Smashing Pumpkins

Biografia

“Nunca mais seremos os mesmos. Quanto mais se muda, menos se sente.” A história do Smashing Pumpkins, com todas as suas mudanças e reviravoltas.

Capítulos

O Começo (1984 a 1990)

Em 1984, Billy Corgan era estudante da Glenbard North High School, em Chicago. Ele fazia parte da equipe que publicava um jornal estudantil, sendo o responsável pela revisão de textos e também criação de artigos e resenhas sobre música. Desde cedo o futuro líder do Smashing Pumpkins já era um aficcionado em rock’n’roll. Ele se lembra de dois de seus artigos dessa época: em um deles elogiava o novo disco do Van Halen, chamado 1984, em comparação aos dois anteriores, River Down e Women & Children First, que ele havia achado fracos. E no outro artigo ele apontava, dentre as bandas que estavam começando a fazer sucesso nessa época, quais mais lhe chamavam a atenção: Metallica, R.E.M. e U2.

Seus antigos professores recordam dele como um estudante exemplar, inteligente e criativo. O seu professor de ciências, Walter Schearer, o lembra como “um estudante relativamente quieto, que ganhou medalha de mérito por ter tido as melhores méidas em um certo ano”. Mas seus ex-colegas de classe não costumam lembrar desse seu lado “bom aluno”. Marlo Macaisa, um dos melhores amigos de Billy na época do ensino médio, conta alguns “feitos” dos velhos tempos: “Certa vez ele cortou o rabo de um gato e o colocou no bolso traseiro de sua calça, passeando dessa maneira pela escola inteira. E, em uma outra ocasião, em uma visita ao Art Institute, onde fomos assistir a uma palestra sobre história americana do professor John Slusser, ele e nosso colega Pete Sallis praticamente destruíram o banheiro com o papel higiênico”. “Billy usava roupas estranhas, se portava de maneira diferente e tinha sempre um sorriso esquisito no rosto enquanto falava”, lembra outro ex-colega e futuro companheiro de banda, Dan Shaw.

Billy Corgan falaria mais tarde dos seus anos no colégio: “Eu odiava tudo aquilo. Eu odiava aquela atmosfera de avareza e inveja. Foi a época em que eu comecei a usar cortes de cabelo diferentes e me achava o próprio Sr. Alternativo. Eu sabia que não poderia viver daquela maneira. De jeito nenhum”.

Ele começou a tocar guitarra aos 14 anos, em parte por causa de seu pai (um guitarrista profissional de jazz) e em parte pelo seu amor aos discos do ano 70. Aprendeu a manejar a guitarra na casa de um amigo, usando uma Flying V. Depois de ganhar seu próprio instrumento, costumava praticar até de madrugada, e cada vez mais as bandas que ouvia o encantavam. Nomes como Beatles, Black Sabbath, Cheap Trick, David Bowie, Judas Priest e Jimi Hendrix causavam forte impressão no rapaz, e foram grandes responsáveis pelo início de sua carreira musical.

Em 1985, com 18 anos, Billy graduou na Glenbard North High School. A essa altura, ele já sabia o que queria: sua vida seria dedicada ao rock’n’roll. Seus pais já eram separados, e ele trabalhava como lavador de pratos para ajudar sua mãe na renda familiar. Já possuia sua primeira banda, o The Marked (nome devido ao sinal de nascença que Billy possui em um de seus braços, evidente no encarte do seuu disco solo TheFutureEmbrace), que costumava se apresentar em pequenas clubes e bares de Chicago. A uma certa altura, ele deixou o emprego e parou de jogar basquete em um time da região, para proteger seus dedos. Seu ex-colega Marlo diz que ele não se concentrava em nada, só pensava em tocar e escrever canções.

Os outros membros da banda eram seus colegas de colégio, Dan Shaw e Ron Roesing. Pouco depois do fim das aulas, eles se mudaram para a Flórida. Depois de cerca de 20 shows em 9 meses, eles decidem acabar com a banda, e voltaram para Chicago. De volta à sua cidade natal, Billy conseguiu um emprego em uma loja de discos usados. Foi ouvindo os discos antigos e de gêneros díspares entre si, como Miles Davis, Stooges, John Coltrane e Jimi Hendrix, que ele diz ter aprendido que “a boa música vai além de qualquer concepção de gênero”. Billy Corgan estava determinado a seguir a carreira musical, e já pensava em formar um novo conjunto.

Em 1987, na loja onde trabalhava, Billy conheceu James Iha, um americano descendente de japoneses. James estudava Artes Gráficas na Loyola University, e tocava na banda Snake Train. Com o tempo, James e Billy perceberam ter gostos e interesses similares, e acabaram decidindo tocar juntos. James continuou a tocar no Snake Train, enquanto Billy procurava por outras pessoas interessadas em se juntar a eles.

Certa vez, ainda em Chicago, Billy estava no bar Avalon. Do lado de fora do bar, ele acabou entrando em uma discussão sobre os méritos de uma banda que costumava tocar frequentemente ali, chamada Dan Reed Network. Na verdade, Billy interrompeu a conversa de um grupo de amigos pra dizer o que achava desse conjunto e uma garota não gostou nada do que Billy disse e começou a discutir com ele. Durante a discussão, ela disse a ele que era baixista, e Billy, depois de lhe dizer que tinha uma banda e estava procurando por alguém que tocasse baixo, acabou lhe dando seu número para que ela ligasse e fizesse um teste com ele.

O nome da garota loira com quem Billy se desentendeu no Avalon era D’arcy Wretsk. Depois de um tempo, ela acabou ligando para ele para fazer o teste.

No dia marcado, D’arcy estava muito nervosa, e, de acordo com Billy Corgan, ela mal conseguia segurar direito o baixo. Mas ele gostou de seu jeito e de sua personalidade, e acabou integrando-a ao conjunto, mesmo sem ouvi-la direito tocando o baixo.

Nessa altura, Billy e James já tinham algum material gravado. Junto com Ron Roesing, baterista do The Marked, eles haviam gravado uma fita demo no estúdio doméstico do produtor Bob English, em junho de 1988. A fita foi intitulada de Nothing Ever Changes e a banda ganhou o estranho nome de Smashing Pumpkins. Reza a lenda que o nome era temporário, e apenas uma brincadeira de Billy Corgan, dado a trocadilhos. Pouco depois dessa primeira experiência em um estúdio, Ron deixou o grupo. Com uma bateria eletrônica, Billy e James gravaram uma segunda fita demo, com músicas como My Eternity, Screaming e Bleed, todas escritas e compostas por Billy Corgan. Essa fita foi dada a Joe Shanahan, dono do Metro Club, lugar bastante famoso em Chicago.

A primeira apresentação do Smashing Pumpkins aconteceu no dia 10 de agosto desse mesmo ano, no Avalon, com cerca de 50 pessoas assistindo. D’arcy já empunhava o baixo, com Billy nos vocais e guitarra, e James na segunda guitarra — a bateria ainda era eletrônica. Joe Shanahan estava presente e gostou da performance da banda, convidando-a a tocar no Metro Club, com uma condição: que arranjassem um baterista de verdade.

A partir dessa condição, o Pumpkins começou a procurar por um quarto membro, enquanto fazia pequenos shows e começava a ficar conhecido no circuito underground americano. Um amigo de Billy sugeriu que eles contactassem Jimmy Chamberlin, um baterista de jazz que fora integrante do JP & The Cats. Jimmy estava desempregado nessa época, e aceitou na hora o convite de Billy Corgan para integrar o Smashing Pumpkins. Ele, inclusive, estava presente em alguns dos primeiros shows da banda, e tinha achado o conjunto uma “atrocidade”, mas com potencial e muito boas letras. Ainda em 1988, em novembro, o Pumpkins — já com um certo prestígio no circuito alternativo — conseguiu uma bela chance de divulgar seu trabalho: foram convidados para abrir um show do Jane’s Addiction, uma das bandas de rock alternativo mais importantes dos EUA.

No começo de 1989, o Smashing Pumpkins participou de um programa especial na rádio WZRD de Chicago, tocando 11 músicas para promover o seu futuro primeiro álbum e uma nova fita demo gravada pouco tempo antes (sem título). No dia 17 de março, aniversário de 22 anos de Billy, eles participaram de um festival chamado “Light Into Dark”, que contava ainda com mais 4 bandas de Chicago. Cada banda teve 30 minutos para mostrar seu trabalho, e mais tarde uma compilação desse festival saiu pelo selo Halo Records. O Smashing Pumpkins contribuiu com duas músicas, Sun e My Dahlia. Em setembro, mais uma fita demo, Moon, foi gravada e comercializada pela banda. Pra fechar o ano, eles foram convidados para ser a banda de abertura do Lemonheads em novembro, e participaram de um show no último dia do ano ao lado da banda My Life With Thrill Kill Kult.

O ano de 1990 começou com o lançamento de o vinil 7” I Am One pelo selo Limited Potential. O mini-disco possui também a faixa Not Worthing Asking. Em agosto, tanto o recém formado projeto paralelo de Billy Corgan, o Starchildren, quanto o Smashing Pumpkins fizeram apresentações pelos EUA. Nessa época, o Pumpkins já tocava algumas músicas que iriam aparecer em seu primeiro disco, além de covers como Sookie Sookie do Steppenwolf e Godzilla do Blue Oyster Cult. Billy dizia que sua banda tinha influências do grunge, que começava a movimentar Seattle, e de bandas de hard rock antigas, como Cream, Blue Cheer e Led Zeppelin.

Em dezembro, a banda lançou mais um mini-disco, intitulado Tristessa. Dessa vez o lançamento aconteceu pela famosa Sub Pop, de Seattle. Saíram duas versões, uma de 7” e outra de 12”, que possuiam os respectivos B-Sides: La Dolly Vita e Honeyspider. O 7” fez parte do festejado Sub Pop Singles Club, um sistema de distribuição de singles de bandas ainda desconhecidas do grande público. Um single famoso que fez parte desse sistema foi Love Buzz do Nirvana.

Ainda em dezembro a banda conseguiu um bom contrato para o lançamento de seu primeiro álbum, assinado com a Caroline Records, de Nova Iorque. A banda queria colocar no mercado seu primeiro disco rapidamente, e para isso agendaram as sessões de gravação com o produtor Butch Vig, que também estava trabalhando com o Nirvana nessa época, no Smart Studio, em Madison, no estado de Wisconsin, para começarem ainda em dezembro de 1990.

