Mogwai

Biografia

Se você costumava assistir aos filmes do diretor Joe Dante na década de 80, deve se lembrar daquele que foi certamente um de seus maiores sucessos: Gremlins, de 1984. Mesmo quem não assisitiu conhece as famosas criaturas que deram o nome ao filme. Agora, se este não é seu filme preferido ou você não tem memória cinematográfica, será que lembra o nome dos meigos bichinhos que se transformavam nos Gremlins? Eles eram mogwais!

Aí está a inspiração para o nome desta fascinante banda, proveniente da maior cidade da Escócia, Glasgow. O Mogwai é um grupo formado pelos amigos de longa data Stuart Braithwaite (guitarrista e vocalista), Dominic Aitchison (guitarrista e baixista) e Martin Bulloch (baterista). Como eles tinham a idéia de fazer música completamente baseada no som de guitarras, acabaram chamando o guitarrista John Cummings para se juntar ao line-up da banda por volta de 1995.

Em 1996, o Mogwai conseguiu lançar seu primeiro trabalho, o single Tuner. As canções ainda possuíam “vocais normais” naquela época. Logo depois a banda lançou um split CD junto com o Dweeb, chamado Angels vs. Aliens. Este trabalho acabou sendo um grande sucesso no circuito underground britânico, permanecendo um bom tempo no Top Ten de lançamentos indies do Reino Unido. O grupo seguiu se projetando e definindo seu som cada vez mais, ao mesmo tempo em que participava de algumas coletâneas de selos europeus. No final desse ano, o Mogwai lançou o 7” Summer.

Logo depois, já em 1997, o single New Paths to Helicon chegou às prateleiras. Após tantos lançamentos menores, o Mogwai lançou finalmente uma coletânea com cara de LP, Ten Rapid. Esse disco consiste das melhores músicas lançadas nos dois primeiros anos de vida do grupo. Ainda em 1997, veio o EP 4 Satin. Nessa época, o grupo contou com a participação do baterista Brendan O’Hare (com passagens no Teenage Fanclub e Telstar Ponies) para gravar o debut real da banda, que sairia logo depois sob o título de Young Team pela Chemikal Underground.

A essa altura, o Mogwai já havia criado um som bastante característico, cuja referência mais próxima é o Slint, grupo que lançou dois discos fundamentais entre 1989 e 1991, antes de seu prematuro fim. Assim como o Slint, o Mogwai dá total destaque às guitarras em suas músicas, deixando os vocais (ainda mais notadamente que no Slint) e todo o resto como suporte. A banda evolui cada vez mais a sua incrível capacidade de construir belas melodias e estruturas que evidenciam essa forte característica. Teclados, atmosferas quase sempre melancólicas, momentos pesados alternando-se com outros extremamentes delicados unem-se criando canções de um bom gosto indiscutível e raro hoje em dia. Com isso, o Mogwai chamava cada vez mais atenção.

Após o lançamento de Young Team, Brendan deixou o grupo. Já em 1998, o Mogwai lançou o disco duplo Kicking a Dead Pig, contendo versões remixadas de algumas de suas músicas anteriores. Alguns meses depois saiu outro pequeno lançamento, o EP No Education No Future (Fuck The Curfew).

Em 1999, a banda lançou seu segundo LP de estúdio, Come On Die Young. A partir desse disco, o Mogwai pôde contar com a participação do multi-instrumentista Barry Burns, integrado ao line-up da banda no final das sessões de gravação. Come on Die Young pode ser considerado uma continuação de Young Team. A banda segue a mesma proposta de antes, mas com canções melhor produzidas e refinadas, além de um traço melancólico mais acentuado. Uma das melhores faixas do disco, Christmas Steps, uma regravação de uma de suas primeiras músicas, lhes rendeu uma indicação para o Mercury Music Prize. Foi também através dessa música que o Manic Street Preachers descobriu o som do Mogwai e os convidou para abrir os seus próximos shows.

