Jane's Addiction
Biografia
O Jane’s Addiction começou a ser concebido ainda nos últimos dias do Psi-Com, a primeira banda de Perry Bernstein, mais conhecido como Perry Farrell. Nesta época, Perry já vinha fazendo jams com o baixista Eric Avery, com a intenção de integrá-lo ao Psi-Com, o que acabou não se concretizando. Mas Eric e Perry continuaram tocando juntos e, logo após a dissolução do Psi-Com, a irmã de Eric apresentou à dupla o baterista Stephen Perkins. Este trouxe consigo um amigo guitarrista, Dave Navarro, e assim surgiu o Jane’s, cujo nome foi uma homenagem a uma amiga de Perry. Corria o ano de 1986 na ensolarada Los Angeles.
Desde o início, a música do Jane’s Addiction caracterizou-se por ser extremamente enérgica e original. Ligeiramente falando, um hard-rock com toques de punk-rock, funk, folk, rap e o que mais aparecesse na cabeça do criativo líder, vocalista e letrista Perry Farrell. A banda logo foi arrebanhando fãs em suas apresentações pelos clubes californianos e atraindo o interesse dos selos musicais. Mas antes de assinar com algum dos grandes que se apresentavam, a banda lançou seu debut autointitulado pela Triple X Records. Jane’s Addiction, o disco, traz músicas gravadas diretamente dos shows da banda, mas com vários retoques de estúdio, para tornar a coisa mais apresentável. O setlist da banda, que virou o tracklist do disco, já tinha algum corpo; além das canções próprias, o álbum é complementado pelos covers Rock & Roll do Velvet Underground e Sympathy for the Devil do Rolling Stones.
Depois de assinar com a Warner Brothers, a banda iniciou os trabalhos para seu primeiro disco de estúdio. Já neste momento algumas rusgas começaram a aparecer entre os membros, motivados por questões de ordem financeira. Com algum esforço conciliador, a banda permaneceu unida e lançou o clássico Nothing’s Shocking em 1988. Apesar das críticas positivas que recebeu, o disco não foi exatamente um grande sucesso de vendas, em parte pela recusa de muitas lojas em tê-lo em suas prateleiras devido à sua polêmica capa. Nothing’s Shocking traz já um punhado de grandes canções, como a instrumental de abertura Up the Beach, Ocean Size, Had a Dad e Summertime Rolls. Dois outros destaques, Jane Says e Pigs in Zen, são regravações de músicas que já tinham aparecido no primeiro disco. E há ainda Mountain Song, cujo clipe foi vetado pela MTV por apresentar cenas de nudez. O clipe foi posteriormente lançado no documentário Soul Kiss.
Na gravação do terceiro disco, novamente problemas de ordem interna quase botaram tudo a perder. Mesmo aos trancos e barrancos, o resultado das gravações foi memorável: Ritual De Lo Habitual, lançado em 1990, consolidou o Jane’s Addiction como uma das bandas-mãe do cenário alternativo que começava a despontar.
Em 1991, com a situação da banda cada vez mais insustentável (Dave Navarro e Eric Avery praticamente já não falavam com Perry Farrell), nasceu o Lollapalooza, idealizado por Farrell para ser o canto do cisne do Jane’s Addiction. Ao lado de nomes como Nine Inch Nails, Living Colour, Siouxsie and the Banshees, Butthole Surfers, Rollins Band e Violent Femmes, o Jane’s fez do festival um sucesso estrondoso, que se estendeu por várias cidades, incluindo até Toronto e Ontário, no Canadá, e tornou-se um evento anual. Após o Lollapalooza e mais algumas apresentações na Austrália e no Havaí, a banda separou-se. Nesse ano, ainda foi lançada pela Warner uma coletânea chamada Live and Rare, que traz faixas ao vivo, demos e uma remixagem de Been Caught Steeling, um dos hits do Ritual De Lo Habitual.
O Jane’s finalizou suas atividades, mas o Lollapalooza continuou e foi um dos suportes para a explosão do rock alternativo na primeira metade da década de 90, liderado pelas bandas de Seattle. A edição de 1992, por exemplo, teve em seus palcos Red Hot Chili Peppers, Ministry, Soundgarden, Jesus and Mary Chain, Pearl Jam, Seaweed, Stone Temple Pilots, Rage Against the Machine e ainda o Porno For Pyros, banda que Perry Farrell montou com Stephen Perkins. Farrell e Perkins também trabalharam juntos, montando o Deconstruction. Em paralelo a essas novas empreitadas, o legado do Jane’s foi tornando-se mais e mais admirado, com a banda ganhando uma importância tal que não chegou a desfrutar nos anos em que esteve na ativa.