Nessa época, Billy já havia decidido qual seria o nome do álbum. Em homenagem à famosa atriz de cinema mudo Lilian Gish, de quem sua avó era fã, o debut do Smashing Pumpkins iria se chamar Gish.

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O Primeiro Disco (1991 a 1992)

“All your seven dreams… Look close, son, and you’ll believe.”
 — Snail (Gish)

Gish foi finalmente lançado no dia 28 de maio de 1991. A banda já estava em turnê desde o dia 9 do mesmo mês, abrindo os shows do Guns and Roses. Em uma entrevista, Billy Corgan disse o seguinte sobre o debut do Smashing Pumpkins: “O álbum é sobre medo e anscensão espiritual. Não é um álbum político, é um álbum pessoal”. Muitos dizem que esse primeiro disco do Pumpkins só não foi um grande sucesso comercial pois foi ofuscado pelo lançamento quase simultâneo de Nevermind, do Nirvana, também produzido por Butch Vig. De qualquer maneira, a expectativa inicial da Caroline de vender 30.000 cópias foi superada em muito. Ainda sobre o debut, vale ressaltar que todas as sessões de bateria foram gravadas em 4 dias, e que I Am One e Tristessa — músicas que apareceram nas fitas demos da banda — foram regravadas e figuram no playlist deste disco.

Depois dos shows ao lado de Axl Rose e cia., o Smashing Pumpkins partiu para uma turnê mundial de divulgação de Gish, que duraria 18 meses e quase levou ao fim precoce do conjunto. Ao longo dessa turnê, foram começando a aparecer problemas entre os quatro integrantes, ao mesmo tempo que ficava evidente que eles não se davam muito bem. Paralelamente à turnê, a banda foi agendando vários shows, aparições em programas de TV e rádio, entrevistas e matérias em revistas, etc. Aos poucos, o Smashing Pumpkins ganhava fama.

Alguns dos eventos que valem ser citados foram:

  • Um pequeno show na Reckless Records, em Chicago, no dia 22 de junho. Nesse show a banda tocou a música Drown, posteriormente integrada à trilha sonora do filme Singles, e uma outra inédita, Jesus Loves His Babies.

  • Um show acústico na Rose Records, onde apresentaram um cover de Syd Barret, Terrapin.

  • Um apresentação na rádio CMJ RadioNetwork, no dia 16 de junho.

  • Uma entrevista de Billy Corgan na revista Rolling Stone, do dia 8 de agosto.

  • Mais uma apresentação acústica, na Tower Records, em Los Angeles, no dia 12 de agosto.

Nessa época, a banda já havia acertado um contrato com a Hut, uma subsidiária da Virgin Records. O primeiro lançamento pelo novo selo foi uma edição limitada do single Siva, que vinha com uma outra faixa de Gish, chamada Window Paine. Lançamentos desse tipo serviam para aumentar as vendas de Gish, enquanto o prestígio do Smashing Pumpkins ficava cada vez maior no circuito alternativo americano.

Em outubro, a banda fez alguns shows com o Red Hot Chili Peppers e o Pearl Jam, no Oscar Mayer Theater em Madison, Wisconsin. No dia 17 de dezembro, a banda se apresentou no famoso Whiskey a Go-Go, em Los Angeles. E, para fechar o ano de 1991, mais um lançamento pela Hut Records: o EP Lull, que continha as faixas Rhinoceros, Blue, Slunk e Bye June (esta última tirada da demo Moon). A capa desse EP possui uma parte da letra da canção Obscured, que iria aperecer em futuros lançamentos da banda.

Em 1992 a primeira aparição do Pumpkins na mídia foi uma matéria na revista Spiral Scratch. O artigo intitulado “Fuck Off… We’re From Chicago!” conta a trajetória da banda, traz entrevistas com Billy Corgan e Jimmy Chamberlin, e uma resenha de Gish, destacando o fato de que Billy Corgan ficou cerca de quatro meses dentro estúdio aperfeiçoando cada canção deste trabalho.

Em março, mais uma matéria em uma grande revista, dessa vez na Guitar Player. Nela, Billy Corgan descreve o processo de gravação de Gish. Ainda em março, enquanto rolava a turnê mundial, alguns membros da banda faziam aparições especiais, como no dia 28, quando D’arcy, Billy e James subiram em um palco junto com o Pearl Jam. Ao lado do grupo de Seattle, eles tocaram Window Paine e um cover para I Got a Feeling, do Beatles.

Em agosto, o Smashing Pumpkins participou do famoso Reading Festival, na Inglaterra. Em setembro, a turnê mundial chegou ao fim. A banda estava exausta e, ao mesmo tempo que ganhou um razoável prestígio e fama, as relações entre os membros estavam bem desgastadas. Jimmy Chamberlin se revelara um alcólatra problemático, e James e D’arcy — que por algum tempo foram namorados — não se suportavam mais. Billy Corgan também estava no limite.

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O Reconhecimento (1992 a 1994)

“I wanted more… than life could ever grant me.”
 — Today (Siamese Dream)

Os problemas entre os integrantes do Smashing Pumpkins já eram conhecidos e tidos como fato por fãs e imprensa. Eles próprios admitiam isso. Billy disse certa vez que o Pumpkins não funcionava como uma banda normal, e que os períodos juntos eram verdadeiros pesadelos para ele. Ele já afirmou que essa fase inicial foi tão ruim que ele não gosta nem de pensar nela, quanto mais de falar sobre. Por conta disso, ele passou pelo famoso bloqueio criativo do qual tantos artistas reclamam, não conseguindo escrever e nem compor músicas por algum tempo. Para tentar esquecer esses problemas e enfrentar as expectativas criadas em cima do Smashing Pumpkins e principalmente dele próprio, Billy Corgan frequentou durante algum tempo um sessões de terapia.

No fim da turnê de Gish, em setembro de 1992, a banda se concedeu um perídodo de descanso — o fato de ficarem longes um dos outros já era algo reconfortante —, mas logo a Virgin começou a pressioná-los para a gravação de um novo disco. Assim, no começo de 1993, o Smashing Pumpkins começou a trabalhar para lançar seu segundo disco, sucessor de Gish.

Antes do lançamento do disco, enquanto iniciavam-se as sessões de gravação, a banda reapareceu no cenário musical. No dia 15 de março, fizeram um show no Center Stage em Atlanta e tocaram algumas músicas inéditas que estariam no segundo disco, como Quiet e Today. As gravações desse novo trabalho estavam acontecendo justamente em Atlanta, no Triclops Sound Studio, e um dos motivos que os levaram a escolher esse local foi para tentar manter Jimmy Chamberlin longe de Chicago, onde ele tinha muita facilidade de conseguir drogas. Mas parece não ter adiantado, pois ele teve várias recaídas durante as sessões, chegando até a ter que ficar 5 dias longe dos estúdios para se reabilitar de uma crise mais grave. Fora isso, as gravações decorreram sem problemas mais graves e acabaram consumindo a maior parte da primeira metade do ano de 1993.

Em maio, Billy Corgan comprou uma casa em Chicago, no bairro de Wrigelyville, a cerca de uma hora ao sul de seu bairro natal, Glendale Heights. A casa que ele comprou foi construída originalmente em 1897 e havia passado por uma reforma recentemente. Billy comprou também um piano datado de 1920, colocando-o perto de uma das janelas. Ele só conseguiu passar sua primeira noite no novo lar três meses após efetuada a compra, devido às gravações em Atlanta.

Em junho, depois de aproximadamente 5 meses nos estúdios, novamente ao lado do produtor Butch Vig, e com 8 horas diárias de trabalho, a banda terminou o seu segundo álbum. Todas as músicas foram meticulosamente trabalhadas, reforçando ainda mais o mito que se formava em torno de Billy Corgan, descrito como um músico extremamente minuncioso e por vezes até neurótico. Algumas passagens de guitarras chegaram ser regravadas 28 vezes. Aliás, o grande mistério envolvendo esse processo de gravação é se Billy Corgan gravou ou não a mairoria dos instrumentos que ouvimos no álbum. Na época ele dizia simplesmente que não era uma atitude muito política dizer isso, já deixando quase como certo que a afirmação era realmente verdadeira. Hoje em dia, ele costuma dizer que, “se” isso aconteceu, foi porque ele era o compositor das músicas e que a banda definitivamente não se acertava.

O Smashing Pumpkins gravou mais de 25 canções durante esse período dentro do estúdio, e apenas 13 entraram efetivamente no disco. Ainda existiam mais 15 músicas escritas por Billy Corgan e que acabaram não sendo gravadas. Essas novas composições sacramentam o estilo de compor e escrever de Billy Corgan, e alçam-no à posição de um dos melhores letristas da década de 90. Em suas canções, transparecem seus sentimentos, seus desejos e emoções. Elas refletem sua vida, sua infância, seu relacionamento com as pessoas próximas, como amigos, mulheres, pais e irmãos. Por exemplo, Spaceboy é dedicada ao seu irmão mais novo, Jesse Corgan, que possui um raro problema genético em seus cromossomos. Sobre isso, ele disse em entrevistas que era interessante perceber que, enquanto seu irmão era considerado uma “aberração da natureza”, ele próprio era uma “aberração da sociedade”. Ainda em junho, depois do exaustivo período no estúdio, a banda fez um show acústico na MTV americana.

O primeiro single do novo álbum que estava foi Cherub Rock, lançado no dia 13 de julho de 1993. Além da canção-título, que Billy diz ser uma reflexão sobre sua relação com a mídia e a contracultura, figuram no single French Movie Theme e Pissant.

No dia 27 de julho, Siamese Dream, o segundo álbum do Smashing Pumpkins, foi finalmente lançado. Um cálculo interessante mostra que para, cada 45 segundos de música do disco, dois dias foram consumidos em estúdio. Butch Vig, em uma entrevista na época do lançamento, fez uma comparação entre Billy Corgan e Kurt Cobain: enquanto o líder do Nirvana simplesmente chegava no estúdio, tocava o que tinha que tocar e ia embora, Billy Corgan chegava a ficar 16 horas diariamente trabalhando em suas composições. Outros fatos ilustram bem como foi gravar Siamese Dream: Billy pediu na época para não ser contactado por ninguém que mantinha alguma relação com ele, pois queria concentra-se completamente em seu trabalho. Por fim, vale dizer que as gravações consumiram 250 mil dólares (que a Virgin considerou muito bem gastos, tal era a expectativa criada em torno do novo disco do Smashing Pumpkins) e que as meninas da capa do disco são irmãs de D’arcy.

