Stone Roses
Biografia
Em 2004, o jornal The Observer elegeu Stone Roses o melhor álbum inglês de todos os tempo. Nada de Beatles, Rolling Stones, Radiohead, Oasis, Sex Pistols — para muitos, a melhor banda nascida na terra da rainha foi o Stone Roses. Isto não chega a ser muito surpreendente se lembrarmos que, um ano antes, o semanário NME já havia considerado este mesmo disco o melhor de todos os tempos.
O Stone Roses apareceu na metade da prolífica década de 80 de Manchester. O Joy Division não existia mais, depois do suicídio de Ian Curtis, mas New Order, Smiths, The Fall e a Hacienda (casa de shows de Tony Wilson) haviam segurado o bastão e a atenção do mundo continuava voltada à cidade inglesa, que era vista como o grande centro musical na época. O que veio depois, capitaneado pelo Happy Mondays e pelo Stone Roses, ficou conhecido como Madchester e, para muitos, marcou o início da cultura rave. Enquanto o Happy Mondays foi esquecido e a cultura rave é um legado bastante questionável, o Stone Roses resistiu e hoje é considerado nome fundamental da história do rock ‘n’ roll.
O Stone Roses nasceu das cinzas do English Rose, banda formada pelos colegas de escola John Squire (guitarrista) e Ian Brown (vocalista). Em 1985, a formação do grupo tinha também o baterista Alan Wren (conhecido como Reni), o guitarrista Andy Couzens e o baixista Pete Garner. Essa formação passou um bom tempo fazendo shows pelo circuito underground de Manchester, adquirindo cada vez mais admiradores. No começo soavam mais agressivos, com a influência de punk rock (Buzzcocks, Sex Pistols) misturada à do guitar pop dos anos 60 (Byrds, Beach Boys). Apesar da base de fãs que ia se formando, pelo menos um detrator conhecido eles tinham: justamente Tony Wilson.
Em 1987 o Stone Roses já tinha tido duas mudanças em sua escalação: Pete Garner foi substituído por Gary “Mani” Mounfield e Andy Couzens saiu para deixar a banda com somente um guitarrista. A essa altura, todos já levavam o grupo a sério, especialmente após a contratação de Gareth Evans para o cargo de empresário. 1987 foi também o ano dos primeiros lançamentos: os singles So Young e Sally Cinnamon, lançados pela Thin Line Records.
No ano seguinte, o Stone Roses assinou com a recém-criada Silvertone Records e lançou mais um single, chamado Elephant Stone. A reputação do grupo já estava bem estabelecida e shows lotados em Londres eram rotina. Para consolidá-la de vez, saiu o primeiro LP da banda, autointitulado, imediatamente incensado por público e crítica. Os singles do disco Stone Roses estavam em todas as paradas e o Reino Unido todo se rendia à banda.
Em 1990, após o relançamento dos primeiros singles, de quando a banda ainda estava restrita ao circuito de Manchester, chegou às rádios o single One Love, teoricamente o aperitivo inicial de um segundo disco que viria logo a seguir. Não foi bem o que aconteceu. Depois de organizar um festival em Spike Island (que, apesar do nome, trata-se de uma península inglesa, próxima da cidade de Widnes), presenciado por 28.000 pessoas, o Stone Roses se envolveu em uma pendenga com a Silvertone Records que praticamente lhe custou a carreira. O grupo queria se desvencilhar da Silverstone, mas, fazendo valer o contrato — cheio de cláusulas ilegais, inocentemente assinado pelo grupo —, o selo conseguiu com que o Stone Roses fosse proibido de lançar novo material. A discussão seguiu por vários meses até que em maio de 1991 a corte decidiu que a banda poderia assinar com a Geffen Records e voltar a lançar seus discos.
