Hüsker Dü
Biografia
O Hüsker Dü foi uma das mais importantes bandas do underground americano durante os anos 80. Com uma sonoridade inovadora e revolucionária, a banda é sinônimo de power trio e costuma ser citada como influência por nomes tão díspares como Pixies, Dinosaur Jr., Lemonheads, Nirvana, Soul Asylum e Foo Fighters.
No fim da década de 70, o guitarrista Bob Mould estudava no Macalester College, em Mineápolis, e trabalhava numa loja de discos, onde conheceu o baterista Grant Hart e o baixista Greg Norton. Os três músicos tinham preferências musicais diversas, mas todos tinham afinidade com o hardcore e o punk rock, principalmente pela cena californiana de onde se destacavam nomes como o Black Flag e o Dead Kennedys. A banda veio logo em seguida, em 1979, com Mould e Heart compondo as músicas e cantando. A inspiração para o nome exótico veio de um jogo de tabuleiro dinamarquês, e cuja tradução é “você se lembra?” O primeiro show foi em 30 de março daquele ano.
Já no início dos anos 80, o Hüsker Dü tinha um público local admirador de sua música rápida e visceral. Pelas redondezas havia outras bandas despontando — Replacements e Soul Asylum são dois bons exemplos — e todas aparentemente com as mesmas influências. Em 1981, o Hüsker Dü lançou seu primeiro single, Statues, pela gravadora local Reflex. Já no ano seguinte foi lançado o álbum ao vivo Land Speed Record, que trazia 17 músicas em apenas 26 minutos. Na sequência a banda assinou com a New Alliance Records, selo pertencente ao pessoal do Minutemen, que, além de distribuir seu primeiro LP, lançou um novo single, o igualmente rápido e pesado In A Free Land.
Em 1983, mais um lançamento pela Reflex: Everything Falls Apart é o primeiro LP de estúdio. Naquela época, o Hüsker Dü já tinha começado a fazer intermináveis turnês pelo circuito underground americano, viajando pelo país numa van e tocando em pequenos clubes pelo país. Junto com Minutemen, R.E.M., Black Flag, Meat Puppets e Replacements, o Hüsker Dü formava um grupo de bandas independentes que construíram um reputação pelas apresentações contantes e músicas em alta rotação nas rádios universitárias. Os shows do Hüsker Dü, em particular, eram um espetáculo bastante peculiar: eles praticamente não falavam com o público e emendavam as músicas uma na outra, sem interrupção. Além de uma agenda corrida de shows, o Hüsker também passou a gravar assiduamente. Ainda em 1983 saiu o EP Metal Circus, já pela SST Records, gravadora que abrigava também o Black Flag. Já era possível, neste EP, pressentir alguma variação no som de Bob Mould, Grant Hart e Greg Norton.
E foi a partir de Metal Circus que o Hüsker Dü passou a se desenvolver musicalmente de uma forma bastante rápida, com Mould e Hart encontrando os seus caminhos como compositores no álbum Zen Arcade, de 1984. Zen Arcade, que conta a história de um jovem que foge de casa e acaba se defrontando com um mundo mais cruel e difícil do que ele imaginava, foi o primeiro a receber o reconhecimento da crítica, sendo um dos discos mais elogiados daquele ano. Mesmo sendo um álbum duplo, reza a lenda que as gravações ocorreram em apenas 45 horas, com um custo total de 3.200 dólares. Musicalmente, Zen Arcade traz a banda ampliando seus horizontes, fugindo de algumas limitações do hardcore e compondo melodias mais concisas e bem definidas, assim como instrumentais mais extensos e densos, ainda que mantendo a energia do punk rock. Comercialmente, o disco também foi além das expectativas e teve sua primeira prensagem esgotada rapidamente, com a SST demorando para repô-lo no mercado, o que frustrou a banda. No fim de 1984 saiu mais um EP, 8 Miles High/Makes No Sense At All, que traz o cover de Byrds 8 Miles High.
O Hüsker Dü continuou gravando e fazendo shows num ritmo frenético entre 1984 e 1985 e tudo corria bem, com sucesso entre os críticos e público crescente. Mas também nessa época começou a surgir uma rivalidade entre Bob Mould e Grant Hart, assim como os problemas com álcool e anfetaminas. Ainda não chegava ao ponto de ameaçar a existência da banda, e o Hüsker seguia em frente.
