Mudhoney

Biografia

Podemos começar a mapear a história do Mudhoney no fim da década de 70 em Seattle, noroeste americano, quando Mark McLaughlin — que em breve ficaria mais conhecido como Mark Arm — formou sua primeira banda, o Mr. Epp and the Calculations, junto com os colegas de escola Joe Smitty, Tom Wolf e Darren Morey. Era basicamente uma brincadeira já que nenhum deles sabia tocar instrumento algum. Entre os momentos memoráveis da carreira da “banda” estão uma fita demo que consistia na narração de uma estória com Tom e Joe tocando guitarra e Mark na bateria, e a participação em um programa de rádio onde foram apresentados como “Mr. Epp, a pior banda do mundo”. Frequentemente eram feitos posters de shows do Mr. Epp and the Calculations que nem chegavam a acontecer. Mais pro fim de sua existência, o grupo começou finalmente a apresentar-se em shows de verdade, chegando inclusive a abrir para o Malfunkshun (banda de Andrew Wood, futuro vocalista do Mother Love Bone). Nessa época, Mark já tocava também em um outro grupo, o Limp Richerds, que era um pouco mais convencional do que o Mr. Epp e que tinha ainda o guitarrista Steve Turner em sua formação.

Corria o ano de 1984 quando, com o fim do Mr. Epp e do Limp Richerds, Mark e Steve decidiram formar outra banda. O primeiro passo foi recrutar o baixista Jeff Ament, na época membro do Deranged Diction. Jeff nunca foi um grande fã do Mr. Epp mas já havia trabalhado com Steve, e foi por ele convencido a entrar na nova banda, o Green River. Como Mark queria se concentrar nos vocais, ele deixou de tocar guitarra, que ficou a cargo de Steve e de um novo membro, Stone Gossard. O Green River teve relativo sucesso, lançando alguns álbuns e fazendo turnês por todo os EUA, mas ainda assim sua história não durou muito, devido às diferenças de ambições entre os membros: parte da banda queria assinar contrato com uma grande gravadora enquanto que o resto queria continuar em gravadoras independentes. Steve e Mark voltaram a tocar juntos no Thrown Ups enquanto que Stone e Jeff se juntaram ao vocalista Andrew Wood e formaram o Lords of the Wasteland, mais tarde conhecido como Mother Love Bone (e de cujas cinzas posteriormente surgiria o Pearl Jam).

Em 1988, Mark e Steve resolver iniciar um novo grupo. Junto com o baixista Matt Lukin, que era então baixista do Melvins, e o baterista Dan Peters, nasce o Mudhoney. A primeira gravação da banda foi logo das mais lendárias: o single Touch Me I’m Sick, produzido por Jack Endino e lançado pela Sub Pop em agosto daquele mesmo ano. No mês seguinte sai o EP Superfuzz Bigmuff (que viria a ser relançado em 1990 acrescido de algumas outras faixas e renomeado como Superfuzz Bigmuff Plus Early Singles).

Depois disso a banda saiu em turnê ao lado do Sonic Youth, voltando aos estúdios na sequência para a gravação de seu primeiro LP, que sairia auto-intitulado, em novembro de 1989. E ao mesmo tempo em que o Mudhoney estabelecia-se, a cena de Seattle começava a ganhar notoriedade para além das fronteiras americanas.

O segundo álbum viria em 1991, Every Good Boy Deserves Fudge, novamente pela Sub Pop, mas o terceiro, Piece of Cake, de 1992, saiu pela Reprise Records, já que a banda fez o mesmo movimento de migração para um grande selo que muitas bandas vinham fazendo naquele intenso período do rock alternativo americano. Período, aliás, retratado por Hollywood no filme Singles, que traz em sua trilha-sonora bandas como Alice in Chains, Mother Love Bone, Soundgarden, Pearl Jam, Screaming Trees, e o próprio Mudhoney com a sarcástica Overblown.

Em 1993 acontece o lançamento do EP Five Dollar Bob’s Mock Cooter Stew. Era a época das turnês com o Nirvana e o Pearl Jam e do ápice do interesse midiático sobre Seattle. Um novo LP veio somente em 1995, My Brother the Cow, ano em que a banda dá também um desacelerada no ritmo de shows e gravações, para recuperar as energias e também para que seus membros encontrassem tempo para participar de outros projetos. Por conta disso, um novo álbum viria somente três anos depois, Tomorrow Hit Today, disco que seria o último lançado pela Reprise. Além do fim do laço com o label, outro rompimento sinaliza o fim de uma era: Matt Lukin deixa o grupo, que chega a cogitar a sua dissolução, mas com a benção de Lukin, resolve prosseguir na ativa.

Em janeiro de 2000 a Sub Pop lança a coletânea dupla March to Fuzz e reata a parceria com a banda. Com o baixista Guy Maddison integrado ao seu line-up, um novo disco de inéditas sai em 2002, Since We’ve Become Translucent. Depois disso, a banda passa algum tempo fazendo shows e participando de projetos paralelos — Mark Arm, por exemplo, vem ao Brasil com o MC5 para se apresentar no festival Campari Rock de 2005. No final deste mesmo ano, Arm volta ao Brasil com o Mudhoney para abrir os shows do Pearl Jam em Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Um novo disco apareceria somente em 2006, intitulado Under a Billion Suns. E no ano seguinte é lançado o primeiro disco ao vivo da carreira do grupo, Live Mud, que traz canções gravadas no México em 2005.

Em 2008 temos o lançamento de The Lucky Ones, gravado em apenas três dias e meio, de acordo com Mark Arm. Depois disso, passam-se cinco anos até o lançamento de um novo disco: Vanishing Point, o nono LP do Mudhoney, sai em 2013.

Última atualização

01/10/2013

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