Black Rebel Motorcycle Club

Biografia

O Black Rebel Motorcycle Club nasceu em 1998, na cidade de San Francisco. Em sua primeira encarnação, o nome do grupo foi The Elements, mas, após descobrirem que já havia não somente um, mas diversos The Elements pelo mundo, resolveram se inspirar no clássico filme “The Wild One” (com Marlon Brando, no Brasil chamado “O Selvagem”) e nomear a banda de Black Rebel Motorcycle Club.

Robert Turner e Peter Hayes eram amigos de escola desde 1995, em San Francisco, cidade da costa oeste dos EUA. Começaram a compor e a tocar por diversão na garagem de suas casas. Antes de formar uma banda juntos, participaram de outros projetos, mas sempre acabavam no mesmo palco, um fazendo participação na banda do outro. Em 1998 conheceram o baterista Nick Jago, inglês de nascença, mas que morava na Califórnia desde 1996. Resolvidos finalmente a trabalhar juntos, começaram a se apresentar ao vivo no fim de 1998. As apresentações esfuziantes e a música recheada de influências do quilate de Velvet Undergound, Ride e My Bloody Valentine logo chamaram a atenção do público local, que passou a acompanhar a banda com interesse.

No ano seguinte o trio se mudou para Los Angeles, onde começou a formar sua reputação à medida que mais e mais shows eram agendados. Reunindo 16 composições próprias, gravaram uma demo com o auxílio do amigo produtor Daniel Presley, cuja tiragem de 500 cópias esgotou rapidamente, vendida durante os shows. Uma rádio de Santa Monica chamada KCRW teve acesso a uma cópia e começou a incluir as canções em sua programação diária, e aos poucos a fama do grupo chegou até a Inglaterra, onde a rádio Sheffield da BBC e Noel Gallagher lhe dirigiram comentários elogiosos. Dessa forma, não demorou para a banda conseguir um contrato com a Virgin, sendo que, nas cláusulas deste, constava que eles teriam o direito de produzir e mixar seus próprios discos.

Em 2001 começaram os lançamentos oficias da banda. Precedendo o primeiro full length, o Black Rebel soltou dois promos em vinil de 7”: Red Eyes And Tears e Rifles, em fevereiro e março. O primeiro LP seria lançado nos EUA em abril, auto-intitulado, conquistando boa parte da crítica e do público, enquanto a outra parte insistia em vê-los como uma cópia descartável de Jesus and Mary Chain. Dois novos promos em edições limitadas em vinil vieram depois: Love Burns e Whatever Happened To My Rock’N’Roll. Todos esses promos têm a arte feita por Nick Jago. No fim do ano, saiu o EP Screaming Gun, também em tiragem limitada.

Depois de passar bastante tempo na estrada, a banda entrou novamente em estúdio para gravar seu segundo LP. Take Them On, On Your Own foi lançado nos EUA em setembro de 2003, e seguiu a linha de seu antecessor, com a banda promovendo um verdadeiro espetáculo de guitarras e melodia, mas, claramente, sem a força do primeiro disco. Apesar do bom single Stop e da fantástica faixa que fecha o disco, Heart and Soul, o novo álbum do Black Rebel acabou decepcionando grande parte do público que estava na expectativa deste segundo álbum, deixando em todos a suspeita de que o grupo tinha gás para somente um disco.

Para piorar a situação, 2004 trouxe mais complicações: a banda foi demitida pela Virgin e perdeu Nick Jago após a turnê de divulgação de Take Them On, On Your Own. Mas parece que foi justamente nestes tempos difíceis que Robert Turner e Peter Hayes encontraram inspiração e força para se superar e levar a banda para um outro estágio. Anunciando que iriam gravar um disco basicamente acústico e com influências da música popular americana de raiz, a qual cresceram ouvindo, os dois entraram em estúdio para preparar o terceiro álbum. Na etapa final das gravações, contaram com a volta de Nick Jago. Já em 2005, o grupo assinou com a Echo Records na Inglaterra e com a RCA nos EUA para distribuirem seu próximo álbum.

Howl, lançado nos EUA e na Inglaterra em agosto de 2005, é o glorioso álbum que redime o Black Rebel Motorcyle Club: um conjunto de 13 canções (mais uma escondida) que passeiam inspiradas pelo leque de estilos da música americana tradicional, como o folk, o gospel e o blues rústico e melancólico do delta do Mississipi, conforme Robert e Peter haviam prometido que seria. Mas ninguém imaginava que a banda fosse soltar um pequeno clássico. Ainda em 2005, saiu um EP complementar ao LP recém-lançado, Howl Sessions, contendo algumas gravações que não entraram no álbum principal.

Revitalizada, a banda excursionou mundo afora e logo estava preparando material para o seu quarto álbum. Baby 81 foi lançado em abril de 2007, trazendo de volta as influências e as guitarras dos dois primeiros discos, com alguns resquícios do folk e do blues do disco anterior. O disco lembrou um pouco Take Them On, On Your Own em sua irregularidade, excedeu talvez um pouco em sua extensão e acabou tendo uma recepção mediana por parte da crítica, que nem de longe se entusiasma como havia feito com Howl, dois anos antes. Assim como antecessor mais bem-sucedido, Baby 81 rendeu um EP com sobras de estúdio de suas sessões, American X: Baby 81 Sessions.

Em 2008, novos abalos na trajetória do Black Rebel Motorcycle Club. Em junho, Nick Jago novamente deixou banda, sendo substituído por Leah Shapiro, baterista que costuma acompanhar o Raveonettes em suas turnês. De acordo com a banda, Nick está novamente afastado temporariamente, para se dedicar aos seus projetos pessoais, e não está descartado um novo retorno. Fora das declarações oficiais, consta que o motivo de sua inconstância seriam problemas com drogas.

A banda seguiu em frente e logo voltou a surpreender: em novembro foi lançado o quinto LP, The Effects of 333. O disco, gravado de forma independente, foi comercializado somente em formato digital através do site oficial do grupo, sob o selo próprio recém-criado, Abstract Dragon. The Effects of 333 traz dez faixas instrumentais, num estilo totalmente diferente do trabalho anterior do Black Rebel Motorcycle Club. “This has been in the works for the last 3 years at least, on and off the road, in hotel rooms, bus bunks, and back stage”, de acordo com o release no site, que associa o disco a ambient music.

Já em 2009, o Black Rebel Motorcycle Club lançou Live, DVD duplo que traz a banda em ação em shows em Berlin, Dublin e Glasgow, além de várias outros vídeos extras e um CD bônus, com algumas das faixas destes shows.

Já em 2010, em março, a banda lança Beat The Devil’s Tattoo, seu sexto LP, novamente pela Abstract Dragon. O disco retoma a música mais convencional do Black Rebel Motorcycle Club, relembrando a influência mais acentuada de bandas como Jesus and Mary Chain presente nos dois primeiros álbuns.

Última atualização

18/03/2010

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