Superguidis

Biografia

A Superguidis é uma banda independente de Guaíba (cidade que fica a 40 km de Porto Alegre), o que não necessariamente os enquadra nos padrões do famoso “rock gaúcho”. Com mais distorção e influências de bandas que marcaram os anos 90, que oscila de Pavement a Nirvana, a Superguidis existe desde 1999, porém, no início do século, a banda tinha formação e propósito diferentes.

Andrio Maquenzi (vocal e guitarra), Marco Pecker (bateria), Diogo Macueidi (baixo) e Everton Siqueira (guitarra) formaram a Dissidentes, enquanto descobriam o rock ‘n’ roll e faziam o segundo grau. A Dissidentes era uma banda baseada na rebelde energia juvenil, que possuía algumas músicas próprias e executava incansavelmente covers de bandas como Pearl Jam e Stone Temple Pilots. Faziam shows entre a cidade natal (Guaíba) e a capital (Porto Alegre).

Com o tempo, os shows começaram a se multiplicar na capital, onde dividiam palco com bandas como Prozak, Walverdes, Stratopumas, Planondas, e várias outras que trouxeram novos conceitos e influências para os meninos. Um dos reflexos foi uma mudança brusca de sua sonoridade, sem, no entanto, que perdessem o “teen spirit” noventista. Em 2002, Lucas Pocamacha substitui Everton na guitarra. Para temperar a fase de mudanças, veio a paixão pelo Guided By Voices. Finalmente, por que não mudar o nome? E foi assim que os Dissidentes passaram a se chamar Superguidis.

Desde então, a banda emplacou e tornou-se presença rotineira nas casas de shows porto alegrenses. Músicas como Os Ingleses não Usam Mullets (a única reaproveitada da época da primeira formação do Dissidentes, antes da troca de guitarristas), Lucina e O véio Máximo eram hits entre o público roqueiro da cidade. Estas são algumas das faixas do primeiro EP da banda, O Véio Máximo, gravado no Estúdio do Sonic, em Guaíba, e lançado em 2003. O disco conta com a participação de King Jim (voz e sax dos Garotos da Rua, banda dos anos 80 de nome relevante na história do rock gaúcho) no saxofone, na faixa Jovenguardianas no. 1.

Com a elaboração de novas canções, em 2004 veio o segundo EP, intitulado Ainda sem nome. Também em 2004 deve-se saudar o advento do orkut, que muito ajudou a banda na tarefa de divulgação, lançamentos, shows, etc. No mesmo ano foi lançado Pacotão, que, apesar de ser uma compilação com os dois primeiros EPs e mais uma faixa bônus, pode ser considerado o primeiro LP do Superguidis. Por fim, foi em 2004 que a banda fez sua primeira viagem interestadual, rumo a Goiânia, para se apresentar no festival Bananada, tendo a honra de apresentar suas canções no mesmo palco e na mesma noite em que Evan Dando se apresentou. Seguiram-se então muitas outras viagens pelo Brasil.

Em 2005 a banda começou a gravar seu primeiro LP de inéditas, novamente no Estúdio do Sonic, em Guaíba. O lançamento se daria no ano seguinte pelo independente Senhor F Discos, de Brasília, selo tocado pelo jornalista Fernando Rosa e por Phillipe Seabra (vocalista e guitarrista da banda Plebe Rude). Com o disco Superguidis, a banda atingiu o topo de várias listas de melhor disco independente de 2006 em vários sites e revistas. Em algumas dessas listas, os meninos foram colocados acima de grandes dinossauros da música brasileira, como Caetano Veloso e Tom Zé. A essa altura, o clipe da música O banana, feito em animação pelos amigos da Açúcar Desenhos, já estava rolando quase diariamente na programação da MTV. A banda começou a conquistar o seu lugar ao sol, tocando seus hits em vários estados do país durante todo o ano de 2006.

O ano de 2007 começou no estúdio Daybreak, de Phillipe Seabra, em Brasília, com o Superguidis gravando um novo disco. A Amarga Sinfonia do Superstar, lançado ainda em 2007, tem menos ambição radiofônica e canções mais pesadas, recheadas de influências como Foo Fighters, com a banda em pleno processo de refinamento de sua identidade. Além do lançamento em CD via Senhor F Discos, A Amarga Sinfonia do Superstar foi também lançado em MP3 pela Tramavirtual, com a banda ficando entre as três mais procuradas do site. Quanto à sua repercussão, há quem diga que disco mostra um “amadurecimento precoce da banda”. Mas a essência de uma boa guitar band ainda está lá, como comprova um dos hits do álbum, a canção Mais do que Isso. E a banda continua com moral, participando de festivais como Humaitá pra Peixe (RJ), Jambolada (MG), Calango (MT), Ruído (RJ), Dançum se Rasgum (PA), Abril ProRock (PE), e tocando com o Mudhoney no Porão do Rock (Brasília). Aconteceram shows também na Argentina e no Uruguai.

Em 2008, além dos shows, uma boa e uma má notícia: a banda foi selecionada para representar o Brasil no célebre festival texano South by Southwest, que aconteceria em março de 2009. Mas, infelizmente, sem conseguir apoio financeiro, não foi possível realizar a viagem.

O quarteto começou 2009 novamente no estúdio de Philipe Seabra, gravando seu terceiro LP. O resultado demorou um pouco para ser lançado, mas a espera valeu a pena: Superguidis, lançado em março de 2010 em uma parceria da Senhor F com a Monstro, traz a banda ainda mais madura e afiada em suas composições.

Foi, então, com grande surpresa que os fãs da banda receberam, no meio de 2011, a notícia de que a banda estava encerrando suas atividades. Em nota publicado no Twitter, o grupo anunciou que “interesses pessoais conflitavam com a banda”, e assim, o cenário do rock independente brasileiro perdeu uma de suas bandas mais queridas.

Última atualização

14/07/2011

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