R.E.M.

Biografia

O R.E.M. marca o ponto exato na história do rock onde o pós-punk se torna rock alternativo. O primeiro single, Radio Free Europe, lançado em 1981, gerou um movimento “de volta à garagem” no underground americano. Enquanto existiam um número grande de bandas de hardcore e punk nos EUA durante o início dos anos 80, o R.E.M. trouxe de volta o pop-rock do fim dos anos 60 de uma maneira tão única que soava ao mesmo tempo tradicional e moderno. Embora não houvesse grandes inovações em sua música, o R.E.M. tinha uma identidade e uma atitude que transformou o underground americano.

Ao longo dos anos 80, eles trabalharam incansavelmente, lançando discos todos os anos e fazendo turnês constantes em teatros e pequenos clubes. O R.E.M. levou anos alcançar o topo das paradas, mas, desde o início, desde o lançamento do EP Chronic Town em 1982, a banda vem conquistando a admiração e o respeito de seu público sempre crescente. Chronic Town estabelecia uma mistura de folk e garage rock que se tornou a marca registrada da banda e, pelos próximos cinco anos, eles continuaram a expandir sua música com uma série de álbuns aclamados pela crítica.

No fim dos anos 80, o público da banda havia crescido o suficiente para garantir grandes vendas, mas o grande sucesso comercial do álbum Document, de 1987, puxado pelo single The One I Love, foi inesperado, especialmente porque o R.E.M. pouco tinha mudado no seu som e na sua atitude diante da mídia. Após Document, a banda lentamente se tornou uma das mais populares do mundo. Após uma exaustiva turnê internacional em suporte ao álbum Green, de 1988, o R.E.M. parou com as turnês e se concentrou no estúdio, quando gravou seus álbuns mais bem sucedidos: Out of Time (1991) e Automatic for the People (1992).

Depois de retornar às apresentações ao vivo, com a Monster Tour em 1995, a banda foi reconhecida como uma das responsáveis pelo movimento do rock alternativo e foram recompensados com a mais lucrativa turnê de sua carreira. Ao final dos anos 90, o R.E.M. era então uma verdadeira instituição, uma entidade, assim como sua influência ficou presente em gerações de bandas.

Embora o R.E.M. tenha sido formado na cidade universitária de Athens, Georgia, em 1980, nenhum de seus integrantes nasceu na cidade. Mike Mills e Bill Berry estudaram juntos em Macon, tocando em várias bandas cover antes de se mudarem para Athens com a intenção de ingressar na Universidade da Georgia. Michael Stipe, que era filho de um militar, percorreu todo o país durante sua infância. Durante a adolescência descobriu o punk rock através de Patti Smith, Television e outros, e começou a tocar em bandas cover de St. Louis. Em 1978 ele ingressou na Universidade da Georgia em Athens e passou a frequentar a loja de discos Wuxtry. Peter Buck, nascido na Califórnia, era funcionário da Wuxtry e compulsivo consumidor de discos de rock, punk e jazz, e na época estava aprendendo a tocar guitarra. Dentro de pouco tempo, Stipe e Buck se tornaram amigos e passaram a trabalhar juntos, conhecendo casualmente logo depois Berry e Mills através de um amigo em comum. Em abril de 1980 a banda se formou, ensaiando algumas músicas próprias e alguns covers numa igreja abandonada. O primeiro show foi na própria igreja, durante uma festa para um amigo. Eles se apresentaram usando o nome Twisted Kites, mas em julho daquele ano trocaram para R.E.M., que surgiu de uma noite de bebedeira — os quatro escreveram todas as ideias possíveis no chão da igreja onde ensaiavam e no outro dia pela manhã eliminaram todas as possibilidades, restando duas alternativas: Negro Eyes e R.E.M.. Não é necessário dizer que eles fizeram uma boa escolha. Logo em seguida conheceram Jefferson Holt, que se tornou empresário da banda após testemunhar a primeira apresentação do grupo fora do estado da Georgia, durante um show na Carolina do Norte.

