Mixtape #1

Por Fabricio Boppré em 04/11/2011

Para voltar a movimentar esse espaço, vou tentar criar o hábito de publicar aqui uma mixtape semanal, sempre às sexta-feiras, via GrooveShark. Será uma compilação com motivações diversas: qualquer coisa que eu tenha ouvido durante a semana e anotado, coisas de discos recém-adquiridos, novas descobertas, faixas tiradas de shows assistidos, e por aí vai. Tentarei ser bem variado (permitindo-me escapar vez ou outra do universo de bandas sobre as quais escrevemos aqui no site) e curto, tipo, algo da duração de metade de um LP. Um EP best of the week, algo assim, afinal, na sexta-feira, todo mundo tem mais o que fazer. Irei também, claro, escrever uma ou outra coisa para cada faixa selecionada.

Aí vai então a Mixtape DD número 1.

(Se der algum problema com o esqueminha aí em cima, clique aqui para ouvir direto no GrooveShark.)

Em semana de Pearl Jam no Brasil, abrindo a primeira mixtape eu coloquei a abertura do primeiro show da banda no país, que aconteceu em Porto Alegre, em 2005. Estávamos lá e foi fantástico; em particular, a abertura com a linda Long Road, seguida por outra preferida pessoal, Last Exit, foi especial.

Dessa vez eu não vou ver o Pearl Jam no Brasil, mas semana passada eu vi de novo o Wilco, e foi um show lindíssimo. Wilco ao vivo é uma experiência inesquecível, e esse novo disco deles é ótimo. Então vamos de Art of Almost, a primeira faixa do The Whole Love, faixa que, se demora um pouco para ser devidamente apreciada em sua versão de estúdio, ao vivo é de arrepiar imediatamente. Eu sempre vou preferir essa faceta do Wilco, a das músicas menos convencionais, com diferentes níveis de experimentação, perturbadas, em conexão direta com os cantos mais sombrios e doloridos da mente do Jeff Tweedy.

Também vivemos tempos de OccupyWallStreet, pessoas finalmente demonstrando desagrado contra grandes corporações, bancos e etc. A trilha-sonora perfeita para embalar isso tudo seria o que, Rage Against The Machine, Bob Dylan? eu voto em Manic Street Preachers. Natwest-Barclays-Midlands-Lloyds está no primeiro disco dos Preachers (Generation Terrorists, de 1992) e, para entendê-la, basta saber que os quatro nomes que compõe o título da faixa são os nomes dos quatro maiores bancos ingleses. A letra — que explica, por exemplo, porque eu nunca me interessei em fazer concurso para trabalhar em um banco — pode ser lida aqui. Viva os Preachers, uma das poucas bandas do nosso tempo que tem o que dizer.

Na sequência, os suecos do Refused e o seu dinamite sonoro revolucionário. Tannhäuser / Derivè é da obra-prima dos caras, o The Shape of Punk to Come, cuja edição Deluxe eu catei essa semana. Vale a pena: encarte recheado muito bacana, um CD bônus com um show de 1998 e ainda um documentário em DVD.

E, pra finalizar, enganchando perfeito no fim do Refused, uma das minhas preferidas do Coltrane, Olé, do disco Olé Coltrane, de 1962. Se você não conhece muito de Refused ou de John Coltrane, pode achar estranho esse “enganchando perfeito”, afinal, é uma banda de punk rock e um ícone do jazz, certo? Mais ou menos. Ouça para entender.

Bom fim-de-semana!

Créditos da imagem: Copiada daqui, parte da arte do disco The Shape of Punk to Come.



4 comentários:

  • Natalia Vale Asari em 04/11/2011

    (Pequena atualização sobre a música do Manic Street Preachers: o HSBC comprou o Midlands há uns 10 anos, então a lista dos 4 maiores bancos da Inglaterra mudou um pouco — mas no fundo continua sendo a mesma.)

  • Vicente em 05/11/2011

    PJ em Porto Alegre / 2005 foi massa demais. Cês lembram que eu não tava com essa pilha toda mas o show foi um tapa na minha cara. Blood, Last Exit, Corduroy, Rearviewmirror… Tudo para me lembrar de que meu gosto adolescente foi definitivamente melhor do que o dos adolescentes de hoje.

    Wilco novo tá bem beleza. Uma recuperação da tiozice dos dois anteriores, mas ainda um pouco distante da dobradinha YHF / AGiB. Acho que se a coisa seguir nesse nível, dá para renovar a carta branca dos caras por mais algum tempo. Imagino que ao vivo vocês tenham se deliciado.

    Coltrane é sempre Coltrane. Cai bem quando se quer escutar o cara propositalmente, mas talvez caia ainda melhor quando não se sabe bem o que escutar e puxa-se um de seus registros.

  • Natalia em 07/11/2011

    Vicente, fomos ver o documentário PJ20 no cinema. Eu, que nunca fui fã de verdade do Pearl Jam (nem do Cameron Crowe), gostei muito!

    Don’t play Coltrane, you will sleep at the wheel

  • Ana em 21/11/2011

    EXCELENTE IDÉIA, GURI.

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