Depois disso, o relacionamento entre os quatro integrantes parecia um pouco mais estável. A convivência aparentemente trouxe um pouco mais de tolerância e respeito entre eles, e o mínimo que se pode exigir de uma banda — que eles se suportem — já acontecia. Mas ainda não eram grandes amigos, e o encarte de Siamese Dream prova isso: antes de listar as pessoas a quem agradeciam, eles fizeram questão de escrever: “O Smashing Pumpkins, em uma rara demonstração de união, desejam agradecer …”.

O disco entrou direto na décima posição no Billboard Chart. No dia seguinte ao lançamento, o Smashing Pumpkins partiu na turnê de divulgação de seu novo trabalho, chamada “Rock Invasion”, ao lado do Red Red Meat. O primeiro show aconteceu no Cabaret Metro, em Chicago, palco também de algumas das primeiras apresentações da banda. E foi durante essa turnê, em uma pequena cerimônia realizada em sua casa em Chicago, que Billy Corgan se casou com Chris Fabian, uma artista plástica que trabalhava em um museu dessa mesma cidade, e com quem namorava há muito tempo. O casal iria se separar pouco tempo depois.

Em agosto, as vendas de Siamese Dream começaram a surpreender. O disco ganhou muitas resenhas positivas, e até as vendas de Gish, que a essa altura tinha vendido cerca de 300 mil cópias, começaram a subir consideravelmente. Billy Corgan passou a dar muitas entrevistas e fazia declarações reveladoras, como “caso esse disco não dê certo, a banda vai acabar” e “quando o grupo acabar, pretendo seguir uma carreira solo, algo com influências eletrônicas. Estou cansado de guitarras”.

O segundo single, Today, saiu em setembro. Billy Corgan curiosamente explicou que essa música é sobre suicídio, ato que ele quase cometeu anteriormente. “É engraçado cantar sobre o melhor dia da minha vida… Simplesmente porque não podia ficar pior”, disse em uma das centenas de entrevistas que concedeu naquela época.

Paralelamente à turnê, a banda fez várias apresentações em rádios e programas de televisão. Destacam-se a aparição no tradicional programa inglês White Room e no não menos tradicional americano Saturday Night Live, onde tocaram Cherub Rock e Today.

Em novembro, Siamese Dream ganhou disco de platina, devido às 1 milhão de cópias vendidas. Nesse mesmo mês, a banda (e em especial Billy Corgan) continuou dando entrevistas. Nelas, Corgan passou a ser interrogado sobre o seu antigo relacionamento com Courtney Love e ele se negava a falar sobre o assunto. Ele também declarou que quem lesse com atenção as letras de Siamese Dream chegaria à conclusão de que ele é um perfeito desajustado. Uma outra entrevista interessante concedida por ele foi para a revista Details, na qual afirma que a música Quiet é sobre seu relacionamento com seus pais, e sobre a impressão que tinha quando jovem de que o mundo inteiro o reprimia.

O Smashing Pumpkins começou o ano de 1994 se apresentando na Austrália. Ainda em janeiro, Billy Corgan revelou alguns planos da banda para aquele ano: lançar um disco contendo apenas b-sides (que saiu no fim do ano) e também um disco ao vivo (que acabaria saindo sob a forma de um vídeo, chamado “Vieuphoria”). Outras entrevistas foram dadas pelos membros do Pumpkins, nas quais, por exemplo, Jimmy falou (para a revista Modern Drummer) sobre como aprendeu a tocar bateria e suas experiências anteriores com o jazz, e James falou (para a revista Sassy) sobre seu cão de estimação, Bugg.

Em março, Gish ganhou disco de ouro pelas 500 mil cópias vendidas e foi lançado mais um single de Siamese Dream, Disarm (que Corgan afirmou ser sua música preferida do segundo disco). Esse single saiu em duas versões distintas, uma contendo a palavra “smile” na capa e com as músicas Soothe e Blew Away (essa última escrita e cantada por James Iha), e a outra com a palavra “heart” e com a música Dancing in the Moonlight. Em um show no dia 25 daquele mês, no Palmer Auditorium na cidade de Davenport, a banda apresentou a música Bullet With Butterfly Wings, que viria a fazer parte do seu terceiro disco.

Em abril, quando Siamese Dream ganhou disco duplo de platina, o Pumpkins fez uma apresentação especial no Filmore Auditorium, em São Francisco, que estava sendo re-aberto depois de 27 anos sem funcionar. Nessa ocasião, Billy disse que eles só tinham uma regra em seus shows: não atendiam pedidos da platéia. Para nós, brasileiros, é interessante notar que, alguns anos mais tarde, em uma aparição no já finado Programa Livre, Billy Corgan disse a mesma coisa quando uma garota da platéia do ex-programa de Serginho Groissman pediu que ele cantasse Disarm. Mas, depois de um novo pedido, Corgan resolveu fazer uma exceção e cantou um trechinho de sua canção predileta.

Em junho, Billy conseguiu dedicar um pouco do seu tempo ao Starchildren, seu projeto paralelo. Eles fizeram seu terceiro show no dia 18 desse mês, e lançam um disco pela TVT Records, juntamente com a banda Catherine. O line-up do Starchildren era Billy, James e Jimmy do Pumpkins, Mark Rew do Catherine e Mary Magdaline. Nesse show, a banda tocou alguns covers, canções antigas e algumas canções inéditas do próprio Pumpkins, que apareceriam em lançamentos futuros.

Em julho, o Smashing Pumpkins acabou se transformando no headliner do tradicional festival Lollapalooza. Inicialmente o Nirvana seria o headliner, mas, com o suícidio de Kurt Cobain em abril, o Pumpkins, que já estava no cast de apresentações, foi escolhido para essa posição. Ainda nesse mês, Billy Corgan disse à revista Musician que o próximo disco da banda provavelmente seria duplo.

Em setembro, em uma entevista à revista Guitar Player, ele revelou mais detalhes sobre o futuro novo lançamento. Segundo o músico, o disco seria o mais eclético da banda, com várias influências diferentes, e com músicas acústicas, pesadas, eletrônicas, instrumentais, e até com orquestras. Ele disse já haver composto 40 delas, e somente 28 seriam escolhidas. As gravações deveriam começar após o fim da turnê de Siamese Dream. Também em setembro, a famosa revista Spin nomeou o Pumpkins como a banda do ano.

Em outubro, no dia 4, foi lançado o prometido álbum de b-sides. Pisces Iscariot possui, além das canções escritas pelo Pumpkins que por um motivo ou por outro não entraram nos dois discos de estúdio anteriores, dois covers: Landslide do Fleetwood Mac e A Girl Named Sandoz do Animals. O encarte possui explicações sobre cada canção, digitadas descompromissadamente em uma máquina de escrever por Billy Corgan. A banda também lançou em edição limitada o disco Earphoria, que seria uma versão em disco do vídeo “Vieuphoria”. Ainda em outubro, Gish foi relançado com uma remasterização parcial. Esse relançamento foi pouco noticiado.

Terminadas a turnê de Siamese Dream e as exaustivas apresentações no Lollapalooza (que Billy descreve como sendo uma das melhores e uma das piores experiências de sua vida), a banda resolveu descansar durante algum tempo antes de começar a trabalhar no próximo álbum. Nesse período longe dos palcos e estúdios, D’arcy e James formaram a Scratchie Records, um selo independente.

O Smashing Pumpkins como um todo parecia mais coeso, e sem a maioria dos vários problemas de antigamente. Esse entrosamento e a melhora no relacionamento entre eles iria se refletir diretamente no trabalho que viria a seguir… e que seria por muitos aclamado como um disco único na história da música.

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O Auge (1995 a 1997)

“As far as you take me, that’s where I believe
The realm of solf delusions, floating on the leaves”
 — Porcelina of the Vast Oceans (Mellon Collie and the Infinite Sadness)

1993 e 1994 foram os anos que levaram o Smashing Pumpkins à condição de grande nome do rock alternativo americano. Siamese Dream foi um grande sucesso ao redor do mundo, e agora a expectativa pelo novo trabalho da banda era muito grande. Ao final de 1994, antes de entrar novamente em estúdio, o Pumpkins resolveu parar para um merecido período de descanso, após passar grande parte dos últimos dois anos na estrada fazendo shows. Billy Corgan já havia dito em várias entrevistas que tinha muitas idéias e músicas em sua cabeça para esse novo trabalho, e que eles seguiriam uma nova linha musical.

O Pumpkins começou a trabalhar em seu terceiro disco em fevereiro de 1995, em Chicago. No final desse mês, a banda tocou quatro noites (dias 20, 21, 27 e 28) no Double Door Club. Esses shows ficaram famosos devido à lotação completa em todas as quatro noites e também por causa da apresentação de 27 novas músicas. Abertos somente para maiores de 21 anos e com a entrada proibida para imprensa, todos os 1200 ingressos (300 em cada noite) se esgotaram rapidamente, sendo que muita gente ficou ouvindo a banda tocar de fora do clube mesmo. O crítico Jim DeRogatis, do Chicago Sun Times, escreveu sua resenha para o show sentado do lado de fora, apenas ouvindo os ecos da performance do Pumpkins. Os ingressos custavam apenas 5 dólares, e todo o dinheiro arrecadado foi doado para instituições beneficientes dos EUA.

De março a julho, o Smashing Pumpkins se dedicou completamente às gravações. Billy Corgan decretou novamente período de dedicação total, e diariamente a banda ficava de 12 a 16 horas dentro do estúdio, no Chicago Recording Center. Foram gravadas cerca de 50 músicas compostas por Billy Corgan e cerca de 15 compostas por James Iha. Flood e Alan Moulder foram os produtores. A banda decidiu que não queria trabalhar com Butch Vig novamente, pois procuravam mudança.

Dentro do estúdio batizado de “Pumpkinland”, foram construídos dois ambientes diferentes, um para as guitarras de James Iha (que ficava junto com Alan Moulder) e outro para as guitarras de Billy Corgan (que ficava ao lado de Flood). O trabalho instrumental era extremamente meticuloso, e algumas faixas tiveram cada trecho de guitarra gravado e regravado várias vezes, como Thru the Eyes of the Ruby, que possui 25 partes produzidas separadamente. Em compensação, algumas músicas foram gravadas em uma única passagem com todos os integrantes tocando seus instrumentos juntos (X.Y.U., por exemplo). As músicas de James Iha foram gravadas em seu estúdio próprio (o Bugg Studios), junto com alguns amigos seus, como Kerry Brown (marido de D’arcy, que toca no Catherine) e Nina Gordon (do Veruca Salt). De todas gravadas por ele, apenas uma acabou sendo escolhida para estar no novo álbum: Take Me Down.

