Alice In Chains
Biografia
A primeira encarnação do Alice in Chains se chamava, na verdade, Alice N’ Chainz, e nasceu após o vocalista Layne Staley ter deixado o Sleeze em 1986. Nessa época, Layne e seus amigos tocavam covers de Slayer e eram influenciados pelo glam metal e pelas bandas que estavam então em evidência, como o Guns ‘n Roses. Layne veio a conhecer o guitarrista Jerry Cantrell no estúdio Music Bank, e a identificação musical entre os dois foi estabelecida imediatamente. Layne passou a participar do Diamond Lie, banda que Jerry tinha com o baterista Sean Kinney e o baixista Mike Starr. Não demorou muito para que o Alice N’ Chainz anterior se desmanchasse e o Diamond Lie se transformasse na segunda encarnação do Alice in Chains, desta vez devidamente rebatizado.
Em 1988, já com alguma rodagem nos bares e clubes de Seattle, a banda gravou a demo que ficou conhecida como The Treehouse Tapes, e esta gravação é que leva a banda a assinar, no ano seguinte, com a Columbia Records. Em julho de 1990 foi lançado o EP We Die Young e o sucesso da música-título logo faz o Alice in Chains deixar de ser uma banda desconhecida do underground de Seattle. O som intenso e pesado, mas cujo equilíbrio perfeito atraiu também a atenção de quem não ouvia somente metal, passou a ser ainda mais divulgado logo depois, quando saiu o primeiro LP da banda, Facelift. Com os sucessos de Man in the Box e Sea of Sorrow e o apoio da MTV, o Alice in Chains logo se transformou em um dos ícones do grunge, apelido dado à inesquecível cena de Seattle no início da década de 90. A identificação com o público do metal era clara na música da banda, e também nos parceiros de turnês: entre 1990 e 1991, o quarteto tocou ao lado de gente como Megadeth, Van Halen, Slayer e Anthrax.
As próximas sessões de estúdio aconteceram em 1992, e o primeiro resultado delas é o surpreendente EP SAP, cujo título veio de um sonho do baterista Sean Kinney. O disquinho, que traz participações de Chris Cornell e Mark Arm, é formado por canções essencialmente acústicas, revelando que o talento do Alice in Chains era maior que se poderia supor inicialmente. Na sequência, em setembro, temos o lançamento de Dirt, outro marco do Alice in Chains e de Seattle. O disco é mais pesado e sombrio que o LP anterior, e as drogas e o vício formam a temática predominante. Sucesso de público e crítica, é uma sequência fantástica de grandes canções: Dam That River, Rooster, Angry Chair e Would? são algumas delas. Would?, possivelmente o maior sucesso da carreira do Alice in Chains, apareceu ainda na trilha-sonora de Singles, filme que traz ainda uma rápida aparição do Alice in Chains tocando em um bar. Excursões com Ozzy Osbourne e Screaming Trees, participações no Hollywood Rock de 1993 no Rio de Janeiro e no Lollapalooza, esses foram alguns dos destaques da turnê que seguiu-se ao lançamento de Dirt. Foi nesse período que Mike Starr deixou o grupo, alegando querer passar mais tempo com a família, e foi substituído por Mike Inez, que tocava na banda de Ozzy.
Em janeiro de 1994, a banda soltou mais uma pequena obra-prima, o EP Jar of Flies. É o primeiro EP da história a chegar no topo da parada da revista Billboard — sucesso de público e crítica absolutos. Mais alguns shows e excursões ao lado de Metallica e Suicidal Tendencies estavam já programados para a sequência do ano, mas, apesar da recente internação numa clínica de reabilitação, Layne Staley voltou a ter problemas com heroína e a banda foi obrigada a fazer uma pausa.
Em 1995, Staley apareceu em um projeto paralelo com Mike McCready (Pearl Jam), Barret Martin (Screaming Trees) e Baker Saunders (Lamont Cranston). Sob o nome de Mad Season, eles lançaram um ótimo disco homônimo no começo do ano. E, logo depois, Layne voltou a ser juntar ao Alice in Chains no estúdio Bad Animals, em Seattle, para a gravação de um novo disco. O resultado foi lançado em novembro de 1995: outro disco homônimo, conhecido por muitos como Tripod, devido ao cão sem uma das patas que ilustra a capa do álbum. O disco, tão ou mais sombrio que Dirt, não teve o mesmo impacto que seu antecessor, mas ainda assim é um grande trabalho. E que se revelaria, infelizmente, o último disco de inéditas desta segunda encarnação do Alice in Chains. Após o lançamento, a banda resolveu não sair em turnê, o que gerou muitos boatos acerca de seu futuro.