Durante os próximos dois anos e meio o R.E.M. percorreu todo o sul dos EUA em constantes shows, de quinta a domingo, obrigando seus integrantes a abandonarem a universidade, um por um. Durante o verão de 1981, o R.E.M. gravou seu primeiro single, Radio Free Europe, no estúdio de Mitch Easter. Lançado pelo selo local independente Hib-Tone, Radio Free Europe foi prensado em apenas 1.000 cópias, mas a maioria delas caíram nas mãos certas, pois a banda começou a ganhar prestígio devido à propaganda boca-a-boca e acabou virando um hit nas rádios universitárias. O single também atraiu o interesse de gravadoras independentes maiores e acabou caindo nas mãos de Jay Boberg, presidente da gravadora I.R.S.. Ele assistiu a um show do R.E.M. em New Orleans e ficou impressionado com a atitude da banda, apesar de todos os problemas técnicos e uma certa indiferença do pequeno público presente no local. Em 31 de maio de 1982 a banda assinou contrato com a I.R.S. para lançar o EP Chronic Town, que já havia sido gravado. O EP trazia boas músicas, como Wolves Lower, Carnival Of Sorts (Boxcars) e Gardening At Night. Assim como o single, Chronic Town foi bem recebido, abrindo caminho para o álbum de estreia, Murmur, de 1983.

Com seu clima mais introspectivo e produção despretensiosa, Murmur logo chamou a atenção da crítica. A revista Rolling Stone escolheu Murmur o melhor álbum de 1983, superando os grandes nomes da época (Thriller de Michael Jackson e Synchronicity do Police). O disco tinha como destaques a própria Radio Free Europe (que ganhou uma batida mais “new wave”), Perfect Circle e Talk About The Passion. Murmur expandiu muito o público da banda, embora tenho recebido pouco destaque das rádios comerciais. Em 1984 o R.E.M. retornou a um som um pouco mais agressivo e direto com Reckoning, que trazia como destaque So. Central Rain, grande hit nas rádios universitárias. Nessa época a banda passou a ser conhecida por todo o underground americano por suas incansáveis turnês, as obscuras e indecifráveis letras de Michael Stipe e sua postura contida no palco, a guitarra característica de Peter Buck (com influências do punk ao country-rock de bandas como The Byrds) e até pelos enigmáticos encartes e capas de seus discos.

Embora crescesse o sucesso do R.E.M. no underground americano, a banda passou por turbulências durante as gravações do terceiro álbum, Fables of the Reconstruction, gravado em Londres com o produtor Joe Boyd (Fairport Convention, Nick Drake). Surgiram boatos de que a banda fosse acabar e Michael Stipe admitiu que o clima não era bom. Esse período difícil se refletiu no álbum, que tinha músicas com um clima bastante sombrio. O disco dividiu a crítica e até os próprios integrantes da banda (muito tempo depois, Bill admitiu que odeia esse álbum enquanto que Michael considera um dos melhores trabalhos da banda). O fato é que o prestígio do R.E.M. continuava a crescer entre os fãs e Fables of the Reconstruction atingiu a marca de 300.000 cópias vendidas, inédita até então. Os destaques do disco são Driver 8 e Green Grow The Rushes e mais uma vez a banda não obteve divulgação das rádios comerciais e MTV. Dizia-se o som da banda não era convencional, os vocais ficavam “escondidos” em segundo plano e as letras eram muito desconexas.

A banda resolveu gravar seu próximo álbum com o produtor Don Gehman, que já havia trabalhado com John Mellencamp. Gehman “limpou” o som da banda e trouxe o vocal de Stipe para o primeiro plano, fazendo de Life’s Rich Pageant o disco mais acessível do R.E.M. até então. As opiniões foram bastante positivas e os críticos previam que o brilhante single Fall On Me era a música mais promissora para que a banda conquistasse o espaço em rádios e o sucesso que merecia. Isso de certo modo não aconteceu, já que as rádios mais uma vez passaram o single adiante. Mesmo assim, Life’s Rich Page Pageant vendeu mais que o seu antecessor e abriu o caminho para o sucesso mainstream.

