Melvins

Biografia

Nascido em 1983 em Montesano, no estado americano de Washington, o Melvins goza do prestígio de ter sido uma das mais influentes bandas dentro da famosa cena de Seattle dos anos 80/90 e, mais impressionante ainda, de ter atravessado toda aquela época e os anos seguintes, até o presente, em intensa atividade, gravando muitos álbuns e fazendo turnês regularmente. Durante este período, a banda construiu uma reputação de grande dignidade na indústria da música e no underground americano.

A formação inicial da banda tinha Roger “Buzz” Osborne na guitarra e vocais, Matt Lukin no baixo e Mike Dillard na bateria. Quando Dale Crover substituiu Dillard, a banda mudou-se para Aberdeen, cidade de nascimento de Kurt Cobain e do Nirvana. Buzz e Dillard viriam, inclusive, a participar brevemente do Fecal Matter, a primeira banda de Cobain. Foi nessa época que o Melvins cunhou seu híbrido de punk rock e heavy metal, com as influências mais óbvias vindas do Black Flag e do Black Sabbath. A banda também passou a chamar a atenção devido seus shows imprevisíveis: não era raro a banda tocar músicas folclóricas ou country e logo em seguida emendar jams de mais de 10 minutos de pura barulheira.

O primeiro lançamento do grupo aconteceria em 1986 com o EP Six Songs, pela gravadora independente C/Z Records. Six Songs foi gravado ao vivo em dois canais, com produção extremamente precária e a custo baixíssimo. No ano seguinte viria o primeiro LP, Gluey Porch Treatments, trabalho que rendeu ao Melvins alguma fama na costa oeste americana e uma extensa turnê naquela região.

Em 1989 Matt Lukin deixa a banda para formar o Mudhoney, enquanto que o Melvins se muda para San Francisco para gravar seu próximo disco. Ozma foi lançado justamente na época em que a cena de Seattle começava a chamar a atenção na Europa. Para a gravação deste segundo LP, a banda contou com a baixista Lori “Lorax” Black, filha da atriz Shirley Temple.

Bullhead, lançado em 1991, não trazia grandes evoluções, mas aprimorava e consolidava o estilo do Melvins. No fim daquele ano o Nirvana atingia o estrelato com o álbum Nevermind, fato que abriria as portas para várias outras bandas de Seattle seguirem o mesmo rumo. Mas enquanto algumas das bandas locais cumpriam esta expectativa e atingiam o sucesso aliando peso e melodia, a música do Melvins seguia seu caminho único e pouco palatável ao grande público, passando a margem de qualquer possibilidade de alcançar sucesso comercial.

Em 1992 Lori deixa a banda para a entrada de Joe Preston. Naquele ano sai o álbum Lysol, que deixou oficialmente de ter esse nome logo depois de seu lançamento, devido ao fato da palavra Lysol ser uma marca registrada de uma empresa de alimentos inglesa. Também em 1992 temos o lançamentos dos EPs Dale Crover, King Buzzo e Joe Preston, inspirados na série de disocs que os membros do Kiss lançaram individualmente em 1978.

Em 1993, por influência do amigo Kurt Cobain, o Melvins assina contrato com uma grande gravadora, a Atlantic. Contando com a participação de Kurt na guitarra e na percussão, que também assina a co-produção do álbum, Houdini é lançado naquele mesmo ano. joe Preston já não era mais o baixista da banda, sendo que para as gravações de Houdini, Lori “Lorax” ocupou novamente o posto, sendo substituída na sequência por Mark Deutrom.

Depois de uma participação discreta no mega festival alternativo Lollapalooza, o Melvins retorna em 1994 com dois álbuns: Prick, bastante experimental, lançado pela gravadora independente Amphetamine Reptile (com o nome da banda escrito em contrário, devido a cláusula de exclusividade do uso do nome Melvins com a Atlantic), e Stoner Witch, pela Atlantic, considerado por muitos como o melhor álbum da banda até então.

Já em 1996 temos Stag, um dos mais variados trabalhos do Melvins, com uso de cítara, trumpete, teclados e sintetizadores. O resultado irregular deste disco, conjugado com o declínio de popularidade do rock alternativo, levaram a Atlantic a não renovar seu contrato com a banda.