New Day Rising, de 1985, refletia as influências de Byrds e de outros nomes dos anos 60 como Zombies e até Beatles, tudo isso sob uma forma bem autêntica de punk rock. Ainda em 1985, outro trabalho aclamado foi lançado, Flip Your Wig. Foi durante as gravações de Flip Your Wig que o Hüsker Dü recebeu a proposta e se tornou a primeira das bandas independentes pós-punk da metade dos anos 80 a assinar com uma grande gravadora, fechando com a Warner Brothers. Mudanças desse tipo sempre geram aflição por parte dos fãs, mas a banda tinha bons argumentos, os principais sendo as limitações da SST e a liberdade criativa que a Warner garantiu.
Candy Apple Grey, o primeiro lançamento pela nova gravadora, surgiu em 1986. Um bom disco, favorecido principalmente pelas facilidades de produção oferecidas por uma grande gravadora. Quem esperava que o Hüsker Dü fosse sentir a pressão de sair da cena independente, se equivocou completamente: ainda que o som seguisse a linha mais acessível dos últimos três discos, não havia hits óbvios e a banda não alcançou o sucesso comercial. Ou seja, o Hüsker manteve sua integridade e seu público manteve-se fiel. Mas foi durante essa época que as tensões internas entre Mould e Hart cresceram. Mould estava recuperado e sóbrio enquanto Hart parecia afundar na dependência de drogas e álcool.
Apesar do clima negativo, a banda entrou em estúdio para a gravação de um novo álbum. Warehouse: Songs and Stories foi lançado em 1987, novamente sob a forma de um álbum duplo. Embora a Warner tenha implicado com esta ideia inicialmente, no final prevaleceu a intenção da banda. Elogiado pela crítica, o disco acabou recebendo algumas críticas por parte dos fãs, que sentiam que de alguma forma os conflitos internos da banda refletiam em sua música. Apesar disso, não são poucos os que hoje consideram Warehouse: Songs and Stories o mais bem acabado trabalho do Hüsker Dü.
Mas o fim, infelizmente, estava próximo. Para piorar drasticamente a situação, na noite anterior ao primeiro show da turnê de divulgação de Warehouse: Songs and Stories, David Savoy, empresário da banda, cometeu suicídio. Em entrevistas recentes, Mould e Hart, com muita tristeza, atribuem este evento às pressões que David sofria devido aos problemas internos da banda. Mas, na época, o Hüsker acabou fazendo a turnê — eles tocavam o novo álbum inteiro, na ordem, sem interrupções, todas as noites. O suicídio de Savoy aumentou as turbulências na banda, agravadas pelas tentativas frustradas de Hart de se livrar de seu último vício, a heroína. Assim que foi encerrada a turnê, a banda já tinha mais alguns shows marcados, mas Mould cancelou-os. E apesar de Hart garantir que estava em boas condições para seguir adiante, poucos dias depois o Hüsker Dü dissolveu-se.
Os membros do Hüsker Dü seguiram suas vidas, formando outras bandas. A mais relevante delas foi sem dúvida o Sugar, de Bob Mould, que também lançou discos como artista solo. Greg Norton foi o que mais se afastou da música: apesar de tocar de vez em quando, ele se tornou chef e abriu um restaurante com sua esposa chamado The Nortons.
Em 1993, o primeiro lançamento pós dissolução: o primeiro LP do Hüsker Dü foi lançado sob o título Everything Falls Apart and More e traz, além do tracklist original, algumas faixas bônus, dentre elas o primeiro single lançado, Statues. No ano seguinte foi lançado o álbum ao vivo The Living End, gravado a partir dos shows da última turnê da banda, em 1987. O disco contém 24 faixas, algumas delas inéditas, incluindo uma cover para Sheena is a Punk Rocker, do Ramones.
Em 2004, Bob Mould e Grant Hart voltaram a dividir o mesmo palco, em um show beneficente para Karl Mueller, baixista do Soul Asylum que havia sido diagnosticado com câncer e viria a falecer logo depois. Foram tocadas duas músicas do repertório do Hüsker Dü, e, apesar do entusiasmo dos velhos fãs, Mould apressou-se em, após o show, esclarecer que não deveriam haver esperanças quanto a novas reuniões do Hüsker Dü.
Última atualização
22/12/2009

