2009?

Por Ana D.M. em 30/12/2009

Novamente vou ter que confessar que parei de acompanhar muitas novidades em música. 2009 pra mim não foi um ano de encontrar bandas novas. Na realidade acho que já falei várias vezes que não achei nada novo legal desde o QoTSA. Sintoma de velhice ou não, estou mais seletiva, é verdade. Então só pra variar não vou fazer uma lista, vou só concatenar menções honrosas.

No começo do ano comprei o DVD Shadow of Light + Archive do Bauhaus (2005) e devo ter visto umas duzentas vezes. “Shadow of Light” tem clipes e “Archive” é um “ao vivo” (tenho minhas dúvidas). Em ambos dá pra perceber a genialidade da banda. Os clipes são muito BONS, ainda mais considerando serem dos anos 80 (pra quem só conhecia o “clipe” que tem partes do filme The Hunger) e a performance não fica atrás, Peter Murphy em seu auge muito antes de gravar a música tema do Angel (heheheh). Outro DVD interessante que vi foi o documentário DIY or Die - How to Survive as an Independent Artist, que está inteiro online aqui. Não cabe listar as entrevistas aqui, vou só dizer que elas valem MUITO, mesmo para quem não é artista independente. Ron Asheton, Lydia Lunch, Ian McKaye e cia. dão conselhos no mínimo interessantes. E, tem Gwar!!

O blog All Songs Considered, da National Public Radio, publicou sua lista das melhores capas de álbum de 2009. Vale a pena dar uma olhada até porque hoje em dia muitos concordam com eles e julgam o CD pela capa. Eu vou mais longe e julgo o CD pelo encarte. Se não tem alguma coisa “a mais”, pra que gastar seu dinheiro em um pirata “oficial”?

Em termos de álbuns:
* Achei o disco do U2 uma grande porcaria, e acho que eles deviam se aposentar, porque o Bono já encheu o saco.
* Pearl Jam, reedição do Ten, e Backspacer, que desde No Code é o primeiro álbum completamente decente da banda.
* Meat Puppets, Sewn Together.
* Vaselines, Enter the Vaselines.
* Jane’s Addiction em turnê com o Nine Inch Nails, e no Lollapalooza com Joe Perry (?!).
* Obviamente, Lou Reed no mesmo festival.
* The Pogues novamente em turnê e Shane McGowan não tem mais nenhum dente.
* Alice in Chains, Black Gives Way to Blue não chega nem perto do que poderia ser.

E, nos poucos dias em que estive em casa em Curitiba, encontrei uma caixa estranha. De alguma forma a caixa escapou de ser jogada fora quando me livrei das outras, então quando estava procurando por roupas, achei edições da Showbizz de 1997 e 1998. Então, antes de jogar elas fora, como já deveria ter feito assim que recebi, me dei ao trabalho de arrancar algumas páginas que tinham comentários sobre coisas que eu achei minimamente relevantes. Escaneei. E devo postar em algum lugar em breve (dentro da minha noção de tempo, que é diferente da do leitor) a maravilhosa coleção de jornalismo musical porco, vendido e chauvinista da showbizz, com comentários que eles deveriam ter engolido antes de publicar. Eu não escaneei a entrevista com a Carla Perez (é, decerto tinha tão pouca coisa legal nessa época que eles publicaram um especial com a Carla Perez). Também infelizmente não achei a resenha do Triple Platinum do L7 em que eu lembro que o cara se referia à banda como “Donita e suas neandertais” e não era num tom de camaradagem entre bandas toscas em uma revista que pôs a Courtney Love na capa em várias dessas edições, alternando com Kiss, Aerosmith, Bono e Raimundos.

Ok chega de resmungo. LOL Feliz 2010.

Categoria(s) associada(s): Melhores do ano

Créditos do post: Mestre

Créditos da imagem: Animal Collective - Merriweather Post Pavilion - melhor capa de disco IMHO



12 comentários:

  • Fabricio C. Boppré em 30/12/2009

    • Nada novo desde o QotSA? Não ouviu No Age ainda, aposto!
    • Bela desenterrada na coluna antiga do Vicente!
    • O disco do AiC me impressionou mais que o do PJ, devo dizer.
  • José Victor em 30/12/2009

    Já eu, parei de acompanhar as “novidades musicais” no final de 1996, quando o Screaming Trees lançou “Dust”!

  • Ana em 30/12/2009

    Não ouvi No Age… a impressão que eu tenho é que quanto mais o tempo anda “pra frente” mais eu desenterro coisas “pra trás”. E de quebra esqueci que devia ter ao menos um parágrafo pras baixas… não só o Maico… tipo o Jim Carroll, o Ron Asheton, o Lux Interior e até o Les Paul (é o da guitarra) e o Jay Bennett. É… o povo tá morrendo.

  • Ana em 30/12/2009

    pow foi só eu falar Rowland Howard

  • José Victor em 31/12/2009

    Que boca hein, Ana?! hehe

  • Vicente em 31/12/2009

    Acho que a técnica é a mesma para quem procura namorado/a: o melhor é não procurar, deixa que acaba aparecendo. Esse hábito de tentar achar o melhor som, o mais relevante, o que vai salvar a colheita é desanimador, acaba-se concluindo que a música atual tem pouco para dar. Deixa quietinho, daqui a pouco alguém grava um disco que te faz ter fé na humanidade. Um ótimo 2010, Ana!

  • Vicente em 31/12/2009

    E é uma pena que numa época onde as artes visuais estão tão elaboradas e beneficiando-se de novas técnicas os formatos físicos estejam com os dias contados. Belas capas as escolhidas pelo site citados, assim como as escolhidas pelo TinyMixTapes.

  • José Victor em 31/12/2009

    O Vicente tem razão! E ainda acrescento, cd’s clássicos só são assim considerados, anos após seus lançamentos, por isso demos tempo ao tempo! Mas que tá difícil voltarmos à qualidade dos anos 90, ah isso tá! Quanto às capas, as artes estão cada vez mais avançadas, pena que brevemente não teremos mais “caixinhas” de cd´s para expor essas magníficas “cover arts”!

  • ana em 31/12/2009

    Eu ainda acho que o cd ou qq formato físico q seja pode e vai continuar sendo vendido, mas o produto vai ter que ser mais elaborado, meio que como comprar livro vs. baixar o pdf. Billy Childish é pioneiro nisso, mas dá pra ver essa tendência de se fazer coisas mais caprichadas (caixinhas etc) e não sendo só pra coletâneas.

  • Ana em 31/12/2009

    bocãop

  • José Victor em 01/01/2010

    Já comentei essa tendência em vários tópicos anteriores. O “fim” do música em formato físico se deve, em grande parte, à preguiça das novas gerações em sair de casa e “garimpar” numa loja especializada - essas, também, cada vez mais raras - preferem ficar em casa, na comodidade do seu pc, do que bater perna pelas galerias do rock. Lamentável!

  • Natalia Vale Asari em 02/01/2010

    Ana, gostei do seu formato da retrospectiva de 2009. Eu também acabo deixando as coisas passarem e acabo sempre descobrindo discos 2 ou 3 anos depois. :)

Não é mais possível adicionar comentários para este post.