At The Drive-In

Biografia

Intenso, caótico, libertador, primal, furioso. Uma lista de adjetivos para tentar definir uma banda como o At The Drive-In seria infinita. Formado na cidade cucaracha de El Paso, Texas, o At The Drive-In serviu de exemplo de honestidade e dedicação no período em que esteve na ativa, entre 1993 e 2001.

O primeiro registro sonoro do At The Drive-In, criado em 1993 pelos amigos Cedric Bixler e Jim Ward, foi o EP Hell Paso, um trocadilho com a cidade-natal de seus integrantes, lançado em dezembro de 1994. As gravações foram financiadas e realizadas pela banda de forma independente, e o resultado lançado pelo selo Western Breed, criado por eles mesmos. Para divulgar o lançamento, o grupo percorreu o estado do Texas à procura de shows, a maioria deles malfadados e vazios. Após a gravação de mais um EP independente, Alfaro Vive, Carajo, a banda foi contratada pela Flipside, após um show que contou apenas com nove (!) pessoas na plateia. Nesta época, além de Cedric Bixler no vocal e Jim Ward na guitarra, completavam a banda o também guitarrista Jarrett Wrenn, o baixista Kenny Hopper e o baterista Davy Simmons, que substituiu Bernie Rincon, que fora o responsável pelas do primeiro EP.

No meio de 1996, o At The Drive-In lançou seu primeiro disco, Acrobatic Tenement. A exemplo do clássico Bleach do Nirvana, o custo total da gravação do disco foi de apenas U$ 600. Desde o início, a energia da banda se mostrava presente, ainda que com um toque simplório e não muito bem direcionado. Não era facilmente enquadrada como uma banda de hardcore, talvez pela qualidade de suas gravações e instrumentos beirando o estilo lo-fi — as vozes de Cedric e Jim chegam a ser insuportavelmente desafinadas neste registro. Mas a agressividade era o diferencial e seus shows caóticos começavam a fomentar o burburinho em torno da banda.

O line-up responsável pelo primeiro LP já havia mudado: além da dupla fundadora, Adam Amparan ocupava a segunda guitarra, Omar Rodriguez era o baixista e Ryan Sawyer, o baterista. E antes de entrar em turnê para promover Acrobatic Tenement, mais mudanças na formação: com a saída de Adam, Omar resolveu assumir a segunda guitarra. Ryan Sawyer também deixou o At The Drive-In na sequência, e os shows eram feitos com a ajuda de amigos de outras bandas que se dispusessem a tocar com eles, sendo que o baixista Paul Hinojos e o baterista Tony Hajjar fizeram parte deste rodízio e logo foram integrados definitivamente à banda.

Devido às dificuldades financeiras da Flipside, que não conseguia divulgar devidamente o grupo, o At The Drive-In foi aconselhado a rumar para a One Foot/Offtime Records, um selo um pouco maior. Apesar das melhores condições de gravação, o resultado não poderia ter sido pior: o EP El Gran Orgo, de setembro de 1997, foi lançado sem a prévia autorização da banda e tornou-se o único registro que não era comercializado em seus shows, como forma de protesto. Pode-se perceber uma mudança no som do At The Drive-In, como se o grupo estivesse se aproximando do que outras bandas de hardcore melódico faziam na época — talvez um reflexo da convivência com seus companheiros de turnê: Screw 32, Still Life, Mustard Plug, Face to Face, Cosmic Psychos, entre outros.

O descontentamento com sua nova gravadora era tanto que o grupo chegou a manifestar uma anti-propaganda: “O At The Drive-In foi enganado pela Offtime Records quando lançou El Gran Orgo; por favor NÃO compre!!!! Quando você compra El Gran Orgo você não dá suporte ao At The Drive-In, você dá suporte à DESONESTIDADE”. Ironicamente, a anti-propaganda publicada pelo At The Drive-In teve o efeito inverso: a primeira tiragem de El Gran Ogro esgotou-se em três dias, estendendo a popularidade da banda a um público maior, que antes era restrito aos frequentadores do circuito underground. Neste período, o line-up do grupo não contava com Jim Ward, que havia deixado o At The Drive-In temporariamente.

Desfeito o tortuoso contrato com a Offtime Records, a banda encontrou-se sem gravadora para prosseguir. Não poderiam continuar de maneira independente, como começaram, pois os shows estavam tomando um porte maior do que podiam arcar. Mas esse período durou pouco: após conferirem um show do At The Drive-In, representantes da Fearless Records entraram em contato com a banda, oferecendo um contrato.

