Mixtape #4
(Para ouvir direto via Grooveshark, clique aqui.)
Justo agora que eu estava me divertindo bastante com essas mixtapes, separando ao longo da semana as musiquinhas que eu ia colocar aqui na sexta-feira e tudo mais, vem essa notícia. Bom, sem desespero; quem sabe chegam num acordo ou acontece uma reviravolta qualquer. Está fresco na memória ainda o que aconteceu com o delicious uns meses atrás, quando foi anunciado que o Yahoo iria se desfazer dele, um monte de gente enlouqueceu, saíram desesperados testando e assinando outros serviços, alguns pagos inclusive… Eu fiz meu backup e fiquei esperando, e não foi nenhuma tragédia: outra empresa adquiriu o negócio, migraram o conteúdo, e tá tudo funcionando normal, como dantes.
Vou esperar então. Se o Grooveshark fechar mesmo, procuramos outras alternativas.
Mas por enquanto, em homanagem a Universal e todas essas outras queridíssimas grandes corporações, abro a quarta fitinha com Masters of War, do Dylan. Essa versão aparece no The Bootleg Series Vol. 9: The Witmark Demos: 1962-1964, que é o mais recente dessa série de bootlegs oficiais, e um dos mais legais, principalmente se você prefere o Bob Dylan folk ao elétrico. A música, claro, foi escrita tendo em mente os barões da guerra fria dos anos 60, mas dá de adaptar a letra sem dificuldades para os barões da indústria fonográfica. Já estamos todos ao redor do túmulo, só esperando.
Ainda nesse clima de protesto, mas dessa vez um pouco menos amargo, outro Bob genial: Bob Marley com No More Trouble, dessa vez pensando em toda essa história recente na USP. Calma, eu sei que a coisa não se resume a cannabis, vai bastante além. Ouçam a música; Bob Marley também não se resume a maconha. Depois aumentem o volume para a sensacional versão de Eight Miles High do Byrds feita pelo Hüsker Dü, que saiu como b-side de um dos singles do Zen Arcade.
Daí ontem eu estava revendo a obra-prima do David Lynch, A Estrada Perdida, e tem aquela cena final fantástica junto à cabana, quando tudo parece chegar a um entendimento após Renee/Alice romper os devaneios e pesadelos de Fred/Pete (“You’ll never have me”)… bom, aquela linda canção que toca no último momento dos dois juntos é esta do This Mortal Coil, banda que nem conheço muito bem, mas o disco que tem essa música, It’ll End In Tears, eu tenho aqui e só por causa dela.
Depois vem Citadel, dos Stones, do Their Satanic Majesties Request, trabalho que costuma ser meio desprezado e descrito como uma tentativa mal-sucedida dos Stones de terem o seu Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Claro, não chega aos pés do clássico dos Beatles, mas eu pelo menos tenho simpatia pelo disco, talvez por ter sido um dos primeiros que eu comprei da banda, depois de achá-lo baratinho num sebo. Lembro que eu tinha o Voodoo Lounge e um disco ao vivo chamado Flashpoint (esse último comprado pois estavam lá no tracklist todos os clássicos famosos), mas o Their Satanic Majesties Request era o que eu ouvia mais, disparado. Claro, depois descobri o Exile on Main St. e o Let It Bleed e todos esses outros passaram anos empoeirando na prateleira. Mas hoje em dia, de vez em quando, ainda tiro o Satanic para dar uma ouvida.
Por fim, botemos um pouco de fúria, feiúra e malvadeza nessa fita. Primeiro a feiúra misturada com fúria do Dystopia, o som da misantropia. Amo o timbre grosseiro de guitarra de Sleep, que pode ser encontrada nos LPs Human = Garbage e The Aftermath. Na verdade, os LPs da banda eram compilações de singles e splits lançados anteriormente, por isso essa confusão. E depois, a feiúra misturada com malvadeza do Motörhead, com uma versão destruidora de Overkill, tirada do disco ao vivo Better Motörhead Than Dead: Live at Hammersmith. É a última do show, e dá de ouvir aquela música fim-de-festa que sai das caixas de som quando a banda deixa o palco e as luzes se acendem e tal, então é a faixa perfeita pra fechar a fitinha.
Bom fim-de-semana!
PS: De bonus-track, para quem quiser terminar a audição de outro modo, a sublime Country Feedback do R.E.M. com participação ilustre de Neil Young, em apresentação no Bridge School Benefit de 1998:
Créditos da imagem: Copiada daqui.
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