ouvido alucinadamente ao Keep the Faith. Antes que me julguem: eu tinha 13 anos.

Enfim, acho justo registrar isso na fitinha dessa semana e iniciá-la com uma faixa desse disco, já que eu não tenho problemas com o meu passado musical, sequer a parte infantil e rudimentarmente sub-desenvolvida. Pelo contrário, constantemente recorro a ele. É claro que hoje eu ouço isso e, em paralelo com os doces sentimentos nostálgicos, não consigo parar de me perguntar se os caras em estúdio, gravando essas músicas, não ficavam constrangidos, não evitavam a todo custo encarar uns aos outros diretamente nos olhos, principalmente depois das sessões de gravação dos vocais de algo ignominioso como Bed of Roses, por exemplo… Bem, talvez não estivessem nem aí, talvez até conversassem e se divertissem bastante, discutindo quantas casas cada um iria comprar com o dinheiro que ganharia, ou quantas groupies pegaria após os shows.

Se você ainda estiver ouvindo a fita após os quase 10 minutos de Bon Jovi, a recompensa vem com os Pixies. Sempre achei que as músicas dos Pixies soam bem melhores quando ouvidas isoladas, fora de seus discos, e principalmente depois de uma música do Bon Jovi. Na sequência, uma do último do Horrors, banda cujos dois primeiros discos eu gostei bastante — e muito me decepcionei quando, uns anos atrás, fui em um festival em que eles estavam escalados, mas acabaram não aparecendo por conta de uma dor de barriga de um dos caras —, mas esse último, Skying, que eu ouvi com grande expectativa devido às resenhas altamente elogiosas que li por aí, achei bem ruinzinho; apenas essa Moving Further Away me chamou a atenção. Acho que eu gostava mais quando a banda parecia gravar seus álbuns dentro de uma caverna. E pra fechar, uma do último disco do Spiritualized, Sweet Heart Sweet Light, que também ainda não me convenceu, exceção feita a essa sensacional Headin’ for the Top Now.

De bônus, o lindo vídeo novo do Sigur Rós para uma das faixas do seu disco que acabou de sair do forno (esse não ouvi ainda). As imagens representam bem esse mundo próprio que a banda parece habitar, não? Bem, talvez não haja “mundo próprio” coisa alguma, talvez seja só a Islândia mesmo.


Bom fim-de-semana!

Créditos da imagem: Max Ernst - The Eye of Silence, copiada daqui.



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