Em junho de 1998, o grupo estava em estúdio novamente para preparar o primeiro disco a ser lançado pelo seu novo selo. Trabalhando com Alex Newport (que já produziu Melvins, Ikara Colt, Sepultura e System of a Down) e com Jim Ward de volta, o At The Drive-In criou um disco glorioso chamado In/Casino/Out. Gravado quase que inteiramente ao vivo no estúdio (foram feitos apenas alguns poucos overdubs de vocal e guitarra), este segundo LP foi lançado em agosto de 1998 e tornou o At The Drive-In definitivamente uma das bandas mais importantes de um período que podemos identificar como uma espécie de pós-grunge, mesmo que, nitidamente, a banda não tivesse ainda na época o reconhecimento que merecia.

Logo após o lançamento a banda entrou em turnê, participando de shows ao lado de nomes como Murder City Devils, Fugazi, Good Riddance, Promise Ring, Sonic Youth, Get Up Kids, Sunny Day Real Estate, Archers of Loaf e Jimmy Eat World, parando em dezembro para um rápido descanso e algumas sessões de estúdio. Já em 1999, em março, a banda voltou para a estrada, fazendo alguns shows pelos EUA antes de partir para sua primeira visita a Europa. No meio do ano, o grupo decidiu juntar algumas canções ainda não lançadas oficialmente e lançá-las em um EP. Vaya saiu em julho de 1999 pela Fearless e soa como uma pequena continuação de In/Casino/Out. Depois disso, o At The Drive-In embarcou em mais uma turnê, fazendo shows pelos EUA e duas noites no Canadá para divulgação de seu novo EP.

Nas apresentações desta turnê, era evidente o crescente entusiamo do público. Esse período marcou também a assinatura da banda com a recém-fundada DEN Records, cujos proprietários eram Gary Gersh e John Silva, dois grandes empresários do ramo musical. Essa atitude levou alguns (poucos) fãs a virarem as costas para a banda, como se o At The Drive-In tivesse se vendido à uma gravadora maior. Mas a própria banda nunca mostrou ter qualquer pretensão de ser um expoente ou representante do underground, ignorando a possibilidade de existir somente no mercado independente.

Depois de mais alguns shows no fim de 1999 ao lado do Rage Against the Machine, em janeiro de 2000 o At The Drive-In entrou em estúdio para gravar seu novo disco ao lado de Ross Robinson, produtor famoso por seu trabalho com Korn, Sepultura e Slipknot, e que a banda havia conhecido em sua última passagem por Nova York. Foram sete semanas de gravações no estúdio Indigo Ranch, em Malibu, até o material ser entregue para Andy Wallace fazer a mixagem.

Na verdade, 2000 foi prolífico em termos de lançamentos do At The Drive-In: foram lançados ainda alguns splits (entre eles, um com o Murder City Devils) através de selos diversos, e também alguns singles, introduzindo ao público o material que a banda estava preparando para seu novo álbum. Mas, antes deste disco ficar pronto, a DEN Records passou por uma fusão com a Grand Royal Records, que seria então a nova casa do At The Drive-In. O grupo caiu na estrada novamente, voltando à Europa e tocando também no Japão. Relationship of Command foi finalmente lançado em setembro.

Melhor produzido e distribuído, este disco tornou o At The Drive-In finalmente uma banda grande. O disco foi amplamente aclamado e hoje em dia goza do status de ser considerado como um dos melhores lançamentos dos anos 90/00. Mas, ao contrário do que tudo indicava, o fim do conjunto estava próximo. Depois de um período sem atividades em 2001 — descontando um novo single para Relationship of Command e o projeto paralelo De Facto, de Cedric e Omar, que lançou o álbum Megaton Shotblast — o grupo oficializou a separação, seguida quase imediatamente da formação de duas novas bandas: Cedric e Omar criaram o Mars Volta, enquanto Jim, Tony e Paul formaram o Sparta.

Uma década passou-se — tempo durante o qual o prestígio do At The Drive-In só fez crescer — até que, no começo de 2012, o grupo anuncia sua reunião, tendo já agendado participação em alguns festivais de verão pelos EUA. Não se sabe ainda se o grupo permanecerá reunido e voltará a gravar em estúdio, ou se a idéia é apenas apresentar-se ao vivo por algum tempo.

Última atualização

19/01/2012

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