Fucked Up

Biografia

O Fucked Up formou-se em Toronto, em 2001 — uma legítima banda do século 21. Apesar disso, desde o início trazia em seu som a explícita influência de bandas como Minor Threat, Suicidal Tendencies e Black Flag, ou seja, a segunda leva do punk rock — ou hardcore, como preferir —, cujo ápice aconteceu durante os anos 80. E, a exemplo de algumas destas bandas, o Fucked Up trazia também embutido em sua música um forte discurso político, que começava já, na verdade, nos apelidos usados pelos membros da banda, coisas como Concentration Camp e Mustard Gas. Seu primeiro registro fonográfico, um single chamado No Pasarán, lançado em 2002, tem inspiração temática na Guerra Civil Espanhola.

Com uma música intensa e explosiva e shows igualmente inundados de alta combustão, o Fucked Up foi logo formando uma aura de admiração, mistério e polêmica ao seu redor, alimentada pelos membros da banda em suas entrevistas e repercutida pelos fãs. Outro aspecto que torna a banda objeto de culto são os singles, pequenos e frequentes discos nos formatos 7” e 12”, lançados sempre através de pequenos selos ou pela própria banda. O vocalista Damian Abraham, também conhecido como Pink Eyes, é um ávido colecionador de discos e costuma aparecer em entrevistas e documentários falando sobre sua paixão.

Depois de alguns anos lançando estes pequenos registros, o Fucked Up lançou em 2004 uma primeira compilação chamada Epics in Minutes, onde reuniu boa parte de suas gravações até o momento. Neste mesmo ano aconteceu ainda um outro lançamento revelante, o single Looking for Gold, cuja faixa-título e seus quase 16 minutos de duração divididos em duas partes e repletos de solos de bateria, efeitos e assobios podem ser percebidos como um primeiro esforço mais experimental da banda, e antecipavam o que estava por vir.

Mais singles foram lançados, alguns memoráveis, rapidamente elevando a moral da banda — e então começou-se a apontar na incipiente discografia do Fucked Up uma revolução em marcha, uma ampliação nos horizontes da tradicionalmente hermética estética do punk e do hardcore. É como se o Fucked Up retomasse a partir de onde o Hüsker Dü não soube prosseguir, após ter lançado o clássico Zen Arcade.

Até que em 2006, finalmente, veio o fantástico LP Hidden World. Recheado de riffs brilhantes, atuação impressionante da cozinha massiva e incansável, e composições mais bem acabadas, Hidden World teve repercussão bastante positiva e fez a reputação da banda atravessar as fronteiras da América do Norte, rendendo inclusive uma turnê europeia.

Se desde Looking for Gold, passando por Hidden World, a música da banda vinha evoluindo e tornando-se mais elaborada, o single Year Of The Pig, lançado em 2007, afirmou definitivamente que os territórios explorados pelos canadenses haveriam de ser amplos. O segundo de uma série de singles dedicados aos signos do zodíaco (Year of the Dog já havia sido lançado em 2006), Year Of The Pig traz a longa e sensacional faixa-título onde a faceta destruidora da banda convive muito bem com outra mais calma e pacífica, representada principalmente nos trechos cantados por Jennifer Castle.

O Fucked Up prosseguiu em sua rotina de lançar singles por selos desconhecidos até que em 2008 assinou contrato com um selo de maior porte, a Matador Records. A parceria começou com uma reedição em CD de Year Of The Pig, em variadas versões com diferentes B-sides, além de uma edição completa que reúne todas as faixas destas diferentes versões. Também em 2008, em outubro, saiu o segundo LP, The Chemistry of Common Life. O site da Matador, por ocasião do lançamento do novo álbum, dizia: “(…) An expansive epic about the mysteries of birth, death, and the origins of life (and re-living) (…)”. Amplamente elogiado pela crítica e festejado pelos fãs, é a obra-prima do Fucked Up até aqui, a despeito de uma ou outra tola insatisfação de antigos fãs com uma suposta amenizada na violência sonora produzida pelos canadenses.

2009 começou auspicioso, com Jello Biafra subindo ao palco de um show da banda em São Francisco para cantar Blitzkrieg Bop, do Ramones; dois dias antes, em Los Angeles, havia sido a vez de Keith Morris, do Circle Jerks, colaborar com a banda na execução de Nervous Breakdown, do Black Flag. A série do zodíaco continuou com o lançamento de Year of the Rat, e, entre os vários outros singles lançados, destaca-se também um novo fruto da parceria com a Matador, No Epiphany, que traz a faixa-título em uma versão diferente daquela que aparece no tracklist de The Chemistry of Common Life, além de uma segunda versão remixada pelo No Age. E o ano terminou do mesmo jeito que começou, ou seja, com parcerias ilustres: a banda gravou um single beneficente ao lado de Ezra Koenig (Vampire Weekend), Bob Mould, Kevin Drew (Broken Social Scene), Kyp Malone (TV on the Radio), entre outros.

No começo de 2010 foi lançado Couple Tracks: Singles 2002-2009, nova compilação que serve como complemento para Epics in Minutes. E, no próximo dia 27 de setembro, o quarto volume da série dedicado ao zodíaco, Year of the Ox, será lançado via Matador Records.

Última atualização

23/08/2010

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