O Alice in Chains voltaria a aparecer em abril de 1996, na gravação de um show acústico para a MTV, que geraria o fantástico disco lançado no mesmo ano. Além da apresentação para a MTV, aconteceram mais alguns shows (entre eles, quatro shows de abertura para o Kiss), os últimos com Layne Staley como o vocalista do Alice in Chains. Logo depois iniciou-se um novo hiato na trajetória do Alice in Chains. Os membros do grupo envolveram-se em outros projetos, principalmente Jerry Cantrell, que lançou Boggy Depot, seu primeiro disco solo, além de participar de um álbum de Glenn Danzig (ex-Misfits) e da trilha-sonora do filme “The Cable Guy”. Layne, por sua vez, contribuiu com a trilha-sonora do filme “The Faculty” gravando uma nova versão para Another Brick In the Wall Part II, do Pink Floyd, ao lado de Tom Morello, Steve Perkins e Martyn Lenoble. Mas, após a morte de sua noiva, Demri Parrott, Staley passou a viver cada vez mais recluso.
Em 1998, a última ação de Staley como membro do Alice in Chains foi a gravação de duas novas músicas, Died e Get Born Again. Em junho do ano seguinte foi lançada a primeira coletânea do Alice in Chains, Nothing Safe: The Best of the Box, que reúne principais sucessos da carreira do Alice In Chains e mais Get Born Again. Esse lançamento serviu de aperitivo para o que viria a seguir: o box Music Bank, lançado ainda em 1999 e que traz raridades, gravações ao vivo e demos que a banda guardou ao longo de seus mais de 10 anos de carreira, além da última inédita, Died.
O tempo foi passando e, apesar das esperanças de se ver novamente o Alice in Chains no palco, a possibilidade de isso acontecer parecia cada vez mais remota. O estado de Layne Staley era preocupante, e em entrevistas ele se dizia próximo da morte devido ao vício em drogas. A banda não estava oficialmente acabada, mas os lançamentos com pinta de discos póstumos seguiam saindo: em 2000 o disco ao vivo Live e no ano seguinte, a nova coletânea Greatest Hits.
Em abril de 2002, no dia 20, aconteceu aquilo que todos pareciam saber que aconteceria: Layne foi encontrado morto em sua casa, vítima de uma mistura de cocaína com heroína. Os médicos estimaram que Layne estava morto já fazia duas semanas. E a segunda encarnação do Alice in Chains estava tragicamente — embora sem grande surpresa — encerrada.
Mas não foi o fim. Para o assombro geral, em 2005, Jerry Cantrell, Mike Inez e Sean Kinney se reuniram para participar de um show beneficente em prol das vítimas do tsunami que arrasara parte do sul da Ásia no fim do ano anterior. A partir de então, outros shows foram acontecendo em outras ocasiões, com o Alice in Chains contando sempre com o apoio de convidados especiais. Aproveitando a ocasião, foi lançada mais uma coletânea em 2006, The Essential Alice in Chains.
Ao longo destes shows, a possibilidade do Alice in Chains voltar mais efetivamente a ativa foi aumentando, principalmente a partir do momento em que William DuVall ficou definitivamente com o cargo de vocalista. Os boatos nesse sentido ganharam força e credibilidade quando Kinney revelou em uma entrevista que o quarteto pensava em gravar um novo disco de canções inéditas, mas que provavelmente o fariam sob um novo nome. Mas não foi o que aconteceu. Depois de entrar em estúdio em outubro de 2008 e assinar contrato com a EMI, o Alice in Chains, em sua terceira encarnação, lançou em setembro de 2009 o álbum Black Gives Way to Blue. Apesar de muitos fãs ainda torcerem o nariz para esta versão do Alice in Chains sem Layne Staley, o disco teve uma boa recepção e a banda continua na estrada.
Última atualização
12/02/2010