Sucesso mainstream não era o objetivo do R.E.M., e sim a busca pelo reconhecimento de um grande trabalho realizado ao longo dos anos. Michael disse que a banda poderia muito bem “compor uma música e gravá-la de uma forma que as rádios a aceitassem de braços abertos… mas o rádio ainda não está pronto para nós”. Em abril de 1987 foi lançada coletânea de lados B, covers e raridades Dead Letter Office, que contém ainda todas as faixas do EP Chronic Town, que já não estava mais em catálogo.

Depois de vários discos elogiadíssimos e constantes turnês, o R.E.M. teve as portas abertas para o sucesso comercial, embora a banda jamais houvesse se envolvido em grandes estratégias de marketing e pouco tivesse alterado a sua postura e o seu som nesse meio tempo. De qualquer forma, o público da banda havia crescido muito e não foi tão surpreendente o fato do quinto álbum do grupo, Document, de 1987, ter se tornado um hit logo após o seu lançamento. Produzido por Scott Litt — que iria produzir todos os discos da banda ao longo da próxima década — Document atingiu o top 10 na parada de discos mais vendidos dos EUA e vendeu um milhão de cópias devido ao excelente single The One I Love. O álbum também tinha como destaque a clássica It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine). As letras passaram a ter uma importância maior no som da banda, muitas vezes adquirindo caráter político. Michael Stipe exagerou ao admitir que antes de Document as músicas da banda “não tinham letras”. As letras eram compostas muitas vezes de improviso, usando jogos de palavras, dando muito mais importância à melodia do que ao significado. No ano seguinte a banda deixou a I.R.S. Records, assinando com a Warner Bros. por valores especulados em 6 milhões de dólares. A I.R.S. lançou a coletânea Eponymous (que contava com a versão original de Radio Free Europe como maior destaque) ainda naquele ano.

O primeiro álbum pelo novo contrato foi Green, lançado também em 1989. Green continuou o sucesso alcançado por Document, vendendo dois milhões de cópias nos EUA e gerando os hits Stand, Pop Song 89 e Orange Crush. Nesse disco a banda ironizava com a música pop da época, principalmente com Stand (que Michael apresentava nos shows como sendo “a música mais idiota que já foi composta”) e Pop Song 89 e ao mesmo tempo trazia momentos mais introspectivos, como na tocante The Wrong Child. Após o lançamento de Green, o R.E.M. se lançou em uma exaustiva turnê internacional, a maior e mais desgastante de sua carreira, onde eles fizeram seus primeiros shows em estádios nos Estados Unidos.

Após o fim da turnê, em 1990, a banda resolveu parar por um tempo, período que seus integrantes aproveitaram para se dedicar a projetos paralelos. O álbum Hindu Love Gods, gravado por Buck, Berry e Mills juntamente com Warren Zevon foi lançado.

O R.E.M. se reuniu novamente no fim de 1990 para gravar seu sétimo disco, Out of Time, que foi lançado em março de 1991. Out of Time, que entrou direto no primeiro lugar das paradas americana e britânica, era uma mistura de folk e pop, com a incorporação de instrumentos acústicos que “ampliaram os horizontes” do som da banda. Losing My Religion foi o maior single do R.E.M. em todos os tempos e músicas como Shiny Happy People (uma espécie de Stand II, com melodia super-alegre e participação de Kate Pierson do B-52’s), Radio Song e Near Wild Heaven também foram destaques. A banda resolveu não fazer turnê para esse disco, procurando evitar os efeitos desgastantes da turnê do álbum anterior, optando por fazer apenas apresentações esporádicas, como um acústico para a MTV (do tempo em que o unplugged era apenas um especial de meia hora e não tinha os objetivos comerciais de hoje em dia). Mesmo sem shows, o álbum atingiu a impressionante marca de 4 milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos.

Apenas um ano depois, o R.E.M. já estava de volta com Automatic for the People, lançado em outubro de 1992. Embora a banda tivesse prometido um álbum mais rock após Out of Time, Automatic for the People era calmo e reflexivo, com instrumentos acústicos ainda mais evidentes do que no álbum anterior. Algumas músicas contaram com arranjos orquestrados conduzidos pelo baixista do Led Zeppelin John Paul Jones. O disco também vendeu 4 milhões de cópias nos EUA, puxado pelos singles Drive, Man on the Moon e Everybody Hurts.

