Mixtape #3

Por Fabricio Boppré em 18/11/2011

Mixtape #3 by Fabricio C. Boppré on Grooveshark

(Para ouvir via Grooveshark, clique aqui.)

Os western-spaghettis — westerns produzidos por cineastas italianos a partir dos anos 60, geralmente divertidíssimos e ocasionalmente geniais, principalmente quando tinham Sergio Leone na direção — costumavam ser, na verdade, filmados na Espanha, mais precisamente na região da Andalusia, cujas paisagens áridas pareciam-se mais com os cenários originais das histórias americanas do que qualquer locação possível na Itália (e não havia dinheiro suficiente para fazer as filmagens nos EUA, claro). Parte do brilho dos filmes do Leone estavam na trilha-sonora de Ennio Morricone; em especial, na trilha do clássico Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo (Três Homens Em Conflito, no Brasil), o mestre italiano matou a pau.

Bom, nenhuma revelação até aqui, certo? Apenas fiquei com vontade de abrir a fitinha número 3 da mesma maneira que os Ramones abriram muitos dos seus shows.

A segunda faixa é de novo influência dos meus discos mais antigos: Water of Love está no primeirão do Dire Straits, de 1978, que comprei acho que em 1993, em Ciudad del Este, Paraguai, numa dessas viagens que as famílias de classe média do sul do país fazem pelo menos uma vez na vida para comprar coisas baratinhas. Meu pai comprava whisky, minha mãe perfumes, e eu comprava discos e bonés. Esse disco do Dire Straits é ótimo, meio blues, simples e bem diferente daqueles discos posteriores cujos hits pomposos fizeram sucesso estrondoso.

Depois de uma aquisição antigona, falo de uma recente: achei esses dias num sebo um lindo vinil do Master and Everyone, do Bonnie “Prince” Billy. Todas as dez pequenas e singelas canções acústicas desse disco são ótimas. Escolhi Moandering mas poderia ter escolhida qualquer uma.

Carnival of Sorts é mais uma daquelas obras-primas do R.E.M. que ficaram de fora dessa última coletânea — aliás, na discografia do grupo, Part Lies, Part Heart, Part Truth, Part Garbage: 1982-2011 é o quinto item do tipo best-of ou greatest-hits. Mas para mim ela será sempre a faixa que abre a segunda destas compilações, The Best of R.E.M., lançada pela IRS, à revelia do grupo, em 1991 e somente na Inglaterra, Nova Zelândia, Austrália e Brasil (o R.E.M. já estava lançando seus novos discos via Warner, nessa época). Foi o primeiro disco que eu ouvi do R.E.M., alugado numa locadora perto de casa e gravado numa fitinha que tenho até hoje. A versão ao vivo que incluo aqui está no disco bônus da versão Deluxe do Murmur, sendo que a versão original é do EP Chronic Town.

Depois, um pouco de barulho: Anticontrole, do Walverdes, do disco de mesmo nome (o meu preferido da banda) e Don’t Bother Me, da compilação de demos Black Dots do Bad Brains. E pra fechar, no mesmo clima cinematográfico com que abri a fitinha, o Fantômas pirando sobre a trilha-sonora do The Godfather, também composta por um italiano, Nino Rota.

Bom fim de semana!

Créditos da imagem: Copiada daqui.



3 comentários:

  • Sid Costa em 23/11/2011

    O primeiro do Dire Straits é obrigatório, assim como o segundo. In the gallery é a minha preferida dos caras. Tem um vídeo no You tube onde eles destroem tudo nessa música.

    Anticontrole é classe, Está tudo em seu lugar não saiu do winamp em 2003/4

  • Fabricio Boppré em 23/11/2011

    Sid, seria esse o vídeo de In The Gallery? http://goo.gl/5KFP2. Muito legal mesmo. Esse disco é sensacional. Há de ser redescoberto. O foda é que Walk of Life não ajuda [risos].

  • Sid Costa em 23/11/2011

    Esse mesmo! O Mark Knopfler destrói! Há quem prefira o police… O fim dos anos 70 foram muito engraçados, ótimos músicos filhotes do progressivo deslumbrados com a estética punk que fizeram trabalhos bacanas. Não que o Dire Straits seja punk, mas se não fosse esse contexto eles teriam lançado o Brothers In Arms no lugar dos primeiros discos.

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