Wipers
Biografia
“The idea behind the Wipers started off as a recording project. I looked at music as art more than entertainment. I got that concept early on as a 11 year old kid. (…)”. Assim começa a minúscula biografia do Wipers em seu site oficial. Tivesse seguido essa inteção inicial, provavelmente a banda estaria hoje soterrada nas páginas da história, mas o talento de seu líder, Greg Sage, fez o Wipers estrapolar estas perspectivas iniciais e transformar-se num dos nomes mais influentes para as gerações que se seguiram. Na memória recente de todos estão ainda, por exemplo, os covers que o Nirvana fez para algumas fantásticas canções compostas por Greg Sage.
Mas, como dito, inicialmente os planos de Sage eram outros. Ele sonhava com um selo pelo qual pudesse lançar sua música sem contaminá-la com shows, entrevistas ou quaisquer outras influências comerciais. Estudava sobre produção e gravação, tocava baixo e guitarra, e idealizava ser um artista na verdadeira concepção da palavra. Contactou outras bandas que pudessem ter ideais similares aos seus. Mas aos poucos foi percebendo que suas convicções, por mais dignas que fossem, eram inviáveis no ambiente capitalista no qual estava inserido.
Em 1977 nasceu então, em Portland, o Wipers. Greg Sage não iria render-se facilmente e sua banda tocava um punk rock de personalidade própria, agressivo, sério, e com letras instigantes. Uma das primeiras manifestações daquilo que aos poucos foi-se identificando como post-punk, na verdade. Completavam o line-up Sam Henry na bateria e Dave Koupal no baixo.
O primeiro registro sonoro do grupo foram as três faixas de Better Off Dead, single lançado em 1978 pelo selo montado por Sage, a Trap, que lançava também, eventualmente, coletâneas de outras bandas de Portland. A mudança para um selo que contava com uma maior capacidade de distribuição aconteceu rapidamente, e no ano seguinte, via Park Avenue Records, a banda lançou seu primeiro LP, o seminal Is This Real?. Pouco reconhecido na época, é tido hoje como não menos que um clássico.
Com seu primeiro disco debaixo do braço e seus shows chamando cada vez mais atenção, a banda ia ganhando notoriedade no underground americano. Aproveitando-se disso, a Park Avenue lançou, sem consultar a banda, o EP Alien Boy, o que gerou um primeiro conflito entre a banda e o selo. O segundo aconteceria logo depois, durante as discussões sobre a arte gráfica do próximo LP do Wipers. Disco este que nasceria já com Greg Sage acompanhado de novos parceiros: Brad Davidson era o novo baixista e Brad Naish empunhava as baquetas.
Youth of America foi lançado em 1981 e apresentava composições novamente brilhantes, desta vez acomodadas em canções mais longas e ousadas. A mudança foi justificada por Sage como uma tentativa de se distanciar das bandas convencionais de punk rock e suas canções curtas muitas vezes desprovidas de qualquer conteúdo.
Enquanto isso, a natureza particular do Wipers se revelava cada vez mais em seus métodos próprios de gravação, a partir de técnicas e instrumentos desenvolvidos e adaptados por eles mesmo, e na distância mantida com a imprensa, na medida do possível.
O terceiro LP foi lançado em 1983 sob o título Over the Edge, desta vez via Trap, uma vez que após Youth of America a banda resolveu separar-se da Park Avenue. Trata-se de outro clássico que, finalmente, teve uma repercussão mais ampla, expandindo o círculo de fãs e viabilizando uma turnê mais extensa que acabou, inclusive, rendendo um disco ao vivo lançado em 1985 e chamado simplesmente Live.
Também em 1985 temos uma nova troca de bateristas — saiu Naish e entrou Steve Plouf — e o lançamento do primeiro disco solo de Greg Sage.
O próximo lançamento do Wipers viria em 1986. Land of the Lost foi lançado pela Restless Records, braço da Enigma Records. Pela Restless, a banda lançaria ainda mais dois álbuns nos dois próximos anos, Follow Blind e The Circle. Este último foi idealizado por Greg Sage como o marco final do Wipers, o que de fato foi anunciado na turnê que a banda fez em 1989. Sage dizia-se frustrado com o mundo da música independente e em muito contribuiu para isso a perda do contrato de aluguel de um imóvel onde a banda havia construído seu estúdio.
No hiato que se seguiu, tivemos o lançamento de uma compilação, The Best of Wipers and Greg Sage, e um tributo, Eight Songs for Greg Sage and The Wipers, depois relançado com faixas extras e reintitulado Fourteen Songs for Greg Sage and The Wipers. Sage lançou também seu segundo disco solo.
Mas a explosão do rock alternativo no início da década de 90 fez Greg Sage e Steve Plouf despertarem o Wipers. Contando com um rodízio de baixistas, a banda lançou três novos discos: Silver Sail em (ano que teve ainda o relançamento, via Sub Pop, de Is This Real? com o EP Alien Boy de bônus), The Herd em 1996 e Power in One em 1999. Os lançamentos, claro, já não eram memoráveis como outrora, mas Sage fazia questão de manter sua postura imaculada e até convite para tocar com o Nirvana ele recusou. Mas em 2001, novamente, anunciou o fim do Wipers.
Greg Sage continua envolvido com música — seu último disco solo saiu em 2001 — e cuidando da Zeno Records, selo que inclusive lançou em 2001 um box com os três primeiros discos do Wipers acrescidos de faixas inéditas. A Jackpot Records também já relançou os três memoráveis clássicos em vinil.
Última atualização
11/05/2010