Para o próximo disco, a banda finalmente retornou ao rock, lançando Monster em 1994. Embora o disco tenha sido concebido para ser uma espécie de volta as raízes, foi um período muito difícil para a banda. Em meio às gravações de Monster, Kurt Cobain mostrou que a sua frase “and I swear that I don’t have a gun” era uma mentira. A morte de Kurt afetou diretamente a banda, principalmente Michael Stipe, que era amigo de Kurt. Michael revelou que os dois tinham planos de gravar juntos (chegaram a trocar correspondências a respeito), o que Kurt pretendia que fosse uma mudança radical no som do Nirvana, experimentando com instrumentos acústicos. Já haviam combinado inclusive datas, mas Kurt desmarcou e desapareceu por uns dias. “Durante dias ninguém saiba onde ele estava. Eu sabia que logo viria um telefonema” conta Michael. Após a morte de Kurt, Courtney Love entregou ao R.E.M. uma guitarra desenhada por Kurt e fabricada pela Fender especialmente para ele. Mike Mills usou a guitarra na música Let Me In, escrita em homenagem ao vocalista do Nirvana. A letra não deixa dúvidas: “I had a mind to try and stop you/let me in”, claramente um apelo por contato com Cobain, marcada pelo sentimento de dor e perda.

Lançado em outubro, o álbum novamente entrou no primeiro lugar nas paradas e vendeu mais quatro milhões de cópias com os hits What’s The Frequency Kenneth? e Bang And Blame. Desta vez, depois de um merecido descanso de seis anos, a banda voltou a fazer turnê. Mas, em dois meses de shows, começaram os problemas. O baterista Bill Berry sofreu um aneurisma e teve que se submeter a uma cirurgia, correndo risco de vida. No entanto, ele se recuperou em um mês e a turnê foi retomada depois de dois meses. Algum tempo depois, Mike Mills fez uma cirurgia para a retirada de um tumor intestinal e em seguida Michael Stipe foi operado às pressas para remover uma hérnia. Somente Peter Buck escapou ileso da turnê, que, apesar dos problemas, foi um enorme sucesso financeiro e rendeu ao grupo quase um álbum completo, gravado na estrada durante os intervalos dos shows.

O novo álbum, New Adventures in Hi-Fi, foi lançado em setembro de 1996, logo após o anúncio da renovação do contrato da banda com a Warner pela quantia recorde de 80 milhões de dólares. A grande ironia foi que o álbum foi um fracasso comercial, não gerando nenhum grande hit (apesar da qualidade de músicas como E-Bow the Letter e Bittersweet Me) e vendendo “apenas” um milhão de cópias, enquanto os três álbuns anteriores haviam vendido quatro milhões cada.

Após New Adventures in Hi-Fi a banda deu uma nova parada, com seus integrantes partindo para seus projetos paralelos. Peter Buck era o mais ocupado deles, participando da banda de Seattle Minus 5, com conhecidos músicos da região, e montando a banda free-jazz instrumental Tuatara com o baterista do Screaming Trees Barrett Martin. Michael Stipe montou a produtora de cinema Single Cell Pictures.

Em outubro de 1997, o R.E.M. chocou seus fãs e a imprensa com o anúncio da saída do baterista Bill Berry. Embora os motivos não tenham sido revelados, especula-se que Berry saiu da banda amigavelmente para levar uma vida mais tranquila em sua fazenda, preservando sua saúde. O R.E.M. decidiu não substituir Bill e iniciou as gravações de um novo disco com a ajuda de uma bateria eletrônica e alguns bateristas convidados, como Barrett Martin e Joey Waronker (da banda de apoio do Beck). O resultado dessas seções foi Up, um dos discos mais experimentais do R.E.M., com sua sonoridade bastante moderna e uso de elementos eletrônicos. O álbum foi bastante elogiado mas o público o recebeu com frieza, com Up vendendo apenas 500.000 cópias, o primeiro da banda a não atingir um milhão de cópias logo após o lançamento desde Life’s Rich Pageant, de 1986.