Recursos eletrônicos e tecnologia de ponta foram usados também. A banda usou o Studio Vision Pro, e, através do software ProTools, construiu passagens de samples, usou loops e retocou passagens de baixo e guitarras. A mixagem foi feita no Village Recorder, em Los Angeles.

Após terminadas as sessões de gravação, a primeira coisa que a banda fez foi achar um tecladista para participar da turnê, uma vez que muitas novas músicas usavam teclados. Depois de receberem aproximadamente 300 fitas de candidatos, Jonathan Melvoin foi o escolhido.

No começo de agosto, a banda anunciou que o seu novo disco, Mellon Collie and the Infinite Sadness, iria ser lançado no dia 24 de outubro. Anunciaram ainda que tinham planos de lançar de alguma forma boa parte do material que sobrou, e que não era pouca coisa. No dia 25, o Pumpkins tocou em uma nova edição do Reading Festival na Inglaterra. Metade do setlist foi de novas canções, e a reação do público a elas foi muito boa. Billy costuma lembrar-se desse show como “60.000 ingleses cansados e sujos pulando na lama”. Dois dias depois a banda tocou na Bélgica ao lado do Soundgarden.

Chegou o tão esperado mês de outubro e a MTV resolveu homenagear o Smashing Pumpkins apresentando um especial sobre a banda no dia 17. O programa Rockumentary mostra a trajetória do grupo e passa trechos do vídeo Vieuphoria (de 1994), além de entrevistas e partes de apresentações ao vivo.

Na véspera do lançamento do novo disco, o Pumpkins participou de uma show no Riviera Theater, em Chicago. O Cheap Trick abriu a noite (e depois, no final da apresentação do Pumpkins, se juntou a eles no palco), que foi seguida de uma festa no Double Door Club, com convidados especiais. Uma banda formada por 12 mariachis foi escolhida para animar o evento. Nessa mesma noite, foi lançado o primeiro single, chamado Bullet With Butterfly Wings, que traz também a faixa Said Sadly (fruto da já citada parceria de James Iha e Nina Gordon).

Enquanto isso, ao redor do mundo, fãs da banda faziam filas nas lojas de discos para poderem comprar o seu Mellon Collie and the Infinite Sadness assim que as lojas abrissem, já no dia 24. O disco entrou no Billboard Charts logo na primeira posição, e hoje é detentor do título de “disco duplo mais vendido de todos os tempos”.

Tanta espectativa não foi em vão. Afinal, o Smashing Pumpkins brindou seu público com um trabalho inspiradíssimo, uma obra-prima intensa e tocante. Mellon Collie and the Infinite Sadness é dividido em dois discos, Dawn to Dusk representando o dia e Twilight to Starlight representando a noite. O ciclo da vida e morte.

Billy Corgan já dizia há tempos que esse álbum seria o fim da banda como todos a conheciam, pois eles tinham planos de seguir uma nova linha de trabalho dali em diante. Mas, independente do que a banda viria a fazer depois disso, sua obra emblemática, sua referência no futuro, acabara de ser lançada. O sucesso de Mellon Collie and the Infinite Sadness foi estrondoso, e o Smashing Pumpkins passou a viver a partir daí o auge do seu sucesso.

Em novembro, enquanto discutiam sobre como ia ser a turnê mundial de divulgação do novo disco, o Pumpkins fez sua segunda aparição no Saturday Night Live tocando as músicas Bullet With Butterfly Wings e Zero, apresentado naquela noite por Quentin Tarantino. Foi a primeira apresentação da banda em que Billy Corgan surgiu com o visual que cultiva até hoje: a cabeça completamente raspada. Ele explicou a todos que fizera aquilo simplesmente por que estava cansado de ter que sempre pentear os cabelos. Foi também nessa época que Billy passou a usar uma camisa desenhada por ele mesmo: toda preta, com uma estrela e a palavra “Zero” na frente. Seu figurino completou-se com uma calça prateada, e, sempre que perguntado sobre esse seu visual, que ele usaria durante quase toda a turnê que viria a seguir, ele se limitava a dizer: “It’s all art”.

Em dezembro, o namorado de uma das irmãs de D’arcy roubou de sua casa fitas que possuiam material inédito do Pumpkins. Ele as vendeu e o material foi amplamente distribuído pela internet. Fora esse incidente, o mês transcorreu normalmente, com as vendas de Mellon Collie and the Infinite Sadness aumentando cada vez mais e surpreendendo até mesmo os integrantes do Pumpkins.

Para fechar o ano, a banda fez um show na França, sendo apresentada ao público por David Bowie. David e Billy participaram de uma entrevista juntos após o show, e, depois disso, o Smashing Pumpkins voltou para Chicago para filmar o vídeo da canção 1979. Billy afirma ter gostada muito do resultado: o clip transmite bem o clima de nostalgia que a letra da música expõe.

1996 começou e a banda partiu para sua turnê mundial logo no dia 2 de janeiro. As primeiras datas nos EUA foram marcadas por alguns shows acústicos, mas depois a banda partiu para shows convencionais. Eles projetavam cada apresentação para cerca de 1.000 a 1.500 pessoas, e o setlist durava em geral cerca de três horas. O Pumpkins tocava a música Tonight, Tonight com trechos do filme “Viagem à Lua”, filmado em 1902 por George Méliès, passando em uma tela no fundo do palco, e surpreendia sempre na hora que tocavam Silverfuck (do disco Siamese Dream), com improvisações que chagavam a durar quase meia hora. No dia 22 de janeiro, saiu o segundo single de Mellon Collie and the Infinite Sadness, 1979. A faixa The Boy, escrita por James Iha, apareceu nesse single. Vale notar também que na capa D’arcy não aparece ao lado da banda: a quarta integrante é Stevie Nicks, do Fletwood Mac. A faixa-título, que acabara de ganhar seu clip, foi uma das últimas a serem escritas por Corgan, e para muitos é uma amostra da transição que a banda sofreria a partir de Mellon Collie and the Infinite Sadness, com influências eletrônicas e ritmos mais cadenciados marcando sua obra. Para Billy Corgan, 1979 é uma das melhores canções do novo disco. No fim de janeiro, a banda participou do festival Hollywood Rock no Rio de Janeiro.

Em fevereiro, a banda partiu para a parte asiática de sua turnê, com os shows começando no dia 19 em Osaka, Japão. A banda de abertura era o Filter. No dia 29, Jonathan e Jimmy cometeram o primeiro abuso mais sério com drogas. Billy Corgan deu a eles um ultimato, que parece não ter sido levado a sério por ambos. Esse envolvimento com as drogas teria um desfecho trágico para o tecladista dali alguns meses.

Em março, Mellon Collie and the Infinite Sadness recebeu seu sexto disco de platina, referente à impressionante marca de 6.000.000 de cópias vendidas nos EUA. No dia 19, o Pumpkins foi obrigado a adiar algumas de suas apresentações na Nova Zelândia e na Austrália devido ao falecimento do pai de Jimmy Chamberlin. No dia 23 foi lançado o terceiro single de Mellon Collie and the Infinite Sadness: Zero. Esse era o mais longo de todos, com algumas b-sides e a faixa Pastichio Medley, um retalho de trechos de canções não aproveitadas pela banda.

Em março, alguns acontecimentos desagradáveis ocorreram com o Smashing Pumpkins. No segundo dia do mês, Jimmy e Jonathan abusaram novamente no consumo de drogas, em Lisboa. Billy Corgan adiantou ao tecladista que, ao final da turnê, ele seria despedido. No dia 11, em um show em Dublin, a adolescente de 17 anos Bernadette O’Brien foi esmagada pelo público ensandecido durante a música Bullet of Butterfly Wings. Ela ainda chegaria viva ao hospital Dublin’s Mater, mas não resistiria aos ferimentos internos sofridos. Nesse mesmo acidente, quatro outros fãs sofreram lesões, mas felizmente sobreviveram. O Pumpkins mandou flores no funeral da garota, além de uma carta de condolências à família. Em respeito a ela, o show agendado para acontecer em Belfast foi adiado.

No dia 19 de maio, foi ao ar nos EUA o episódio do desenho “Os Simpsons” em que o Smashing Pumpkins contracena com Sonic Youth, Homer e sua aloprada família. A banda havia gravado suas falas algumas semanas antes, tendo concordado em participar pois acharam que seria uma experiência muito engraçada e interessante. E estavam completamente certos!

Em junho, o Pumpkins lançou o quarto single, Tonight, Tonight, derivado de seu mais recente álbum. A música-título teve o seu clipe lançado nessa mesma época. Este vídeo é baseado no filme mudo “Viagem à Lua” de George Méliès, e foi dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Farris. Nessa época, Billy já havia revelando em várias entrevistas que a banda estava planejando lançar um box set contendo todos os singles de Mellon Collie and the Infinite Sadness lançados até o momento, além de outros b-sides e raridades. No dia 25, começou em Michigan a segunda parte americana da turnê do Pumpkins, com o Garbage (banda cujo baterista é Butch Vig) abrindo alguns shows.

No dia 11 de julho, Jonathan e Jimmy cometeriam mais um abuso com as drogas, sendo que para o tecladista este seria o último. Após uma exagerada mistura de bebida com heroína, Jonathan Melvoin, de 34 anos, sofreu uma overdose e faleceu no Manhattan Regency Hotel. Jimmy Chamberlin estava com ele, e estava consciente o suficiente para discar 911. O resto da banda estava hospedada em outro hotel, e um dos empresários de turnê, Tim “Gooch” Lougee, os avisou por telefone para comparecerem diretamente ao 19º Distrito de Polícia. Jimmy foi indiciado por porte de subtâncias proibidas e seu julgamento agendado para o dia 13 de agosto.

Em respeito ao falecimento de Melvoin, o Pumpkins adiou alguns shows marcados para o Madison Square Garden em Nova Iorque. Mesmo assim, seus integrantes acabaram não sendo convidados pela família de Jonathan para o funeral.

Em um comunicado oficial no dia 17, a banda anunciou à imprensa que acabara de despedir Jimmy Chamberlin. Billy fez questão de dizer que eles continuavam amigos, mas infelizmente o vício de Jimmy tornava a situação insustentável, e sua saída do Smashing Pumpkins seria melhor para todos, principalmente para o baterista, que teria o tempo necessário para uma tentativa de reabilitação. A banda revelou também que procuraria um baterista para acompanhá-los no resto da turnê, prevista para continuar em agosto.

