Mixtape #7
(Para ouvir através do site do Grooveshark, clique aqui.)
Abrindo a sétima fitinha, Vince Guaraldi fazendo trilha-sonora de episódios natalinos do Charlie Brown. Não é necessário justificar nada aqui, certo? Na sequência, uma versão demo acústica de Bit Part, do Lemonheads, faixa presente na Deluxe Edition do It’s a Shame About Ray. Assisti a um showzinho do Lemonheads na semana passada, e foi bem massa; mesmo evidentemente lesado, o Evan Dando ainda é um cara com carisma suficiente para dispensar a banda várias vezes e ficar sozinho ali no palco, voz e guitarra. E o estado meio perdido dele, o esforço para aturar as luzes no palco, gera uma empatia, uma conexão daquelas que sentimos com nossos heróis de infância, esses que de vez em quando demonstram fragilidades. Batman, John McClane, Kurt Cobain, sei lá. Foi um show — mesmo que por vias tortas — muito legal.
Depois botei uma do Neil Young, do Mirror Ball, disco de 1995 gravado com o Pearl Jam. Disco que, apesar de ser meio desprezado pelo fãs (os fãs do Neil Young, diga-se), eu gosto muito. Truth Be Known é um daqueles semi-épicos em que o mestre deixa sua guitarra solta, improvisando, lamentando languidamente, aqueles fraseados inconfundíveis lindíssimos.
Na sequência vem o Radiohead com Weird Fishes/Arpeggi, do In Rainbows, discaço que às vezes eu me pergunto se não se seria o meu preferido da banda, sim, essa mesma banda que lançou o Ok Computer. Pois o que me atrai no In Rainbows é uma espécie de conexão direta estabelecida desde a primeira vez em que eu o ouvi, uma conexão direta com a gênese desse punhado de músicas, ou com algum outro elemento abstrato qualquer que parece ter sido transformado em música sem intermediários, como se isso não fosse o resultado de um trabalho meticuloso em estúdio, mas sim algo fresco e cristalino colhido direto de uma árvore. É, eu gosto tanto desse disco a ponto de escrever algo tão sem sentido assim.
Mudando drasticamente o clima, uma das minhas bandas de metal preferidas, o dinossauro galático Electric Wizard com sua música pesadona, psicodélica, lenta e maravilhosa. Doom Mantia é da obra-prima Come My Fanatics…, discaço de 1997. E, pra fechar com a mesma nota jazzística com que abri a fitinha, Medeski, Martin & Wood em faixa tirada do volume dois da série Radiolarians. Aliás, um presente de Natal que eu aceito de bom grado, se alguém quiser mandar, é o box que reúne os três volumes e mais uns extras.
Então é isso. Uma semana em que morrem George Whitman, Christopher Hitchens e Mosquito, tem mais é que acabar logo mesmo. Que venha o fim-de-semana.
Créditos da imagem: Copiada daqui.
3 comentários:
-
O Mirror Ball foi o primeiro disco do Young q eu comprei. Truth Be Known ao lado de Song X e I’m the ocean são clássicos daquele período. Cara, eu tb faço a mesma pergunta sobre o In Rainbows, acho que o disco é acima de tudo comovente, fazia tempo que uma coleção de músicas mexiam comigo como as do IR. Nude é uma das mais belas coisas que já escutei em minha vida, All I Need é soberba. Acho que a minha maior decepção com o King of Limbs foi justamente ser antecedido pelo IR. Falando no KoL, mais precisamente das sobras, Daily Mail é fantástica, se estivesse no repertório…
-
Sid, minhas músicas preferidas no Mirror Ball são exatamente as que tu citou, e as preferidas no In Rainbows também são as mesmas que tu citou, com a adição da Weird Fishes e da House of Cards. Compatibilidade musical altíssima, hein?
-
Verdade, Fabrício, boa sintonia. Queria ter essa sintonia com os caras de minha banda.