Em 2000, o R.E.M. participou da trilha-sonora e ajudou a escrever o roteiro do filme “Man on the Moon” (“O Mundo de Andy”, no Brasil), sobre a vida do comediante Andy Kauffman, estrelado por Jim Carey e Courtney Love. A música Man on the Moon, do álbum Automatic for the People, também escrita em homenagem a Andy Kauffman, foi incluída na trilha do filme.

Em janeiro de 2001 a banda apresentou-se no Rio de Janeiro, no Rock In Rio III. Neste primeiro show diante do público brasileiro, o R.E.M. toucou duas novas músicas e o show foi antológico. Ainda em 2001 foi lançado o novo álbum, chamado Reveal. O disco foi muito bem aceito por crítica e público e pode ser visto como uma mistura de tudo que a banda fez anteriormente, juntamente com os toques experimentais eletrônicos do disco anterior. Destacam-se faixas como Imitation of Life e The Lifting.

Após o lançamento de Reveal, o R.E.M. gravou o seu segundo acústico para a MTV americana, participou de um episódio dos Simpsons, contribuiu com duas músicas para a trilha do filme “Vanilla Sky” e embarcou numa pequena turnê promocional. Numa das viagens, o guitarrista Peter Buck se envolveu num incidente durante um vôo de Seattle para Londres e teve que responder processo judicial por comportamento inadequado.

No final de 2003 foi lançada a coletânea In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003, que reúne seus maiores sucessos na era Warner. O disco traz duas faixas inéditas, Bad Day e Animal, e ainda inclui um encarte de 40 páginas com textos de Peter Buck. Uma edição limitada com um CD extra com músicas raras e versões alternativas também foi lançada. Para divulgar o novo lançamento, a banda embarcou numa grande turnê pela Europa e Estados Unidos, onde resgatou diversas músicas de seu repertório que há muito tempo não eram apresentadas ao vivo. O grande momento da turnê ocorreu em outubro em Raleigh, Carolina do Norte, que contou com um convidado especial: Bill Berry. O ex-baterista do grupo acompanhou Stipe fazendo backing vocal em Radio Free Europe e tocou bateria durante Permanent Vacation, outtake do primeiro álbum, Murmur. Foi a primeira participação de Berry no R.E.M. desde sua saída em 1997. In Time vendeu bem, especialmente fora dos Estados Unidos.

Em 2004 o R.E.M. lançou seu 13º trabalho de estúdio. Intitulado Around the Sun e produzido por Pat McCarthy (também responsável pela produção de Up e Reveal), o novo álbum possui sonoridade mais leve e introspectiva e temática bastante influenciada pelo momento político conturbado pelo qual passou os EUA, com suas discussões sobre terrorismo e guerra. Apesar de boas canções aqui e ali, o disco hoje é visto por muitos como o menos inspirado do R.E.M., opinião que as baixas vendas parecem corroborar. A própria banda, hoje em dia, costuma desprezar o álbum. Peter Buck já disse em entrevista que Around the Sun é “inescutável”, e justifica que a banda não estava satisfeita com o material que tinha para gravar.

Em 2006, foi lançada mais uma coletânea: And I Feel Fine… The Best of the I.R.S. Years 1982-1987. E, em DVD, chega às lojas When the Light Is Mine: The Best of the I.R.S. Years 1982-1987.

A redenção para Around the Sun veio em 2008 com Accelerate, o 14º disco de estúdio do R.E.M. Bem recebido por público e crítica, o álbum teve como efeito positivo, além de apagar a má impressão deixada por Around the Sun, levar a banda novamente ao Brasil, para shows em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Satisfeita com o resultado, a banda disse em entrevistas que Around the Sun marcou finalmente o momento em que o R.E.M., como um trio, voltou a sentir-se à vontade em estúdio para gravar um disco mais simples e direto. 2008 marcou também o início de uma série de relançamentos especiais: o primeiro foi o Murmur Deluxe Edition, que traz como bônus um disco contendo um show da banda em 1983, em Toronto.

Em 2009 foram dois os lançamentos do R.E.M.: uma versão especial para Reckoning (seguindo a série de relançamentos iniciada com Murmur no ano anterior), e o disco duplo ao vivo Live at The Olympia, gravado a partir de shows em Dublin, em 2007.

Última atualização

27/01/2010

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