Durante essa interrupção, Billy Corgan já se achava apto novamente a entrar em estúdio para a gravação de um novo disco. Afinal, desde o término das gravações de Mellon Collie and the Infinite Sadness, ele já estava imaginando e compondo canções, que seriam bem diferentes de tudo aquilo que o Pumpkins já fizera antes. Eles inicialmente resolveram trabalhar como um trio, e dessa experiência nasceram as músicas To Sheila, Ava Adore e Daphne Descends, gravadas com uma bateria eletrônica. Mas essas sessões iniciais acabaram sendo ignoradas pela banda, pois, de acordo com o próprio Billy Corgan, “elas pareciam mais demos”.

A primeira performance de Billy após a morte de Melvoin foi em uma jam com o Cheap Trick no dia 21 de julho. D’arcy e James resolveram, na época, se dedicar por um tempo à Scratchie Records, selo formado por eles algum tempo antes. E, para fechar um pouco mais positivamente o trágico mês de julho, a MTV anunciou no dia 31 que o Smashing Pumpkins havia sido indicado para oito prêmios do Video Music Awards.

O mês de agosto começou com a banda fazendo testes para encontrar o baterista que iria terminar a turnê interrompida no mês anterior. No dia 6, foi anunciado que Denis Flemoin seria o tecladista provisório, e, dois dias depois, Matt Walker, do Filter, assumiu a bateria. O Pumpkins começou a ensaiar com os dois novos integrantes logo depois disso, planejando continuar a turnê a partir do dia 27. No dia 13, Jimmy Chamberlin se apresentou à Corte Criminal de Manhattan, onde seria sentenciado a se internar em uma clínica de reabilitação. No dia 23, o Pumpkins fez uma aparição especial, a primeira depois da morte de Melvoin, no Cabaret Metro, em Chicago. A divulgação desse evento foi feita apenas no dia anterior, e mesmo assim o local ficou lotado. Novamente, toda a arrecadação foi doada a uma instituição beneficiente, Christmas Is For Kids. A performance do baterista Matt Walker foi bastante elogiada.

No dia 27, a Virgin Records anunciou o sétimo disco de platina de Mellon Collie and the Infinite Sadness. No Canadá, o disco já tinha nove discos de platina.

Em setembro aconteceu o MTV Video Music Awards, no dia 4. A banda ganhou sete prêmios, seis referentes ao clip de Tonight, Tonight e um ao clip de 1979. Eles tocaram na festa de premiação e concederam uma longa entrevista à MTV. Um dia depois, a banda anunciou que lançaria em breve o box set Aeroplane Flies High, composto por cinco discos contendo material dos singles e cinco covers gravados especialmente para esse lançamento.

Em outubro, Jimmy foi indiciado por mal-comportamento diante da juíza Donna Recant, em seu julgamento no mês de julho. Decidiu-se que ele deve estar completamente reabilitado até dezembro, caso contrário deveria cumprir uma pena de 15 dias na prisão. Noticiou-se também que Jimmy estaria formando uma banda ao lado de Sebastian Bach (Skid Row), Kelly Deal (Breeders) e Jimmy Flemoin (Frogs). Enquanto isso, o Pumpkins gravou duas canções para a trilha sonora do filme “A Estrada Perdida” (“The Lost Highway”(, de David Lynch. As músicas se chamavam Eye e Tear, e só a primeira foi escolhida para a trilha sonora. Tear iria figurar apenas no próximo disco da banda.

Em novembro, no dia 12, o Pumpkins lançou o quinto single de Mellon Collie and the Infinite Sadness, Thirty-Three. Mais uma música de James Iha apareceu neste disco: The Bells. Dois dias depois, o Pumpkins ganhou mais um prêmio, desta vez na MTV European Music Awards. No dia 26, foi lançado finalmente o box set Aeroplane Flies High. Os cinco discos eram basicamente os cinco singles lançados para Mellon Collie and the Infinite Sadness, acrescidos de algumas faixas bônus. No mesmo dia foi lançada a trilha sonora do filme “O Preço de um Resgate” (“Ransom”). Este disco possui seis faixas, das quais cinco instrumentais, compostas por Billy Corgan e gravadas com o auxílio de Matt Walker. Pra terminar novembro, Sebastian Bach anunciou que o projeto com Kelly Deal, Jimmy Flemoin e Jimmy Chamberlin finalmente saiu do papel. O nome da banda era The Last Hard Men, e eles estavam esperando Jimmy se recuperar para gravar um single, que se chamaria School’s Out.

O começo de dezembro marcou a saída de Jimmy Chamberlin do centro de reabilitação, e a sua integração ao The Last Hard Men. No dia 29, Chris Fabian, esposa de Billy Corgan, pediu o divórcio. Ela deu entrada aos papéis exigidos alegando “diferenças irreconciliáveis” entre eles. Boatos dão conta de que o casal já estava separado informalmente nos seis meses anteriores.

No dia 7 do primeiro mês de 1997, a banda recebeu sete indicações ao Grammy. No dia 9, Billy participou da festa de 50 anos de David Bowie, se juntando ao aniversariante em duas músicas no palco do Madison Square Garden, em Nova Iorque. No dia 25 saiu o divórcio de Billy Corgan. Ele já estava, inclusive, com uma nova namorada, Yelena Yemchuk. No dia 27, a banda ganhou mais um prêmio, dessa vez pelo American Music Awards. A banda não pôde comparecer no evento para receber o prêmio devido a conflitos de datas com sua turnê, que finalmente estava chegando ao fim. Ainda em janeiro, a banda anunciou que iria participar de mais uma trilha sonora, dessa vez para o filme “Batman & Robin”.

Em fevereiro terminou a extensa e exaustiva turnê de promoção do disco Mellon Collie and the Infinite Sadness. Foram 165 shows em 14 meses, cobrindo cinco continentes. O último show aconteceu em New Orleans, no dia 5. Depois disso, Billy Corgan participou da produção de um disco de Ric Ocasek, Troubilizing, chegando inclusive a tocar guitarra em várias faixas. No dia 26, o Pumpkins ganhou apenas um dos prêmios para os quais foi indicado na 39ª edição do Grammy Awards. Nesse evento, a banda tocou 1979 com a participação especial de Chris Vrenna, do Nine Inch Nails, na bateria. Em março a banda anunciou que iria fazer uma pequena turnê de verão pela Europa.

Em abril, Billy Corgan foi escolhido o “segundo artista mais criativo do rock comtemporâneo” pela revista Spin. Foi nessa época que a canção The End is the Beggining is the End chegou às rádios americanas, antes ainda de ser lançada a trilha sonora do filme “Batman & Robin”. Seu clipe começou a passar na MTV no mês posterior, e a banda lançou um single com essa música no mês de junho. No dia 14, a banda rejeitou uma proposta da MTV para fazer um show acústico.

Em junho e julho, a banda realizou a turnê de verão na Europa anunciada dois meses antes, tocando em países como a Inglaterra e República Tcheca. Ao final dessa curta passagem pela Europa, James Iha entrou em estúdio para gravar um álbum solo, que seria lançado no ano seguinte. O guitarrista convidou Matt Walker para tocar bateria em seu debut solo, além de vários outros músicos que faziam parte do cast do seu selo, a Scratchie Records. Enquanto isso, sua sócia gravou a canção Tonight’s the Night junto com Kelly Deal, para ser lançada em um tributo ao cantor Rod Stewart. Para terminar o mês de julho, novas indicações para o Pumpkins na nova edição do MTV Video Music Awards, todas referentes ao clip de The End is the Beggining is the End.

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A Mudança (1997 a 1998)

“So far I still know who you are
But now I wonder who I was”
 — Perfect (Adore)

As declarações de Billy Corgan de que a banda iria sofrer mudanças em seu direcionamento deixaram muitos fãs preocupados. Ele nunca escondeu o fato de que admirava a música eletrônica, e queria fazer algo nesse sentido. Mellon Collie and the Infinite Sadness encerrou um período na história do Smashing Pumpkins, e, de acordo com as palavras do próprio Billy Corgan, foi o último disco do “Smashing Pumpkins como as pessoas o conhecem.” Para completar, ele dizia também que “existe um tipo de som rodeando a minha cabeça”. James Iha tentava acalmar os fãs mais ardorosos, dizendo que eles não iriam virar uma banda de “dance music”, apenas utilizariam algumas influências eletrônicas para tornar sua música mais rica e experimentar novas sonoridades.

Em agosto de 1997, a banda voltou aos estúdios para começar então a nova fase tão alardeada por Billy Corgan. O local escolhido foi o Chicago Trax Recording, e o produtor contratado foi Brad Wood, que já havia trabalhado com Liz Phair e o Red Red Meat. Na verdade, Brad produziria apenas cinco músicas do novo álbum e logo a banda decidiria afastá-lo, pois seu jeito de trabalhar não estava agradando-os. O próprio Billy Corgan produziria o resto das canções.

Em setembro, o Pumpkins não venceu em nenhuma categoria para a qual seu vídeo de The End is the Beggining is the End estava concorrendo. Enquanto a banda trabalhava no estúdio, duas notícias divulgadas pela imprensa valem ser relatadas: a primeira garantia que Billy Corgan havia tomado a decisão de não trabalhar mais com computadores e fazer do novo álbum um trabalho completamente acústico. O futuro mostraria que eles estavam certos em parte. E a outra notícia foi sobre um assassinato de um garoto de 11 anos em Nova Iorque, cometido por um outro garoto, de 15 anos. O que isso tem a ver com o Pumpkins? Sam Manzie, o pequeno assassino, era fanático pela banda e isso foi motivo suficiente para a imprensa tentar de alguma maneira ligar o Pumpkins ao crime. Típico.

Em outubro, a banda participou do Bridge School Benefit, tocando em duas noites (dias 18 e 19). Este festival é organizado por Neil Young e tem sua renda sempre revertida para instituições que cuidam de deficientes físicos. No show do dia 18, o Pumpkins apresentou duas novas canções, To Sheila e Ava Adore, e, no final dessa apresentação, a banda recebeu no palco Marilyn Manson e Twiggy Ramirez, para juntos tocarem a música Eye e Beatiful People. No dia 19, foi apresentada pela primeira vez a canção Behold! The Nigtmare, e no final, John Popper, do Blues Traveler, subiu ao palco e junto com o Pumpkins tocou Porcelina of the Vast Oceans.