Nessa época, além do reconhecimento musical, o Mogwai também começou a chamar a atenção por atitudes como instigar a platéia de seus shows a fazer coros do tipo “fuck the queen” e vender, através de pequenas estandes em suas apresentações, camisetas com a inscrição “Blur: Are

Shite”. O Mogwai tem um senso de humor raro e parece não dar a menor importância se os outros entendem suas músicas e atitudes ou não. E não são de se levar muito a sério. Basta olhar o título das suas músicas, a maioria sem a menor relação com as músicas e inspiradas em piadas que só os membros da banda entendem.

Em 2000 saiu uma versão remasterizada de Ten Rapid, além de mais um EP chamado simplesmente de Mogwai. No mesmo ano, o grupo apareceu como headline do All Tomorrow’s Parties, um tradicional festival inglês realizado em um acampamento durante um fim de semana. Lá, o Mogwai apresentou duas novas canções, das quais uma era uma versão de 20 minutos do tradicional hino judeu My Father My King. Foi nessa época que o eles conheceram o produtor Arthur Baker, que viria a ser um colaborador constante do Mogwai.

No começo de 2001, a banda continuou participando de várias apresentações ao redor do mundo. No final de abril, saiu o esperado terceiro LP: Rock Action. O disco foi lançado pelo selo homônimo, Rock Action Records, recém-fundado pelos membros do Mogwai. Os nomes tanto do disco quanto do selo foram uma homenagem ao baterista ‘Rock Action’ Scott Ashton, dos Stooges.

Em resumo: com dinheiro em mãos, o Mogwai não hesitou em investi-lo em seu próprio selo, que hoje já lançou trabalhos de várias bandas pequenas e outra um pouco maiores, como o Papa M e Part Chimp. E o disco inaugural do selo foi um sucesso. Mais refinado e eclético do que os discos anteriores, Rock Action contou com participações de nomes como David Pajo (Slint, Zwan) e Gruff Rhys (Super Furry Animals). Rhys, inclusive, canta em Dial: Revenge na sua língua nativa, o galês.

Em outubro de 2001, mais um lançamento: um single contendo a versão Mogwai de My Father My King, produzida por Arthur Baker. Em novembro, a banda fechou o ano participando de uma pequena turnê pelo Reino Unido.

Em 2002, o grupo passou pelo Brasil, na turnê de divulgação de Rock Action. O disco foi lançado em terras nacionais pela Trama e conta com uma música bônus. No início de 2003, o Mogwai concedeu os direito para a Levi’s usar a canção Summer em uma propaganda, veiculada durante a Super Bowl. Isso causou muitas controvérsias entre os fãs da banda, que cobraram uma atitude mais “anti-capitalista”. O Mogwai respondeu à sua maneira e investiu o dinheiro dos royalties no selo Rock Action.

Em junho de 2003, o quarto disco do Mogwai foi lançado. Provisoriamente intitulado Bag Of Agony, sofreu uma reviravolta no cartório e acabou sendo com o apropriado nome de Happy Songs For Happy People. Happy Songs… teve uma recepção morna. O seu momento mais memorável foi o vídeo-clipe para a música de abertura, Hunted by a Freak, amplamente divulgado no site oficial da banda.

Na sequência, o Mogwau entrou em turnê para divulgar seu novo disco, participando de vários shows e festivais, com destque para o All Tomorrow’s Parties de 2004, que teve a volta do Slint como grande atração.

Mais de dois anos se passaram até que o Mogwai voltasse aos estúdios para trabalhar em um novo disco. O sucessor de Happy Songs For Happy People foi lançado em março de 2006 sob o título Mr. Beast. Um disco curto e de músicas curtas, em contraste com os trabalhos anteriores, esse LP foi também recebido com pouca empolgação.

Ainda em 2006, o Mogwai produziu duas trilhas sonoras: para o para o documentário Zidane: A 21st Century Portrait e para o filme [The Fountain](http://www.imdb.com/title/tt0414993/), de Darren Aronofsky, em colaboração com Clint Mansell e o Kronos Quartet.

Em maio de 2008, o LP de estréia da banda, Young Team, foi relançado com um disco bônus recheado de músicas ao vivo e lados-B. O próximo disco da banda, The Hawk is Howling, está previsto para sair em 22 de setembro de 2008.

Última atualização

11/08/2008

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