Mas o esperado segundo disco demorou para sair. Durante alguns anos os membros da banda pareciam mais interessados em futebol e suas esparsas sessões de gravações não resultavam em nada muito objetivo, com produtores indo e vindo, insatisfeitos com a falta de compromisso do grupo. Nesse intervalo, em 1992, a Silverstone lançou Turns Into Stone, uma compilação de singles e faixas tiradas do primeiro disco, e Gareth Evans decidiu não trabalhar mais com os Roses, iniciando logo depois uma nova batalha jurídica contra o grupo. Philip Hall assumiu seu lugar mas faleceu logo depois, vítima de câncer. Eles tentaram ainda contratar Peter Leake, mas aparentemente ninguém mais se interessava em trabalhar com o grupo, cuja carreira parecia condenada. Somente em 1995 a banda teria novo empresário, Doug Goldstein, ex-Guns ‘n’ Roses.
Antes disso, em 1994, a Geffen deu um ultimato ao grupo, o que o fez finalmente finalizar seu trabalho. O primeiro single (ou segundo, se considerarmos One Love), Love Spreads, foi lançado em novembro, e o novo disco, Second Come, em dezembro. As críticas foram bastante variadas e o público pareceu ter diminuído seu interesse em relação ao Stone Roses. A alta expectativa gerada pelo período de inatividade e confusões claramente prejudicou Second Come, que é na verdade um belo disco. Apesar de hoje o álbum ser respeitado e até considerado por alguns como superior ao seu antecessor, na época muitas fãs ficaram insatisfeitos com o Roses.
Em janeiro do ano seguinte, o grupo começou a planejar sua primeira turnê pelos Estados Unidos, da qual desistiu na última hora. No mês seguinte, iniciaram os preparativos para uma turnê em seu país natal, após cinco anos sem shows ali, que também acabou sendo abortada em função de uma pneumonia em John Squire, deixando muitos fãs decepcionados. Em abril, Reni deixou o grupo, sendo substituído por Robbie Maddix. O motivo de sua saída nunca foi bem esclarecido. Robbie, ex-Rebel MC, teve somente dez dias para ensaiar com seus novos companheiros antes do início de uma nova turnê, que começaria em alguns países europeus, passaria finalmente pelos EUA e depois voltaria à Europa. Nova falta de sorte do grupo: após o último show nos EUA, que aconteceu em San Francisco, John Squire sofreu um acidente de bicicleta, o que forçou a banda a cancelar seu próximo e mais importante compromisso, que seria na 25ª edição do Glastonbury Festival, justamente na Inglaterra. A banda só conseguiria voltar a tocar em terras inglesas em novembro.
Em fevereiro de 1996, foi lançado Garage Flower, nova coletânea caça-níqueis de demos e B-sides. Em março, John Squire deixou o grupo, alegando diferenças “musicais e sociais” com seus ex-companheiros, mas os Roses restantes insistiram em sua sobrevivência, escalando o guitarrista Aziz Ibrahim (ex-Asia e Simply Red) para o lugar de Squire. Em outubro, depois de uma participação desastrosa no Reading Music Festival, Mani deixou o grupo para se juntar ao Primal Scream, e então o Stone Roses finalizou oficialmente suas atividades.
Em 1997, Squire lançou o primeiro disco de seu novo grupo, o Seahorses, e logo depois embarcou em carreira solo. Ian Brown também iniciou uma bem-sucedida carreira solo. Em paralelo, mais coletâneas e reedições dos discos do Stone Roses foram saindo, para capitalizar sobre o legado da banda.
O Stone Roses voltou à mídia em 2005, quando boatos de que a banda poderia se reunir para tocar no Glastonbury daquele ano surgiram, o que acabou não se confirmando. Mas em 2007 ocorreu, pelo menos, uma reunião parcial: em um show em Manchester, Ian Brown e Mani se juntaram no palco e tocaram clássicos de sua antiga banda. Desde então os boatos de uma reunião completa do grupo são frequentes, mas geralmente esbarram nas ostensivas negativas de John Squire, que atualmente dedica-se à pintura.
Para junho de 2009, está agendado o lançamento de uma nova edição especial do debut da banda, desta vez marcando o seu vigésimo aniversário de lançamento.
Última atualização
02/04/2009