Em novembro, o Pumpkins abriu dois shows para outras bandas: uma no dia 1º, no Texas, para o Rolling Stone, e outra no dia 3 para o Jane’s Addiction, que estava fazendo uma turnê especial de reunião, em Chicago. Na metade do mês, Matt Walker comunicou a Billy Corgan que que estava deixando o Pumpkins para formar sua própria banda, o Cupcakes, que havia acabado de conseguir um bom contrato com a Dreamworks. Seu último show foi no dia 5 de dezembro, quando a banda abriu novamente para o Rolling Stones em Miami.

Em dezembro, Matt Cameron (ex-Soundgarden, atualmente no Pearl Jam) se juntou ao Pumpkins para as novas sessões de gravação do novo disco. O estúdio escolhido foi o Studio A, em Los Angeles. Apesar de Matt tocar em sete canções, apenas uma entraria no novo disco, For Martha, que já havia sido tocada em shows anteriores.

Em janeiro de 1998, Billy Corgan revelou que a banda já tinha mais de 20 músicas gravadas, e outras ainda estavam sendo trabalhadas. Ele disse também que definia o novo trabalho do Pumpkins como “música noturna arcana” (“arcane night music”).

Em fevereiro, no dia 10, foi lançado o disco solo de James Iha, Let It Come Down. O álbum foi produzido por Jim Scott, que já havia trabalhado com Tom Petty e Jewel. James participou de alguns programas de rádio e fez pequenas apresentações para promover seu álbum. No dia 11, um novo baterista se juntou ao Pumpkins: Joey Waronker, que tocava na banda de Beck. E, no dia 26, a banda ganhou um prêmio na nova edição do Grammy Awards, pela música The End is the Beggining is the End.

Em abril, o Pumpkins anunciou que o experiente Kenny Aronoff seria o baterista da banda na turnê de divulgação do novo disco. Joey Waronker, que gravou quatro faixas para o disco, recebeu o convite, mas achou a proposta financeira muito baixa, e por isso não aceitou. Além de Kenny, o Pumpkins anunciou que a multi-instrumentista Lisa Germano iria acompanhá-los também nessa turnê.

Em maio, terminadas as gravações, a banda passou boa parte de seu tempo ensaiando com Kenny e se preparando para a turnê prestes a começar. Nesse mês, o Pumpkins foi também para Londres gravar o primeiro vídeo do novo disco, para a canção Ava Adore. Billy Corgan estava planejando tocar o álbum inteiro em cada apresentação, justificando da seguinte maneira: “Então nós não simplesmente tocamos o disco da mesma maneira. Cada música é re-interpretada a cada noite. É muito espontâneo e tem muita beleza, muita alma, muita escuridão”.

Corgan recrutou mais outros músicos para a turnê: dois percussionistas (Dan Morris e Stephen Hodges, sendo que o último já havia trabalhado com Tom Waits) e um tecladista (Mike Garson, que já havia trabalhado com Trent Reznor e David Bowie). No dia 18 foi lançado o primeiro single, Ava Adore, que veio ainda com as faixas Czarina e Once in a While. No fim do mês, uma baixa: Lisa Germano desistiu de tocar com a banda em sua turnê.

No dia 1º de junho, o vídeo de Ava Adore estreiou na MTV, e, no dia seguinte, Adore, o quarto disco do Smashing Pumpkins, foi lançado. Esse é sem dúvida alguma o álbum mais difícil da banda. Ele possui um clima gótico, com canções soturnas e sons eletrônicos na maioria das faixas. Billy, nas tradicionais entrevistas sobre a nova obra, costumava dizer o seguinte: “Eu não estou mais falando para adolescentes. Eu estou falando para todo mundo agora. É um diálogo mais amplo. Eu estou falando com as pessoas que são mais velhas que eu e mais novas que eu, e com a nossa geração também”. Sobre a mudança de sonoridade, ele dizia: “Somos nós dizendo adeus ao que eu considero rock’n’roll. Qualquer que tenha sido o rock’n’roll da nossa geração. Além dos três bateristas diferentes, houve outras participações especiais: Bon Harris cuidou da parte eletrônica de várias músicas e os irmãos Jimmy e Dennis Flemoin, do The Frogs, fizeram alguns backing vocals. Mas as canções foram todas escritas e compostas Billy Corgan, D’arcy e James Iha - “como no princípio da banda”, lembra Corgan. No dia 8, a banda anunciou que iria fazer uma pequena turnê pelos EUA chamada “An Evening With the Smashing Pumpkins”. Eram 14 shows cujas suas rendas foram revertidas para instituições de caridade. A pequena turnê começou em San Francisco, no dia 30 de junho. Logo após essa série de apresentações, o Pumpkins partiu para sua turnê mundial.

No dia 8 de julho, Adore recebeu seu primeiro disco de platina. ,E a partir desse ponto, as vendas começaram a cair, não correspondendo às expectativas da banda, que esperava que os fãs acompanhassem e aprovassem as mudanças que estavam acontecendo com o conjunto.

No dia 8 de agosto, Billy Corgan apareceu no programa Howard Stern Show. Lá ele revelou estar trabalhando junto com Courtney Love no novo disco do Hole, Celebrity Skin. Durante a entrevista, Howard Stern confessou a Billy Corgan que tinha ficado decepcionado com o novo disco do Pumpkins, e Billy respondeu sem titubear que estava decepcionado com os fãs. Isso acabou gerando discussões calorosas nas listas de discussão na internet. Em entrevistas posteriores, Billy tentou se explicar: “A essa altura, os fãs deveriam ter fé e confiança o suficiente em nós assim como eu tenho fé e confiança nas bandas que eu admiro. Se eles não têm, não são fãs”. Enquanto isso, as vendas continuavam a cair e, em 9 semanas, Adore já havia saído da lista dos 40 mais vendidos da Billboard, sendo que ele havia estreado logo na segunda posição. Billy Corgan estava muito decepcionado, mas não se deixava abater: “Nós já provamos que todos estavam errados antes. Nós vamos provar de novo”. No dia 16, o segundo vídeo para o novo disco, Perfect, estreiou na MTV. Ele foi dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Ferries, que já haviam dirigido o clipe de 1979. Ainda em agosto, a banda se apresentou no Brasil, com um show em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Em setembro, no dia 7, foi lançado o segundo single de Adore, Perfect. Existem três versões desse disco: uma com a música Summer, assinada por James Iha, outra com uma versão remixada da canção Daphne Descends>,> e outra com a própria Perfect remixada. No dia seguinte, foi lançado o disco Celebrity Skin do Hole, disco que tem algumas músicas compostas e produzidas por Billy Corgan, como Malibu, Petals e Aweful. No dia 25, o Pumpkins apareceu no Saturday Night Live, onde eles tocam o hit Perfect. Billy participou de um quadro onde ele implora que a atriz Cameron Diaz dance com ele.

Em novembro, no dia 13, a banda cortou relações com a empresa que cuidava dos negócios do Smashing Pumpkins, a Q Prime. Billy Corgan alegou que havia muitas diferenças entre eles, e disse também que já fazia tempo que as relações estavam tensas. Eles estavam, a partir de então, procurando por um novo empresário.

Em dezembro, em uma entrevista para a revista Rolling Stone daquele mês, Billy Corgan revelou que não gostara de nenhum disco de rock lançado em 1998, e disse também que já estava compondo novas canções para um novo disco do Smashing Pumpkins. Enigmaticamente, ele afirmou que o novo disco do Pumpkins iria soar como o Mountain. Muitos fãs se animaram e viram aí uma possibilidade de a banda voltar às suas raízes. No dia 12, Billy Corgan fez uma apresentação solo para a rádio KROQ, em um programa chamado Almost Acoustic Christmas Show. Ele cantou duas novas músicas, além de apresentar pela primeira vez ao vivo a canção Rotten Apples, que saiu originalmente no single de Tonight, Tonight.

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A Volta das Guitarras (1999 a 2000)

“You know I’m not dead
I’m just living in my head”
 — The Everlasting Gaze (Machina / The Machines of God)

1999 começa com o Pumpkins procurando por um novo empresário e descansando após finalizada a turnê mundial de divulgação do disco Adore. Boatos de que a banda estava prestes a entrar no estúdio para gravar um novo álbum estavam se espalhando rapidamente, mas nada era oficial.

Em fevereiro, novamente a indústria de boatos entrou em ação, enquanto o Pumpkins não dava sinais de vida: muitos diziam que Jimmy Chamberlin estava reassumindo as baquetas do Pumpkins. Outra notícia bastante difundida dizia que Billy Corgan, D’arcy e James haviam entrado em um estúdio e já tinham cerca de 40 músicas prontas para o novo disco, sendo que uma delas seria aproveitada na trilha sonora do filme “Stigmata”. O Pumpkins continuava sem se pronunciar, e sabia-se somente que eles tentariam divulgar o mínimo possível seus próximos passos.

Em março, James Iha e Adam Schlesinger (líder do Fountains of Wayne) formaram uma sociedade e inauguram um estúdio chamado Stratosphere Sound. A primeira banda a gravar material lá foi o Fulflej, que faz parte do cast da Scratchie Records. No final do mês, Billy Corgan participou de um show beneficiente ao lado de seu pai, guitarrista de jazz, no Metro, em Chicago. E, junto com o Pumpkins, Billy confirmou uma pequena turnê de oito shows em pequenas casas noturnas dos EUA. Fontes na Internet garantiam que esse pequeno giro serviria de teste para o novo material que a banda supostamente havia gravado, além de marcar o retorno de Jimmy Chamberlin.

Em abril, os boatos se confirmaram: Billy Corgan anunciou que Jimmy estava se juntando mais uma vez ao Smashing Pumpkins, fazendo sua re-estréia na pequena turnê que estava para começar no dia 10, em Michigan. E, depois de inaugurar seu site oficial (http://www.smashingpumpkins.com), o Pumpkins voltou à ativa, apresentando nessa turnê — que se extendeu até o fim de maio — várias músicas inéditas.

Em junho, o recém-inaugurado site oficial do Pumpkins noticiou que Billy Corgan e Mike Garson, tecladista da banda de David Bowie, escreveram várias músicas para a trilha sonora do filme “Stigmata”, uma delas chamada Identify, que já tinha sido gravada pela cantora Natalie Imbruglia. E também foi nesse mês que finalmente o Pumpkins resolveu tornar clara sua situação: cerca de 60% do novo álbum, ainda sem previsão de lançamento, já estava concluído, e o produtor escolhido era novamente Flood.

