Mixtape #12

Por Fabricio Boppré em 20/01/2012

Mixtape #12 by Fabricio C. Boppré on Grooveshark

O At The Drive-In anunciou sua reunião e os barulhos de caixas registradoras soaram por toda a parte, mas no fim das contas uma parte de nós fica feliz pois vislumbramos a possibilidade de assisti-los ao vivo de novo, ou pela primeira vez, o que é ainda mais estimulante. Os arranhões na reputação da banda (para quem acredita em alguma espécie de ética a esse respeito, é claro) nem sempre são compensados pelas experiências ao vivo, mas vale a aposta. E, pensando bem, no caso do ATD-I, há ainda o atenunante do grupo ter se separado em 2001 não por esgotamento criativo, mas por divergências pessoais entre os caras, divergências que supostamente foram sendo resolvidas nos anos seguintes, então uma reunião não me parece tão questionável.

Pois bem, celebrando a volta dos caras, começamos com Chunbara, som do In/Casino/Out, de 1996. Nem o Sparta nem o Mars Volta (as duas bandas que surgiram da cisão do ATD-I) fazem muito minha cabeça, por isso os discos do ATD-I nunca saíram dos headphones. “Tour de force! Tour de force! Defacto! Ayuchuco! Ayuchuco! Ayuchuco!!!!”. Os desvairados estão de volta. Agora só falta anunciarem uns shows fora dos EUA.

A fita segue com um aperitivo para o próximo disco solo do Lee Ranaldo. Tudo que eu havia ouvido até então de trabalho solo do Ranaldo era bem noise e experiemental, mas essa faixa não é muito diferente do Sonic Youth. Na real, quando a musiquinha começa de verdade, ali pelos 10 segundos, entra aquele fraseado totalmente Sonic Youth, é como se estivéssemos ouvindo o Rather Ripped ou o Sonic Nurse. Mas depois um backing vocal a la Juliana Hatfield aparece, um refrão um pouco mais assobiável, e dá de esquecer o SY. Pelo visto, o Lee Ranaldo também tá tentando esquecer. Na sequência, um contemporâneo e conterrâneo de Ranaldo; na verdade, nem sou muito fã de Swans — o tipo de vocal que faz o Michael Gira me repele intensamente — mas essa faixa do disco White Light from the Mouth of Infinity eu gosto bastante, por causa de todos os sons que passam por baixo da voz do cara.

Depois, pra compensar ter colocado aí uma banda que não gosto, duas que eu amo ardorosamente: o Mission of Burma com a clássica Academy Fight Song, do EP Signals, Calls, and Marches, e o Clash com Somebody Get Murdered. Essa do Clash é do Sandinista, este enorme liquidificador de influências, sonoridades e estilos gravado parte em Londres, parte em Nova York, parte na Jamaica. Não é um disco que eu ouça frequentemente, mas tem várias pérolas entre as suas 36 faixas.

E pra fechar nesse clima de world music, uma faixa do discaço de fusion On The Corner, do Miles Davis. Há quem torça o nariz, mas a fase final da discografia do Miles Davis, com discos delirantes e desbravadores como In A Silent Way e Bitches Brew, pra mim, é das coisas mais fantásticas que existem no mundo da música. Miles vislumbrou e gravou todo um novo universo de sons, o que o coloca, na minha opinião, lá no topo, junto com Hendrix e os Beatles.

Bom fim de semana!

Créditos da imagem: Copiada daqui.



Nenhum comentário.

Não é mais possível adicionar comentários para este post.

Twitter & blog