Em 1997 o Melvins está de volta a cena independente e, de contrato assinado com a Amphetamine Reptile, lança Honky, álbum que é bastante querido pelos fãs. No ano seguinte, nova troca de baixista: sai Mark Deustrom e entra Kevin Rutamanis. Após o lançamento de Honky, a banda assina contrato com a Ipecac, gravadora de Mike Patton, parceiro de Buzz no Fantômas. O projeto com a Ipecac é bastante ambicioso: uma trilogia de álbuns lançados a partir de 1999 com intervalos de apenas alguns meses entre os lançamentos. O primeiro deles é The Maggot, que segue o som mais tradicional do Melvins. The Bootlicker segue uma trilha mais variada, lembrando o álbum Stag. The Crybaby, o disco que encerra a trilogia em 2000, também é bem variado e imprevisível, contendo uma gama de convidados especiais como integrantes das bandas Tool, Jesus Lizard e o próprio Mike Patton. Uma das curiosidades de The Crybaby é o cover bastante fiel de Smells Like Teen Spirit do Nirvana. Ainda em 1999, Gluey Porch Treatments, há muitos anos fora de catálogo, volta ao mercado em edição caprichada contendo inúmeras faixas inéditas.

O ciclo do Melvins na Ipecac é momentaneamente interrompido em 2001 com lançamento de Electroretard pela gravadora Man’s Ruin. Electroretard pode ser encarado como uma coletânea, já que traz regravações de músicas antigas do Melvins e alguns covers, com a banda explorando o uso de efeitos eletrônicos nos arranjos.

Os dois próximos lançamentos do Melvins são ao vivo, sendo que o primeiro deles, The Colossus of Destiny, de 2001, é mais uma estranheza típica da banda: uma única faixa com 59 minutos de barulheira sem melodia. Já Millennium Masterwork, de 2002, é a gravação de um show com o Melvins e o Fantômas juntos no palco, em comemoração aos 5 anos da Ipecac. E uma semana depois de Millennium Masterwork ter chegado as lojas, um novo álbum de estúdio saía do forno: em Hostile Ambient Takeover, o Melvins deixou um pouco de lado o experimentalismo e voltou a sua sonoridade mais tradicional.

No ano seguinte a Ipecac resgata mais uma peça do catálogo do Melvins: Six Songs, o primeiro lançamento da banda, ganha uma nova edição que traz 16 faixas inéditas, sendo rebatizado 26 Songs.

Em 2003 o Melvins completou 20 anos de carreira em grande estilo: para marcar a data, foi lançado o livro Neither Here Nor There, com 224 páginas de muitas histórias e fotos da banda. Acompanha o livro um CD contendo uma retrospectiva de 18 faixas cobrindo praticamente todos os discos.

Entre 2004 e 2005, a banda dedica-se a parcerias com o Lustmord (regitrada no álbum Pigs of the Roman Empire) e com Jello Biafra (registrada em dois LPs: Never Breathe What You Can’t See e Sieg Howdy!). Em 2005, a instabilidade dos baixistas do Melvins volta a se manifestar: Kevin Rutmanis deixa o grupo, supostamente devido ao abuso no uso de drogas. No ano seguinte, dois reforços: Jared Warren vem para ocupar a vaga de baixista que estava vaga, e Coady Willis vem para ocupar o posto de segundo baterista.

Com essa nova e audaciosa formação, a banda enfileira três celebrados discos entre 2006 e 2010: (A) Senile Animal, Nude With Boots e The Bride Screamed Murder.

No começo de 2012 temos o lançamento do EP The Bulls and The Bees e, na metade do ano, do LP Freak Puke. Na verdade, não são discos do Melvins, mas sim, do Melvins Lite. Mais uma das bizarrices da banda, o Melvins Lite é o Melvins com uma pequena diferença na formação: além de Buzz e Crover, o baixista Trevor Dunn.

Para o dia 29 de abril de 2013 está agendado o lançamento do disco de covers Everybody Loves Sausages. Gravado pelo Melvins e pelo Melvins Lite (!), o álbum tem ainda a participação de alguns convidados, entre eles, Scott Kelly, Mark Arm, Clem Burke, Jello Biafra e Kevin Rutmanis.

Última atualização

23/04/2013

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