Em julho, no dia 14, Billy a James participaram de um bate-papo com fãs do mundo todo através de seu site oficial. Na metade do mês, a Virgin Records anunciou que o novo disco do Smashing Pumpkins estava programado para ser lançado em fevereiro do ano 2000.

Em agosto, a banda passou grande parte do tempo em Chicago gravando as novas músicas. Poucas informações eram passadas para a imprensa, mas já se sabia que a sonoridade seria bem diferente daquela adotada em Adore. Para muitos, o principal motivo dessa possível volta às raízes era fruto da volta de Jimmy à banda. O próprio Billy Corgan dava pistas sobre o novo disco ao falar sobre a reintegração do baterista: “Quando o Jimmy saiu, nós não éramos mais o Smashing Pumpkins, então nós não tentamos o ser. Então ele voltou e nós literalmente voltamos bem para onde tínhamos ficado, porque é algo que tem a ver com as quatro pessoas”. Ainda em agosto, Billy arranjou tempo para participar das gravações das músicas da trilha sonora de “Stigmata”.

No dia 9 de setembro, uma notícia divulgada pela própria banda chocou os fãs: a baixista D’arcy acabara de sair do Smashing Pumpkins. Billy e James faziam questão de dizer que: a banda não estava se separando; a volta de Jimmy não tinha nada a ver com a decisão de D’arcy; e o novo disco, que já havia sido quase que totalmente finalizado, não sofreria nenhuma alteração, nem mesmo em sua data de lançamento (inicialmente, 15 de fevereiro de 2000). As razões para a saída de D’arcy não foram imediatamente divulgadas, o que resultou em muitos boatos na Internet, mas hoje sabe-se que a baixista saiu da banda simplesmente por estar cansada da vida de rock star. D’arcy queria se dedicar à Scratchie Records, passar mais tempo em sua fazenda e também fazer cinema.

Em outubro, o Pumpkins finalmente contratou um novo empresário. Na edição do dia 9 do Los Angeles Times, foi noticiado que Sharon Osbourne, esposa de Ozzy Osbourne, havia sido contratada para trabalhar com o Smashing Pumpkins. Sharon desde cedo se viu no meio burocrático do rock. Seu pai, Don Arden, foi empresário do Black Sabbath durante um bom tempo, e a própria Sharon é tida por muita gente como a responsável pelo sucesso da carreira solo de Ozzy (e, talvez, pelo fato de Ozzy estar ainda vivo). Sharon também é responsável pelo festival itinerante Ozzfest, além de administrar a carreira de várias outras bandas.

No dia 19 de novembro, o Pumpkins ofereceu uma audição especial de seu novo disco (ainda sem nome confirmado) para alguns executivos da Virgin e alguns poucos amigos próximos. Todos ficaram bastante empolgados com o novo trabalho, que teve seu lançamento adiado para o dia 29 de fevereiro. E, depois de finalmente cobrir o posto de empresário da banda, em novembro o Pumpkins achou uma nova baixista: no dia 25, foi anunciado que Melissa Auf Der Maur (que tocava no Hole e havia se desligado da banda de Courtney Love na mesma época que D’arcy deixou o Pumpkins) estava se juntando a Billy, James e Jimmy. Também em novembro foram divulgadas as datas da turnê mundial que a banda estava prestes a iniciar para divulgar o novo disco, que permanecia sem título.

No começo de dezembro, apareceu a primeira música do novo disco do Pumpkins nas rádios. The Everlasting Gaze surpreendeu muitos fãs devido às suas guitarras pesadas e ritmo contagiante. A letra da canção não poderia ser mais sintomática: basta dizer que a primeira frase cantada por Billy é “You know I’m not dead”. No dia 20, o Pumpkins liberou The Everlastig Gaze para ser copiada pela internet, e anunciou também que o primeiro single de seu novo disco seria lançado no mês seguinte e se chamaria Stand Inside Your Love.

O ano 2000 começou e o Pumpkins passa janeiro praticamente inteiro fazendo shows pelo mundo. No dia 11, Sharon Osbourne disse à imprensa que não iria mais trabalhar com o Smashing Pumpkins, devido a problemas de relacionamento com Billy Corgan. Ela chegou a dizer em algumas entrevistas que “foi com grande orgulho e entusiasmo que eu assumi a administração do Pumpkins em outubro, mas infelizmente eu tenho que sair agora por motivos médicos – Billy Corgan estava me deixando doente!!”. Dali a dois meses, o Pumpkins processou Sharon alegando quebra do contrato assinado entre eles no dia 4 de outubro de 1999. Ainda em janeiro, apareceram muitos boatos pela internet dando conta de que a banda iria acabar depois do lançamento de seu novo trabalho, que, a essa altura, já possuia título e faixas conhecidos. O quinto álbum de estúdio do Pumpkins se chamaria Machina / The Machines of God.

No dia 25 de janeiro, a ex-baixista do grupo, D’arcy, foi presa em Chicago com a posse de três bolsas contendo crack. Ela estava acompanhada de um amigo chamado Tony Young, que acabou sendo inocentado. D’arcy foi liberada após ser informada de que teria que comparecer ao Chicago Court Branch no dia 14 de fevereiro.

Em fevereiro, após seu julgamento, D’arcy foi setenciada a passar dois meses em uma clínica de reabilitação para viciados. Depois de feito esse tratamento, se ele fosse bem sucedido, as acusações de posse de drogas contra ela seriam retiradas (privilégio sempre concedido aos réus primários). No dia 23, o Smashing Pumpkins rompeu relações com a Virgin Records. Billy Corgan dizia estar cansado de ser um “servente ligado por um contrato”. A Virgin estava estudando nessa época uma possível união com a EMI, outra gigante da indústria fonográfica mundial. E finalmente, no dia 29 de fevereiro, foi lançado Machina / The Machines of God. O novo disco do Pumpkins entrou direto na terceira posição no Billboard Top 200. A banda começou oficialmente a “The Sacred and the Profane Tour” para divulgar seu mais recente trabalho ao redor do mundo.

O mês de março foi praticamente todo dedicado a shows pelos EUA. A reação do público ao novo disco foi extraordinária. A banda pareceu ter encontrado o equilíbrio perfeito entre as guitarras de Mellon Collie and the Infinite Sadness e a delicadeza de Adore. Em abril, foi anunciado que o Pumpkins iria participar da Summersault 2000, um festival no Canadá ao lado das bandas Our Lady Peace e Foo Fighters.

Com os clips de The Everlasting Gaze e Stand Inside Your Love fazendo muito sucesso, as vendas de Machina / The Machines of God indo muito bem e as apresentações ao vivo sempre lotadas, a banda de Billy Corgan parecia ter voltado à sua grande fase, sendo novamente quase uma unanimidade entre público e imprensa. Tudo parecia correr muito bem, com os fãs e a banda uma vez mais em sintonia.

Mas alguns mistérios se escodiam nas belas ilustrações do encarte de Machina / The Machines of God. Os próximos meses guardavam muitas surpresas sobre o futuro do Smashing Pumpkins, boas e más notícias reveladas em um pequeno espaço de tempo e que nenhum fã estava esperando.

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O Começo do Fim (2000 a 2001)

“Crossroads outside of town
The heartbroken faces shine
The city lights so far and dull
Turning left, I know it’s time”
 — Home (Machina II / The Friends and Enemies of Modern Music)

No dia 19 de maio de 2000, uma boa notícia: D’arcy conseguiu se livrar das acusações de porte de drogas, devido ao sucesso no centro de reabilitação ao qual havia sido submetida pela justiça. Mas, quatro dias depois, a pior notícia que um fã do Smashing Pumpkins poderia ter vira realidade. No dia 23 de maio, Billy Corgan deu uma entrevista bombástica para a rádio americana KROQ, sediada em Los Angeles, dizendo que, ao final da “Sacred and Profane Tour”, o Smashing Pumpkins iria encerrar suas atividades. “Nós estamos no fim da nossa estrada emocionalmente, espiritualmente e musicalmente”, disse ele. “Nós achávamos que nós contaríamos às pessoas quando o disco saísse, mas, agora que o disco saiu, está tudo bem. Corgan contou mais detalhes sobre essa decisão, deixando claro que era algo já definido por ele há bastante tempo. “Nós só queríamos gravar mais um disco, não porque Adore teve uma recepção fraca, mas apenas para nos reconectarmos com o nosso público. Infelizmente não funcionou desse jeito com a D’arcy, mas… é mais uma questão de completar o ciclo e deixar as coisas com um tom positivo.”

“Não há nada de errado dentro da banda, mas do jeito que a cultura está e tudo mais, é difícil continuar tentando lutar contra as Britneys”, disse também Corgan nessa entrevista, ao tentar explicar que não houvera nenhuma briga entre os integrantes da banda, e também mostrando sua insatisfação com a música e a indústria fonográfica dos dias atuais.

Foi uma bomba para os milhões de fãs ao redor do mundo. Corgan disse também que quem acompanhava bem as letras da banda e prestou atenção às canções de Machina / The Machines of God sabia que a banda estava apenas esperando o momento certo de anunciar seu fim. Com isso, não demorou muito para aparecerem ainda mais teorias e boatos sobre as ilustrações e sobre a história por trás desse último disco do Pumpkins. Corgan, misteriosamente, não confirma e nem nega que realmente exista uma história ou mensagem por trás, não somente de Machina / The Machines of God, como também de todos os discos da banda. E não dá para negar que, na ilustração chamada “Plate XII - In all things the symbols reign supreme” de “Machina / The Machines of God”, existe algo, no mínimo, curioso: o número 23, rabiscado embaixo de um número 5, que para muitos é uma alusão à data que Corgan anunciou o fim (23/05). E, nessa mesma figura, está escrita a seguinte frase: “To finish when seven is one”. Alguém aí lembrou que “Machina / The Machines of God” é o sétimo trabalho oficial lançado pelo Smashing Pumpkins? As ilustrações desse disco seguem-se parecendo realmente descrever a carreira do Pumpkins em ordem cronológica.

Deixando de lado todos esses mistérios, o fato é que a banda não começou o milênio junta. Ainda nessa entrevista, Corgan deu várias outras declarações importantes, como ao dizer que realmente ainda não sabia o que iria fazer, apesar de ter certeza que logo estaria no meio musical novamente. E também garatiu que existiam ainda muitas sobras de estúdio, não só das seções de gravação de Machina / The Machines of God, como também dos discos anteriores, dando pistas que a banda planejava lançar isso de algum jeito antes de se separar, possivelmente sob a forma de uma continuação de Machina / The Machines of God.