Passados alguns anos, as desavenças esfriaram-se e, em 1996, Dave Navarro topou participar do disco Good God’s Urge do Porno For Pyros. Navarro estava então tocando no Red Hot Chili Peppers e de lá trouxe consigo Flea, para também contribuir no novo disco da banda de Perry. Em 1997 aconteceu uma nova parceria entre o Porno For Pyros, Flea e Navarro, dessa vez na gravação de uma música para a trilha-sonora de Private Parts. O encontro acabou evoluindo para uma turnê de reunião do Jane’s Addiction, com Flea como baixista, uma vez que Eric Avery decidiu não participar. A I-Its M-My Party Tour foi muito bem sucedida e rendeu até uma nova coletânea, a ótima Kettle Whistle, que traz faixas ao vivo, demos e algumas canções inéditas. Apesar desta confirmação fatual do crédito e dos muitos fãs que a banda ainda possuía, a reunião ficou somente nos shows. Ao final da turnê de pouco mais de um mês, novamente cada membro seguiu seu caminho.
Mas o fim definitivo do Jane’s Addiction ainda está para ser escrito. Em 2001, os mesmos três membros originais que haviam reunido-se em 1997 juntaram-se novamente para a Jubilee Tour, que teve ainda apresentações de Dave Navarro, divulgando seu primeiro disco solo, Trust No One. Novamente Eric Avery preferiu ficar de fora, e, como Flea estava envolvido com o Red Hot Chili Peppers, Martyn LeNoble, baixista do Porno For Pyros, se juntou ao grupo.
Porém desta feita a história teve um prosseguimento diferente da de 1997: a banda empolgou-se com o sucesso de sua nova turnê e decidiu entrar em estúdio para gravar um novo disco. Com o baixista Chris Chaney substituindo LeNoble e a produção de Bob Ezrin, Strays foi lançado em 2003. O disco não foi aclamado como foram os trabalhos iniciais do Jane’s Addiction, o que não impediu a banda de partir para uma grande turnê de divulgação, incluindo aí participação na edição de 2003 do Lollapalooza, que voltava a ser realizado depois de ter tido sua última edição em 1997.
Mas não demorou para que alguns antigos problemas de relacionamento voltassem a assombrar a banda. Em 2004 o Jane’s novamente separou-se e cada membro segue outra vez seu caminho: Navarro, Perkins e Chaney formaram The Panic Channel, e Perry Farrell, o Satellite Party.
Em 2006 tivemos mais uma coletânea, mas dessa vez sem maiores atrativos: Up From the Catacombs - The Best of Jane’s Addiction traz uma compilação de faixas de Ritual De Lo Habitual, Nothing’s Shocking e Strays, além da clássica versão ao vivo de Jane Says que aparece no Kettle Whistle.
Como era de se esperar, passado tempo suficiente para curar as rusgas entre os membros do Jane’s, a banda voltou a juntar-se. Em abril de 2008, em uma apresentação organizada pela NME para premiar a banda pela sua carreira, o Jane’s tocou com seu line-up original — Perry Farrell, Dave Navarro, Stephen Perkins e Eric Avery — pela primeira vez desde 1991. Depois disso, a banda voltou a tocar em novembro, em Los Angeles.
Em fevereiro de 2009 tivemos novos shows do Jane’s Addiction em sua terra natal, e logo depois a banda entrou em estúdio para gravar algumas faixas, com o apoio de Trent Reznor na produção. O resultado foi um EP chamado NINJA 2009 Tour Sampler, que traz duas músicas do Jane’s, duas no Nine Inch Nails e duas do Street Sweeper, a banda atual de Tom Morello. O disquinho serviu como aperitivo para uma tour que o Jane’s fez com o NIN ao longo do ano de 2009. Também neste ano tivemos o lançamento de A Cabinet of Curiosities, box set de raridades e faixas ao vivo, e uma passagem pelo Brasil, onde a banda tocou no Maquinaria Festival, em novembro, junto com o Faith No More.
No início de 2010, Eric Avery deixa o grupo e Duff McKagan, ex-Guns ‘n’ Roses, assume o baixo, ao mesmo tempo que a banda inicia os trabalhos para a gravação de um novo disco. Duff não fica muito tempo e para o seu lugar é convocado Dave Sitek, do TV on the Radio. The Great Escape Artist é lançado em 17 de outubro de 2011, e para os próximos shows, Chris Chaney volta a assumir o baixo, uma vez que Dave Sitek não irá participar das apresentações da banda.
Última atualização
18/10/2011