O Pumpkins continuou sua turnê mundial — ainda haviam datas no Japão, Europa e Canadá, além de apresentações em programas de TV dos EUA — e depois, possivelmente em julho, entrariam no estúdio para dar um retoque final em algumas canções antes de lançá-las.

Pela internet, ao mesmo tempo que surgim as teorias sobre o mistério envolvendo o último disco da banda e seu encarte, apareciam também declarações de fãs ardorosos do Pumpkins, sejam implorando a Billy Corgan para que ele voltasse atrás, ou agradecendo-o pela música que o Pumpkins produziu em sua mais de uma década de existência.

Em julho, através de seu site oficial, a banda anunciou que já estava em Chicago trabalhando em várias músicas para serem lançadas em um dos últimos trabalhos do Smashing Pumpkins, ainda sem data para ser lançado. Sobre isso, Corgan disse: “Às vezes é difícil lembrar o que nós estávamos pensando ou fazendo em um dado momento, porque não mexemos em algumas dessas músicas por mais de um ano, mas agora é o momento certo, porque depois que a banda se separar não é o tipo de coisa que você vai querer tentar terminar daqui a 10 anos, então nós fomos em frente e lançamos um penúltimo box set.” Corgan também fazia referências a “todos os códigos secretos de alquimia do Machina”, deixando os fãs ainda mais curiosos e os debates pela internet ainda mais acirrados. A banda ainda não sabia se esse penúltimo lançamento seria um box set, um disco duplo ou um disco simples. Quem sabe, nenhuma dessas alternativas.

Em julho, a banda anunciou que lançara no dia 11 de setembro mais um single para Machina / The Machines of God. Ele se chamava Try, try, try e, além da música-título, possuia a faixa Here’s to the Atom Bomb. O Pumpkins estava nesse momento em turnê pela Europa e, em uma entrevista, James Iha disse que, a exemplo do que dissera anteriormente Billy Corgan, ele não sabia o que iria fazer depois do fim da banda. “Eu não sei o que eu quero fazer pelo resto da minha vida. Soa deprimente. Quero dizer, o rock’n’roll é legal, mas no sentido grande, imortal, eu não quero olhar para trás e ser esse velhão rock’n’roll. Eu acho que tem mais na vida do que rock’n’roll”, disse ele. Em agosto, Corgan anunciou que iria vender sua casa em Chicago, aquela que ele havia comprado com parte do dinheiro que Gish lhe rendeu. Ele disse que a casa — construída no século passado — tinha um grande valor sentimental para ele, e fazia questão que seu novo dono cuidasse bem dela. “A casa está cheia de amor. Eu não acho que nada de ruim já aconteceu lá, e, sendo um artista, eu sou sensível a essas coisas”, disse ele em uma entrevista. A razão da mudança era simples: Corgan não tinha mais descanso lá, pois todos sabiam que aquela era a sua casa. Isso ocorreu principalmente depois que uma revista Chicago publicou uma foto da casa em 1995.

No dia 14, o Smashing Pumpkins inaugurou em seu site uma estação de rádio, que tocava músicas inéditas, b-sides e apresentações ao vivo. Logo depois, a banda partiu para o Canadá para participar do festival Summersault 2000. No dia 22, mais novidades no site oficial do Pumpkins: a banda disponibilizou o clip completo de Try, try, try, dirigido por Jonas Akerlund, para seus fãs assistirem. A versão que estava passando na MTV teve algumas cenas censuradas.

Em setembro, Corgan anunciou em uma entrevista que participaria de um tradicional programa americano chamado “Storytellers”, onde iria explicar para os fãs o significado de várias de suas letras. Ele dizia também que pretendia revelar no fim do ano todo o conceito envolvendo o disco Machina / The Machines of God, e, por fim, revelou que “há mais surpresas vindo, mais música, mais coisas, mais surpresas”.

E a maior surpresa após o fim da banda não demorou a acontecer. O Smashing Pumpkins liberou as únicas 25 cópias de seu último disco, Machina II / The Friends and Enemies of Modern Music. A banda cedeu essas cópias para amigos próximos e fã-clubes, pedindo que estes divulgassem, copiassem e distribuéssem pela internet o máximo possível, para que todos os fãs ouvissem. O Pumpkins, que não teve nenhuma ajuda da Virgin Records, produziu sozinho esse álbum, que consiste em três EPs de 10” e um LP duplo, em um total de 25 músicas. O efeito foi imediato: na mesma semana, vários sites começaram a disponibilizar as músicas para download. Corgan fez questão de dizer que Machina II / The Friends and Enemies of Modern Music não seria lançado oficialmente. Músicas inéditas, b-sides e versões diferentes de faixas que apareceram em Machina / The Machines of God fazem parte do tracklist do novo disco.

Em outubro, a banda anunciou as datas dos dois últimos shows: 29 de novembro e 2 de dezembro de 2000. Ambos os shows ocorreram em Chicago, cidade natal da banda, e foram apresentações carregadas de emoção, com Billy Corgan chorando copiosamente ao final do último show, enquanto o público ia à loucura, aparições especiais e setlists gigantescos — o último show durou cerca de 4 horas —, com várias músicas de todos os trabalhos da banda, jams e covers. A banda chegou finalmente ao fim depois de uma carreira brilhante que durou cerca de uma década e juntou milhões de fãs fanáticos.

Em 2001, algumas novidades: a Virgin anunciou, para o fim do ano, o lançamento de uma coletânea. Billy voltou aos estúdios para gravar uma participação no novo disco do New Order, Get Ready. Ele canta e toca guitarra na faixa Turn my Way. Em novembro, Billy e Chamberlin criaram o Zwan, ao lado de David Pajo e Matt Sweeney. Em dezembro, enquanto o Zwan já fazia os seus primeiros shows, a Virgin

lançou Rotten Apples, a coletânea do Smashing Pumpkins. Inicialmente, ele veio com o disco bônus Judas 0, com b-sides e músicas inéditas. Outros lançamentos vieram a seguir: o DVD The Smashing Pumpkins 1991-2000, que reúne todos os vídeos da banda, além de uma reedição do disco Earphoria e uma versão em DVD do vídeo Viewphoria.

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O Recomeço (2005 a hoje)

“All things change
Never rest, never sure”
 — All Things Change (TheFutureEmbrace)

O Zwan não durou muito tempo — um desentendimento entre Billy e os outros membros minou a banda. Corgan então investiu em seu primeiro disco verdadeiramente solo: TheFutureEmbrace saiu em junho de 2005 e foi recebido mornamente, um pouco melhor aceito entre os fãs do Pumpkins mais ligados às fases Adore e Machina. Para muitos, inclusive, trata-se de uma continuidade natural do trabalho de Billy se não tivesse havido o Zwan. Nas palavras do próprio: “TheFutureEmbrace representa um novo começo, e não um fim. Ele retoma exatamente onde a obra do Smashing Pumpkins havia parado.”

Mas Billy Corgan não se deu por satisfeito e tramou nova reviravolta. Primeiro indício: em um anúncio no jornal Chicago Tribune, edição de 21 de junho de 2005, o cantor afirmou que pretendia reviver o Pumpkins. Em 20 de abril de 2006, a partir do site oficial do Smashing Pumpkins já então reativado, a reunião foi confirmada. Billy Corgan e Jimmy Chamberlin já estavam em estúdio gravando algumas músicas. Muita especulação se seguiu sobre os outros membros do antigo Pumpkins, até que em abril de 2007 Melissa Auf der Maur, James Iha e D’arcy Wretzky confirmaram que não iriam participar do retorno da banda.

O Smashing Pumpkins em nova roupagem apareceu em público pela primeira vez em 22 de maio de 2007, para uma platéia parisiense. Foram apresentados então os músicos que acompanhariam o grupo na turnê: o guitarrista Jeff Schroeder, a baixista Ginger Reyes (também conhecida como Ginger Pooley) e a tecladista Lisa Harriton. Em julho saiu o single para Tarantula, sucedido pelo disco Zeitgeist, ambos pelo selo Reprise. A reunião não era uma mera alucinação geniosa de Corgan.

Sempre compreensivos com as indecisões e ataques de loucura de Billy Corgan, uma parte dos antigos fãs aceitou até de bom grado a notícia da reunião. Afinal, estava evidente que o Zwan e a carreira solo não eram em nada satisfatórios para a megalomania de Corgan. E, claro, uma reunião do Pumpkins abria a excelente perspectiva de vê-los ao vivo. Mas Corgan, depois de tanto tempo engendrando um volta, parecia ter perdido a mão em fazer música. Zeitgeist não gerou grande alvoroço. As músicas do disco são boas; mas apenas boas, medianamente boas. Elas seguem o tom estridente e de guitarras desesperadas que mostrou um pouco da cara em Machina. Para quem dispunha de um leque artístico tão grande (ouvir de novo Mellon Collie ou Adore), Zeitgeist parece pouco, muito pouco.

Aborrecido com público, crítica, mundo e tudo mais, Billy Corgan continuou com as suas falastrice e pompa costumazes, e alinhou um bocado de lançamentos e eventos esquisitos. Contemos, em 2008: o lançamento do single G.L.O.W. para o vídeo-game Guitar Hero, com o próprio Corgan transmutado em personagem do jogo; o DVD “If All Goes Wrong”, com gravações ao vivo da turnê de reunião; e em novembro e dezembro, os shows comemorativos do vigésimo aniversário da banda.

2009 não começou bem: em agosto, Jimmy anunciou sua saída, com justificativas vagas e até hoje não muito compreendidas pelos fãs. Depois de alguns meses de teste, foi anunciado que Mike Byrne, recém-completados 19 anos, era o novo dono das baquetas do Smashing Pumpkins. E em setembro, Billy Corgan anunciou detalhes do novo disco da banda, Teargarden by Kaleidyscope, que será lançado gratuitamente e gradativamente pela internet, num total de 44 músicas, a partir de dezembro de 2009.

Já em 2010, novas baixas: Ginger Reyes deixou o grupo para cuidar de seu filho recém-nacido. Lisa Harriton, a baixista, também já não faz parte do Pumpkins. Atualmente, Billy está procurando por substitutos para as duas posições e testes com candidatos devem começar em breve. Enquanto isso, Teargarden by Kaleidyscope já tem três de suas músicas lançadas na internet, mas a repercussão por enquanto ainda é muito pequena.

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Última atualização

12/03/2010

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